POLÍTICA

Polícia Civil do DF marca audiência para ouvir Bolsonaro sobre pistola apreendida em blitz

19 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Arma registrada em nome do ex-presidente foi apreendida com sargento do GSI durante blitz do bafômetro no início da semana

Jair Bolsonaro, durante julgamento de trama golpista no Supremo — Foto: Gustavo Moreno/STF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) que marcou para o próximo dia 24 uma audiência por videoconferência com o ex-presidente Jair Bolsonaro a respeito de uma arma vinculada a ele apreendida numa blitz no início da semana. Um inquérito foi aberto após a apreensão de uma pistola que estava sob responsabilidade da equipe de segurança do ex-presidente.

Segundo a PCDF, as informações produzidas no inquérito serão compartilhadas com o gabinete de Moraes. Conforme o boletim de ocorrência, a arma foi recolhida porque não havia sido apresentada a documentação necessária para o porte. O registro aponta que o sargento responsável não portava o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento obrigatório para comprovar a regularidade do armamento. Diante da ausência do certificado, a pistola foi apreendida.

No boletim de ocorrência, Bolsonaro aparece na condição de “envolvido” no caso. Em documento enviado ao STF, a Polícia Civil informou que pretende ouvir o ex-presidente, que está em prisão domiciliar temporária, por videoconferência. O pedido foi encaminhado diretamente a Moraes em razão das medidas cautelares impostas ao ex-presidente pelo Supremo.

A corporação também relatou dificuldades para realizar a intimação pessoal de Bolsonaro. No documento apresentado ao Supremo, o delegado Thiago Boeing Schemes da Silva, da 17ª Delegacia de Polícia, diz que a diligência não pôde ser concluída porque a equipe de escolta responsável por Bolsonaro não permitiu o cumprimento do ato.

“A tentativa de cumprimento da intimação pessoal restou infrutífera, uma vez que a equipe de escolta responsável não permitiu a efetivação do ato, impossibilitando a ciência pessoal do intimando”, afirmou o delegado no ofício encaminhado ao STF.

Diante disso, a Polícia Civil solicitou que Moraes autorize formalmente a realização da audiência e determine a intimação do ex-presidente para participar da oitiva marcada para o dia 24.

Nesta quarta-feira, a defesa de Bolsonaro negou ao STF haver irregularidades na posse da pistola que foi apreendida durante blitz do bafômetro no início da semana. Segundo os advogados, a posse da arma era regular e, apesar da condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de estado em 2022, não foi determinada a entrega de armas ou o cancelamento de registros em nome do ex-presidente.

“Bolsonaro, portanto, não se encontrava em situação irregular”, sustentaram os advogados após uma cobrança do ministro Alexandre de Moraes. Eles alegaram ainda que o ex-chefe do Executivo “teria prontamente entregue o armamento” caso houvesse determinação do Supremo.

Ainda de acordo com a defesa do ex-chefe do Executivo, a equipe de segurança de Bolsonaro, sem o conhecimento do ex-presidente, retirou o percussor da pistola e a deixou “inoperante”, em razão das medicações psiquiátricas que estavam sendo ministradas a ele. O argumento tem relação com a versão do sargento com quem a arma foi apreendida, durante a abordagem de fiscalização da lei seca, no início da semana. Este sustentou que estava com a arma para fazer um reparo.


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