BRASÍLIA

Projeto incentiva adoção de animais por escolas públicas

22 de janeiro, 2026 | Por: Agência Brasília

Portaria consolida unidades escolares como espaços de proteção animal

Muito além do ensino curricular, a escola é espaço fundamental para a transformação social e a formação de valores humanos. Reforçando esse compromisso, a assinatura da portaria conjunta, entre a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e a Secretaria Extraordinária de Proteção Animal (Sepan-DF), institui o projeto Pet ConVivência e estrutura a presença de animais nas unidades escolares como uma prática pedagógica segura e orientada.

O evento realizado na terça-feira (20) reuniu diretores de 58 escolas da rede pública que já convivem com pets nas respectivas unidades escolares, evidenciando que a presença de animais neste ambiente é uma realidade consolidada e, agora, reconhecida institucionalmente como ferramenta pedagógica.

Com a presença dos pets nas escolas, as crianças poderão trabalhar valores como empatia e respeito à vida | Fotos: Felipe de Noronha/SEEDF

O Pet ConVivência propõe integrar os animais comunitários ao cotidiano escolar, fortalecendo valores essenciais à formação integral dos estudantes, como empatia, responsabilidade, respeito à vida e convivência ética. A iniciativa vai além do cuidado animal, utilizando essa convivência como estratégia para o desenvolvimento de competências socioemocionais e para a formação cidadã.

Os estudantes deixam de ser apenas receptores de conteúdo e passam a ser cuidadores ativos. Esse papel desenvolve a empatia e o senso de responsabilidade, uma vez que compreendem que aquele ser vivo depende da coletividade para estar bem. O resultado é um ambiente escolar mais humanizado, onde o cuidado com a vida torna-se o principal eixo da formação cidadã.

Ganhos percebidos na prática 

As experiências já vividas pelas escolas demonstram os impactos positivos da iniciativa. Milla, pet adotada pela Escola Classe (EC) 10 do Gama, reverbera o sucesso da ideia, surgida a partir de uma demanda interna da escola e evidenciando a necessidade de orientar e estruturar a convivência com animais no ambiente escolar. 

A diretora da EC 10 do Gama, Edna Silva, afirma que a convivência com a cadela Milla transformou a rotina da unidade escolar

Para a diretora da unidade, Edna Silva, o projeto trouxe ganhos significativos para o cotidiano escolar. “É um projeto que deu supercerto. Adotamos a Milla e ela foi um ganho muito grande para a nossa escola. Vimos um lado muito positivo, principalmente com alunos especiais. Os alunos adquiriram essa consciência do cuidado”, relatou.

O projeto proporciona, ainda, uma integração entre o bem-estar animal e a educação inclusiva. No ambiente escolar, os pets atuam como reguladores emocionais, especialmente para estudantes com transtorno do espectro autista (TEA). O contato com o animal funciona como uma âncora sensorial, reduzindo níveis de ansiedade e auxiliando na organização interna do aluno em momentos de sobrecarga.

Essa transformação é visível no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 02 da Estrutural, como relata a diretora Juliana Gomes de Assunção. “Temos hoje a Melissa, um pet de apoio aos autistas e às crianças em geral. Quando o estudante se desregula, ele chega próximo da gata e vai se acalmando, o que nos possibilita retomar o diálogo e a aprendizagem”, explica. Além do suporte pedagógico, a iniciativa foca em animais que enfrentam barreiras para adoção, como os de pelagem preta ou idosos, utilizando essa convivência para combater preconceitos e promover a empatia desde cedo.

Acolhimento universal

Os secretários Cristiano Cunha, de Proteção Animal, e Hélvia Paranaguá, da Educação, comemoraram a parceria entre as pastas

O projeto também chama a atenção para uma realidade muitas vezes invisibilizada: o abandono animal e suas causas estruturais. Diante dos desafios do Distrito Federal com a superpopulação de cães e gatos, a escola torna-se um espaço estratégico de sensibilização para estudantes, famílias e a comunidade local, contribuindo para a ruptura desse ciclo.

Para o secretário de Proteção Animal, Cristiano Cunha, interromper o abandono exige o envolvimento de todos. “Cães e gatos foram para as ruas por ação ou omissão da própria sociedade. Envolver a escola nesse processo é compreender que essa é uma responsabilidade coletiva. A escola não é apenas uma instituição da comunidade, mas um de seus principais agentes transformadores”, destacou.

O CEF 02 da Estrutural é um dos grandes exemplos de como o Projeto Pet ConVivência pode ressignificar realidades. A implantação de um gatil estruturado permitiu que a escola liderasse uma mudança de mentalidade na região, promovendo o acolhimento desses animais e consolidando uma nova cultura de cuidado que envolve estudantes, famílias e moradores.

“Hoje, nossas crianças educam suas famílias em casa”Juliana Gomes, gestora do CEF 02 da Estrutural

“Quando cheguei à escola, me deparei com gatos sendo jogados lá dentro. As crianças não sabiam lidar com eles. Então começamos a trabalhar que os gatos são seres que merecem cuidado e respeito. Hoje, nossas crianças educam suas famílias em casa”, afirma Juliana Gomes, gestora da unidade precursora da ação. 

Para ampliar o incentivo à adoção e acolhimento de animais pelas escolas, a SEEDF planeja o aporte de recursos específicos. Durante a oficialização da parceria, a secretária de Educação do DF, Hélvia Paranaguá, anunciou medidas para garantir o bem-estar dos animais adotados pelas escolas da rede.

“Vamos propor uma bonificação do PDAF [Programa de Descentralização Administrativa e Financeira] para as escolas que aderirem ao projeto. Esse recurso extra servirá para apoiar as escolas no cuidado a esses animais, como a compra de ração e a construção de estruturas de acolhimento”, afirmou a secretária. Hélvia reforçou, ainda, que os animais são referência de amor e carinho e que a escola deve ser um reflexo desse cuidado.

*Com informações das secretaria de Educação e de Proteção Animal

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