POLÍTICA

PF faz operação para apurar suspeita de desvio de verba em prefeitura comandada por pai do presidente da Câmara

3 de abril, 2025 | Por: Agência O Globo

Assessoria do município de Patos e Hugo Motta não comentam

Uma das vias de Patos (PB) que receberam obras sob investigação — Foto: Divulgação/Prefeitura

A Polícia Federal realiza nesta terça-feira a nova fase de Operação Outside, que apura suspeita de fraude em licitação, sobrepreço e desvio de recursos públicos federais repassados ao município de Patos, na Paraíba, governado por Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ambos não são alvo da investigação.

A ação é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF).

A CGU informou que “logo após a deflagração da primeira fase da operação, ocorrida em 12 de setembro de 2024, foram realizadas fiscalizações, tanto pela CGU quanto pela PF, confirmando indícios apontados na investigação”. O inquérito apura supostos desvios em uma obra viária.

Conforme a CGU, com a análise da documentação coletada na primeira fase, foi identificada a participação de novos agentes nos fatos já descobertos. Há a suspeita de que uma servidora do município tenha usado o cargo para favorecer uma empresa. Procurada, a prefeitura não se manifestou.

“A nova fase da operação tem como objetivo o aprofundamento da investigação, bem como apurar elementos que indiquem possível atuação ilícita de investigada, que, utilizando-se de sua posição na administração pública, teria favorecido interesses privados da empresa contratada para realização da obra. O objetivo principal é reverter ao erário os valores pagos indevidamente e a apuração de responsabilidade dos envolvidos nas irregularidades”, disse a CGU, em nota.

Na primeira fase da operação, foi identificado que os recursos apurados eram oriundos de emenda parlamentar enviada por Hugo Motta. Procurado na época, o parlamentar, que não é investigado, afirmou que “confia nos órgãos de investigação”. Agora, a assessoria de imprensa informou que ele não iria comentar.

Motta enviou, via orçamento secreto, R$ 5 milhões para o Ministério de Desenvolvimento Regional em 2020 durante o governo de Jair Bolsonaro. A destinação final do repasse era o município de Patos, como indicado pelo próprio parlamentar em informações apresentadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo do envio era “apoio a projetos e obras de reabilitação e urbanização acessível em áreas urbanas”.

O contrato entre a prefeitura de Patos e o Ministério do Desenvolvimento Regional foi celebrado em 31 de dezembro de 2020, com R$ 4,78 milhões de verba parlamentar de Hugo Motta e R$ 285 mil de recursos municipais, totalizando R$ 5 milhões.

No ano seguinte, em setembro de 2021, a Prefeitura de Patos firmou um contrato com a empresa. Assim que o acordo foi formalizado, o município informou nas redes sociais que a contratação foi fechada com “recursos conseguidos pelo deputado federal Hugo Motta”. O próprio deputado também já falou sobre a obra nas redes.

“A Alça Sudeste é um fruto do nosso trabalho em Brasília em parceria com o prefeito Nabor Wanderley. Vamos seguir trabalhando para que mais investimentos cheguem e beneficiem a população”, escreveu o parlamentar nas redes sociais em 10 de janeiro deste ano.


BS20250403132546.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/04/03/pf-faz-operacao-para-apurar-suspeita-de-desvio-de-verba-em-prefeitura-comandada-por-pai-do-presidente-da-camara.ghtml

Artigos Relacionados