PL adia convenção em Minas e cogita realizar encontro sem definir candidato ao governo, prolongando o impasse de Flávio no estado
21 de julho, 2026
| Por: Agência O Globo
Partido transferiu reunião para o dia 27 enquanto aguarda decisão de Cleitinho; direção do PL admite homologar apenas candidaturas proporcionais e deixar a chapa majoritária para o fim do prazo
Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução
Já iniciado o período das convenções partidárias, o PL ainda não conseguiu resolver um dos principais impasses da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): o palanque em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Diante da indefinição sobre uma eventual candidatura do senador Cleitinho (Republicanos) ao governo estadual, a legenda adiou a convenção mineira. Inicialmente prevista para esta quinta-feira, a reunião ficou para a próxima segunda-feira, dia 27, e a legenda já admite internamente realizar o encontro sem homologar um candidato ao Palácio Tiradentes.
Integrantes da Executiva estadual do PL afirmam que a prioridade da legenda continua sendo convencer Cleitinho a disputar o governo.
Neste contexto, o partido passou a trabalhar com a possibilidade de homologar apenas as candidaturas proporcionais na convenção e deixar a definição da chapa majoritária para o limite do prazo, que expira em cinco de agosto.
Segundo dirigentes da legenda, a decisão também leva em consideração o momento pessoal vivido pelo senador. No último sábado, Cleitinho perdeu o irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia. Desde então, interlocutores afirmam que o parlamentar não vem sendo pressionado a tomar uma decisão sobre a candidatura e que o partido pretende respeitar o período de luto. A interlocutores, o parlamentar tem dito estar “sem cabeça” para a política.
A indefinição em Minas se transformou em um dos principais desafios da campanha de Flávio na reta final de montagem dos palanques estaduais. Desde o início das negociações entre PL e Republicanos, o estado passou a ser tratado como estratégico por concentrar o segundo maior eleitorado do país. A aposta do partido era construir uma chapa encabeçada por Cleitinho, hoje líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo mineiro.
Nas últimas semanas, porém, o PL passou a discutir alternativas diante dos sinais de que o senador poderia desistir da disputa. Em maio, dirigentes da legenda apresentaram ao presidente do Republicanos, Marcos Pereira, diferentes cenários para Minas. Um deles previa Cleitinho candidato ao governo tendo o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), como vice. Outro colocava Roscoe na cabeça da chapa, com um nome indicado pelo Republicanos para a vice. Mais recentemente, o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli também passou a ser tratado como alternativa caso o senador decida não concorrer.
A indefinição contrasta com o cenário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas. Nesta semana, o PT confirmou a candidatura do deputado federal Patrus Ananias ao governo do estado, encerrando meses de negociações e garantindo o palanque do petista.
O impasse em Minas Gerais reflete uma dificuldade mais ampla enfrentada por PL e Republicanos na montagem dos palanques estaduais para as eleições. Embora o PL trabalhe para consolidar uma aliança nacional em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, o acordo ainda esbarra em negociações regionais consideradas estratégicas. Além de Minas, onde o partido aguarda uma definição de Cleitinho para fechar o palanque, as duas legendas divergem em Mato Grosso, onde o Republicanos condiciona a aliança ao apoio do PL ao vice-governador Otaviano Pivetta, o que exigiria a retirada da candidatura do senador Wellington Fagundes (PL). Em Roraima, as siglas também ainda não chegaram a um entendimento sobre a composição da chapa ao governo. Enquanto esses impasses permanecem sem solução, a aliança nacional segue dependendo do desfecho das negociações nos estados.