POLÍTICA

PF pede ao STF abertura de terceiro inquérito contra Lulinha e defesa diz que ele pode vir ao Brasil para depor

3 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Procedimento apura a ocorrência do crime de tráfico de influência

Lulinha – Foto: reprodução / Redes Sociais

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), para investigar a suposta ocorrência do crime de tráfico de influência. Ainda não há informação sobre quem é o relator do caso.

Outros dois pedidos de investigação – também por tráfico de influência – caíram por sorteio com o ministro do STF André Mendonça, que decidiu instaurar os procedimentos.

A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e diz que ele está à disposição para depor à Justiça brasileira caso seja necessário. O filho do presidente mora atualmente em Madri, na Espanha. Ele pode vir depor “caso seja necessário”, disse o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que é amigo e defensor de Lulinha.

O advogado disse ainda ver com estranheza a existência de um terceiro inquérito sobre o mesmo crime e sugeriu que há uma perseguição contra Lulinha em curso que tem com objetivo atingir o presidente da República, que disputa a reeleição neste ano. Marco Aurélio disse que se reunirá com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, nesta segunda-feira para tratar da questão das três investigações.

O advogado criticou o vazamento das informações sobre as investigações, dizendo que eles “lembram” o período da Operação Lava Jato.

O objeto dessa terceira investigação ainda não foi divulgado. Os outros dois inquéritos tratam da relação de Lulinha com pessoas que buscavam contratos no Ministério da Saúde e no Dataprev, empresa pública de tecnologia responsável pela base de dados do INSS. Entre esses interlocutores estava Antônio Camilo Antunes, o “careca do INSS”, empresário suspeito de operacionalizar o desvio de recursos de aposentados e pensionistas.

A PF levantou informações de que Lulinha fez uma viagem a Europa bancada por Antunes no fim de 2024 – portanto, antes de ele virar alvo das investigações da PF sobre as fraudes no INSS. Naquela época, Antunes era dono de uma empresa que fornecia medicamentos à base de cannabis e estava tentando fechar contratos com o poder público. Os investigadores levantaram provas do relacionamento entre os dois, mas não viram conexões com o caso do INSS – por isso, pediram uma apuração à parte.

Sobre essas apurações, o advogado Marco Aurélio chamou os pedidos da PF como “pirotecnia” e tentativa ilegal de fazer uma “pesca probatória” — uma investigação genérica sem foco específico.

— É mais do mesmo. A Polícia Federal está adotando a estratégia da tentativa e erro. “Não achei aqui, vou tentar ali”. É a chamada “melhor de três”, isso é pirotecnia, é pesca probatória. Ninguém quer que o Fábio esteja acima da lei, mas não podemos permitir que ele esteja abaixo dela” — afirmou ele.

A defesa do careca do INSS diz que não vai se manifestar sobre o caso, porque ainda não teve acesso a nenhum auto sobre as novas investigações e ficou sabendo da informação pela imprensa.


BS20260803181006.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/08/03/pf-pede-ao-stf-abertura-de-terceira-inquerito-contra-lulinha-e-defesa-diz-que-ele-pode-vir-ao-brasil-para-depor.ghtml

Artigos Relacionados