
Pivô de crise no bolsonarismo, Ciro Gomes diz estar ‘honrado’ com formalização de apoio do PL no Ceará
Embate na legenda posicionou publicamente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro contra o presidenciável Flávio Bolsonaro

Aliada de ex-primeira-dama afirma que deixou de ser opção para a chapa majoritária

Pivô da crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Priscila Costa (PL-CE) será candidata a deputada federal nas eleições deste ano. A decisão foi sacramentada em uma reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, encerrando as articulações para que a aliada de Michelle disputasse uma vaga ao Senado pelo Ceará.
Ao GLOBO, Priscila atribuiu a mudança de planos à saída de Michelle da legenda, esvaziando as articulações que a ex-primeira-dama fazia por suas aliadas.
Segundo ela, sua candidatura ao Senado perdeu força depois que Michelle deixou a presidência nacional do PL Mulher e se afastou das principais articulações partidárias.
— Quando Michelle saiu do PL Mulher eu enfrentei dificuldades maiores ainda. Isso é um impacto da ausência da Michelle no PL nacional, longe das tomadas de decisões — afirmou.
A declaração ocorre após o estopim da crise entre Michelle e Flávio, desencadeada por uma disputa em torno da estratégia eleitoral do partido e do palanque no Ceará.
À época, Priscila foi um dos principais focos do embate. Aliada da ex-primeira-dama, ela era defendida por Michelle para disputar uma das vagas ao Senado pelo estado, enquanto o grupo ligado ao deputado federal André Fernandes (PL-CE) trabalhava por outra composição junto a aliados de Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo cearense.
Segundo Priscila, a definição da chapa acabou consolidando a preferência da direção partidária por Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes, para disputar o Senado. Seu nome foi oficialmente lançado em evento no estado que contou com a presença de Flávio.
— Fui impedida pelo partido de disputar o Senado por causa da composição feita no Ceará — disse.
Além de perder espaço na chapa majoritária, a vereadora também foi retirada da Secretaria-Geral do PL Ceará. Na nova composição do diretório estadual, ela passou a ocupar apenas a função de vogal, deixando o núcleo executivo responsável pela condução política cotidiana do partido no estado. Nos bastidores, aliados afirmam que a mudança reduziu sua participação nas principais decisões da legenda no Ceará.
Apesar das críticas à condução interna do partido, Priscila nega qualquer rompimento com Flávio e afirma que continuará apoiando sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.
— Meu apoio ao Flávio sempre existiu e vai continuar existindo. Mas o maior apoio ao meu nome sempre veio da Michelle. Ela defendia minha candidatura ao Senado — afirmou.
A mudança no destino eleitoral de Priscila é vista por aliados de Michelle como um dos primeiros efeitos concretos da redução da influência da ex-primeira-dama nas decisões nacionais do PL. Embora continue sendo uma das principais lideranças do bolsonarismo e mantenha interlocução frequente com dirigentes da legenda, Michelle deixou o comando do PL Mulher depois de ter divulgado um vídeo dizendo que havia sido maltratada pelo enteado.
Consequentemente, ela também reduziu sua participação nas articulações internas nos últimos meses, período em que também concentrou sua atuação nos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

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