
‘Nunca fui esquerdista’, diz Lula a presidente do FMI durante reunião do G7
Conversa informal foi flagrada pela transmissão do evento, que acontece na França

PF reúne episódios que considera evidências da continuidade das atividades do grupo e do risco de interferência na apuração

Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro e tornadas públicas nesta terça-feira reforçam um dos principais argumentos utilizados pela Polícia Federal e pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para manter o empresário preso nas investigações do caso Master. Trata-se da existência de uma estrutura paralela voltada à obtenção de informações sigilosas, intimidação de adversários e interferência em investigações.
Os novos documentos descrevem a atuação de grupos coordenados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela PF como operador de uma rede que reunia policiais federais, hackers e produtores de conteúdo. Segundo os investigadores, a estrutura atuava em favor dos interesses de Vorcaro e de empresas ligadas ao Banco Master.
A divulgação do material ocorre em meio à rejeição da segunda proposta de delação de Vorcaro, tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o que gera indefinição sobre qual deve ser o futuro prisional do ex-banqueiro, que hoje está na superintendência da corporação, em Brasília A PF pediu a transferência dele para a penitenciária federal, e caberá ao ministro.
Além disso, Vorcaro viu uma das possíveis frentes de contestação no STF sofrer novo revés nesta terça-feira, quando a Segunda Turma manteve a prisão de seu pai, Henrique, e seu primo, Felipe, por entender que havia riscos concretos de obstrução de justiça caso fossem colocados em prisão domiciliar ou que tivessem a soltura decretada. No julgamento, Mendonça conseguiu convencer os demais colegas que ainda há um longo percurso de investigação por parte da PF o que, portanto, não mudaria a situação para Vorcaro, agora sem poder contar com os benefícios da colaboração.
Nos documentos, a PF reúne episódios que considera evidências da continuidade das atividades do grupo e do risco de interferência na apuração. Em uma das frentes, os investigadores afirmam que integrantes da chamada “Turma” realizavam levantamentos sobre inquéritos policiais e processos judiciais, inclusive sigilosos, além de consultas a sistemas restritos e monitoramento de pessoas consideradas de interesse do empresário.
As mensagens também descrevem a atuação de um núcleo identificado como “Os Meninos”, formado por hackers que, segundo a PF, seriam responsáveis por invadir contas e perfis na internet, obter senhas, remover conteúdos considerados prejudiciais a Vorcaro e impulsionar publicações favoráveis ao grupo empresarial.
Os investigadores afirmam ainda que os grupos recebiam pagamentos mensais intermediados por Mourão. Segundo a PF, havia uma divisão estruturada de tarefas e recursos entre os diferentes núcleos, o que demonstraria atuação permanente e organizada.
Os elementos se somam a outros episódios já citados pela Polícia Federal ao longo da investigação. Entre eles estão relatos de supostas ações para pressionar autoridades, monitorar alvos de interesse, produzir dossiês e obter informações protegidas por sigilo. Em decisões anteriores, Mendonça apontou que a liberdade de Vorcaro poderia representar risco concreto à instrução processual diante da possibilidade de rearticulação dessa estrutura.
Ao justificar a manutenção da prisão preventiva, a PF tem sustentado que a organização não se limitava à prática de crimes financeiros, mas possuía capacidade de mobilizar agentes para influenciar testemunhas, intimidar desafetos e acessar informações estratégicas. A avaliação dos investigadores é que parte dessa estrutura permaneceu ativa mesmo após o avanço das operações policiais.
A defesa de Vorcaro nega irregularidades e sustenta que o empresário é alvo de uma investigação baseada em interpretações equivocadas de mensagens e relações profissionais legítimas.
Diálogos interceptados pela PF, porém, apontam que o ex-controlador do Banco Master planejou uma emboscada, por exemplo, com ‘droga’ para se vingar do DJ e ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly. O plano começou a ser executado pela chamada “Turma”.
Rony Seikaly jogou na NBA de 1988 a 1999. Ele teve um relacionamento com Martha Graeff, com quem tem uma filha. À época das mensagens, Graeff estava em um relacionamento com Vorcaro.
Vorcaro chegou a cogitar uma emboscada com drogas contra Seikaly, e citou pressão da polícia e da milícia. Os integrantes da Turma, usando o login de uma servidora do Ministério Público Federal, chegaram a produzir um ofício falso à Interpol para buscar informações sobre Seikaly.
BS20260617030036.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/17/pressao-da-interpol-emboscada-com-drogas-e-ataque-hacker-as-provas-que-mantem-vorcaro-preso.ghtml

Conversa informal foi flagrada pela transmissão do evento, que acontece na França

Grupo, formado por policiais federais, operadores do jogo do bicho e integrantes com perfil paramilitar, é apontado pela PF como responsável por ameaçar desafetos de Vorcaro

Partido prevê utilizar o limite de despesas a ser estabelecido pelo TSE na campanha à reeleição do petista

Análise da comunicação financeira 'corrobora' para a hipótese de vantagem indevida, diz PF
