POLÍTICA

PF investiga suposta rede de lavagem de dinheiro usada por Weverton Rocha e advogado com postos de combustível e agro

4 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

A Polícia Federal investiga uma suposta rede de lavagem de dinheiro que seria usada pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz no suposto esquema de fraudes em descontos de aposentadorias e pensões no INSS. O inquérito aponta a existência, ao menos desde 2023, de um grupo que incluía empresas “interpostas”, sociedades patrimoniais e postos […]

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) — Foto: Roque de Sá/Agência Senado

A Polícia Federal investiga uma suposta rede de lavagem de dinheiro que seria usada pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz no suposto esquema de fraudes em descontos de aposentadorias e pensões no INSS. O inquérito aponta a existência, ao menos desde 2023, de um grupo que incluía empresas “interpostas”, sociedades patrimoniais e postos de combustíveis. O defensor e familiares do parlamentar foram alvos de uma operação da PF nesta terça-feira.

Segundo os investigadores, as contas bancárias dos postos eram supostamente usadas no esquema para a compra de propriedades rurais, pagamento de terrenos e maquinário agrícola, e repasses a empresas que eram usadas para disponibilizar valores ao senador.

Segundo a PF, a responsável pela gestão operacional e financeira dos postos era a filha de Weverton. A corporação diz que ela cuidava dos saldos das contas, organização de listas de pagamentos, transferências, encaminhamento de comprovantes, tratativas com contadores e execução de ordens do pai por intermédio das contas dos postos.

Na decisão em que autorizou a operação, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a hipótese levantada pela PF é que Weverton e Willer atuaram para “ocultar ou dissimular a origem, a movimentação, a disponibilidade, a propriedade e a titularidade real de bens, direitos e valores provenientes, direta ou indiretamente, de infrações penais antecedentes, mediante empresas interpostas, contas pessoais e familiares, postos de combustíveis, sociedades patrimoniais, contratos, registros contábeis, numerários em espécie e ativos formalmente dissociados de seu possível beneficiário econômico”.

A Polícia Federal cumpriu ao todo 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, no Distrito Federal e no Maranhão.

“As investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos”, informou a PF em nota. Uma máquina de contar dinheiro foi encontrada na casa de um dos alvos da operação.

Em nota, o advogado Willer Tomaz afirmou que “não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”, e ressaltou que a operação “decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público”.

Em dezembro do ano passado, o senador Weverton Rocha foi um dos alvos de mandado de busca e apreensão de uma fase da operação Sem Desconto. A Polícia Federal afirmou que o senador teria se beneficiado de recursos desviados do INSS. A representação policial informava que Weverton era “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, peça-chave no esquema de descontos indevidos.

Na ocasião, o senador disse em nota que “recebeu com surpresa a busca na sua residência” e que “com serenidade se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral à decisão”.

Em maio, O GLOBO mostrou que um dos principais personagens do escândalo das fraudes no INSS, o “Careca do INSS”, esteve na casa do senador, em Brasília, durante um “costelão” (churrasco de costela). Os dois também já se encontraram no Senado.



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