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Integrantes do PT reconhecem que o episódio será usado pela oposição para atacar Lula nas eleições

Integrantes do Palácio do Planalto admitem constrangimento com o empréstimo que a empresária Roberta Luchsinger fez ao ex-chefe de gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e aliados cobram que o ex-auxiliar do presidente mostre os comprovantes dessa transação.
A transferência financeira feita por Roberta, que foi alvo da Polícia Federal sob suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS, está sendo investigada pela PF. Ela é apontada nas investigações como lobista e é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Marcola, em nota, confirmou que recebeu os valores, sem especificar quanto, na forma de um empréstimo que teria sido posteriormente quitado.
Integrantes do PT reconhecem que o episódio será usado pela oposição para atacar Lula nas eleições, mas minimizam o impacto que o caso terá para o resultado do pleito. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente nas eleições, gravou um vídeo atacando o petista na noite de segunda-feira, horas após a transferência financeira ter sido revelada pelo portal Poder360.
Aliados de Lula afirmam que haverá um desgaste, mas que é possível contorná-lo. Para evitar que o caso cresça junto à opinião pública, defendem que Marcola esclareça todo o episódio. A avaliação é que o tema da corrupção ainda afeta a imagem do governo Lula e que é preciso afastar qualquer relação do tema com o próprio petista. Além disso, ressaltam que o presidente tem afirmado em seus discursos que defende a autonomia da Polícia Federal nas investigações, “doa a quem doer”, o que deverá ser mantido pelo petista.
A informação sobre a transação financeira foi motivo de conversas reservadas entre petistas na convenção que oficializou a candidatura de Lula no fim de semana, em São Paulo. Um político afirma que o episódio foi lamentando e que houve ali uma cobrança para que o caso fosse esclarecido. Apesar disso, descartam qualquer ataque de Lula ao ex-auxiliar, e falam na lealdade e atuação dele junto ao petista nos últimos anos. Aos 40 anos, Marcola é um dos auxiliares mais jovens de Lula e manteve forte relação com o petista na última década, com acesso ao presidente em momentos privados e atento inclusive aos hábitos do petista.
Cuida da agenda do presidente desde a época do Instituto Lula, onde ingressou em 2015. Foi um dos coordenadores executivos da caravana de Lula pelo Brasil em 2017 e mudou-se para Curitiba quando o presidente esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, entre 2018 e 2019. No fim de julho, deixou a chefia de gabinete de Lula para integrar a pré-campanha de Lula à reeleição, onde cuidará da agenda do petista, ao lado do ex-ministro Gilberto Carvalho.

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