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Investigadores também lembraram de recomendação feita por Eduardo Bolsonaro ao irmão, mas destacaram que a alegação de “perseguição política” usada pelo ex-deputado “jamais foi demonstrada”

Ao pedir ao Supremo Tribunal Federal a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL), a Polícia Federal destacou a “evasão bem-sucedida” do amigo do parlamentar Willer Tomaz, advogado investigado junto do ex-candidato pela lavagem de dinheiro de cifras bilionárias com bets. Os investigadores também apontaram que havia “estruturas já estabelecidas no exterior” que poderiam permitir uma “permanência prolongada” do senador os Estados Unidos. Segundo a PF, era “evidente o risco concreto de evasão do território nacional”.
Outro fator citado pela PF para pedir a apreensão dos passaportes de Flávio foi o “expressivo poderio econômico” dos envolvidos. Nesse sentido, a PF destacou que ainda apura o “real destino” dos recursos enviados por Daniel Vorcaro aos EUA – valores que, segundo o senador, foram repassados para a produção do filme Dark Horse. Os investigadores ressaltaram que não descartaram ainda a hipótese de que parte desses valores foi destinada a custear a permanência de Eduardo nos EUA.
A Polícia Federal ainda lembrou da manifestação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, recomendando que o irmão saísse do País caso saísse derrotado das urnas. A corporação destacou que Eduardo alegou uma suposta perseguição política, mas lembrou que esse argumento “jamais foi demonstrado”. A PF frisou que o ex-deputado já foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, por articular sanções, nos EUA, para tentar coagir ministros durante a tramitação da ação que levou à condenação de Jair Bolsonaro por crime de golpe de Estado.
Depois de citar a manifestação de Eduardo Bolsonaro, a PF disse que ela não poderia ser vista de forma isolada e então citou a “evasão” de Willer. Segundo a corporação, o advogado está fora do País desde o dia 25 de agosto, “ao que tudo indica em Miami”, sem registro de retorno.
Os investigadores dizem que a estadia de Willer, fora do País, se dá mesmo após Moraes ter proibido sua saída do Brasil e cancelado seus passaportes. Ainda segundo a PF, o advogado tem “recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje”.
Como mostrou o blog de Malu Gaspar, o pedido da Polícia Federal foi apresentado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, apenas sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a derrota do senador na disputa pela Presidência da República. O ministro atendeu ao pedido ainda na noite de domingo, sem consultar previamente a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Flávio foi intimado da decisão na manhã de segunda-feira, quando visitava o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em sua prisão domiciliar. O senador teria 24 horas para entregar seus passaportes à PF, mas não cumpriu a decisão, como mostrou o GLOBO. A PF então cancelou os documentos nesta manhã. Em paralelo, aliados do parlamentar receberam a informação de que o senador deixou o Brasil após a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a apreensão.
A PF pediu a apreensão do passaporte de Flávio e demais medidas – proibição de deixar o País e de manter contato com Willer – sob o argumento de que elas mitigariam o riscos de fuga, “reiteração criminosa” e de prejuízo às investigações, “sem necessidade de decretação da prisão preventiva”.

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