POLÍTICA

PF investiga repasse de empresária amiga de Lulinha a chefe de gabinete presidencial

4 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Caso envolve transferência feita por empresária investigada na apuração sobre o “Careca do INSS”; assessor de Lula diz que valor foi empréstimo pessoal já quitado

A Polícia Federal (PF) investiga uma transferência financeira feita pela empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, ao ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que deixou o cargo há duas semanas. Procurado, Marcola negou qualquer ilícito no pagamento. Ele diz que recebeu os valores, sem especificar quanto, na forma de um empréstimo, posteriormente quitado.

Marcola: na campanha — Foto: Reprodução

Roberta é investigada pela PF em casos que envolvem Lulinha, como é conhecido o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primogênito do petista é alvo de três inquéritos abertos desde a semana passada por suspeita de cometer o crime de tráfico de influência.

O pagamento a Marcola foi revelado pelo Poder360 e confirmado pelo GLOBO. Oficialmente, o auxiliar de Lula deixou o cargo no Palácio do Planalto para dedicar-se à campanha à reeleição do petista.

Procurada, a defesa de Roberta Luchsinger não se manifestou.

Lulinha é suspeito de ter atuado com Roberta junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete presidencial com o objetivo de ser beneficiado no ramo da cannabis medicinal.

O filho do presidente da República e Roberta também mantiveram relações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, suspeito de comandar um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos no contracheque de aposentados. 

Os investigadores buscam esclarecer a origem e a finalidade dos recursos transferidos por Roberta. A empresária é apontada pela PF como uma pessoa responsável prospectar contratos governamentais.

Em depoimento prestado em um dos casos nos quais é investigada, Roberta afirmou que nunca repassou recursos ao filho do presidente e negou qualquer irregularidade em sua atuação profissional.

Em nota publicada pela coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, Marcola confirmou ter recebido um empréstimo e alegou que a operação não teve relação com suas funções no governo.

“Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, diz a nota. 

Na semana passada, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um novo inquérito contra Lulinha após a PF fazer citações ao gabinete presidencial.

Lulinha nega qualquer irregularidade, enquanto o seu pai, o presidente da República, afirmou que, “se for culpado”, o filho “vai ter que pagar como todo mundo”. 

A suspeita que recai sobre o filho do presidente é ter utilizado ligações com o governo federal para benefício próprio.

A representação encaminhada ao Supremo, que resume o caso ao longo de 34 páginas, também faz referência a contatos de um dos envolvidos com uma pessoa descrita como de “grande influência” no gabinete presidencial.

Lulinha começou a ser investigado a partir do avanço da Operação Sem Desconto, escândalo que gera grande preocupação no governo desde o ano passado.


BS20260804025402.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/08/03/pf-investiga-repasse-de-empresaria-amiga-de-lulinha-a-chefe-de-gabinete-presidencial.ghtml

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