
Sesc Cultural lança projeto ‘Arte na Educação’ com laboratório pedagógico para docentes
Encontro que aconteceu, no dia 19 de setembro, reuniu 14 professores de diversas áreas para construção de projetos pedagógicos
Iniciativa do Governo do Distrito Federal é uma parceria entre a Secretaria de Educação e o Instituto Latinoamerica que leva atividades educativas e livros a escolas públicas da capital
| Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
“Ei, me diz aí, o que é paz para você? É brincar, ser feliz e deixar o mundo florescer. É ouvir o coração, saber compartilhar. Paz é uma energia que só quer multiplicar.” A estrofe do rap criado pelo produtor musical Ângelo Augusto Fonseca foi cantada em uníssono por cerca de 50 estudantes do 4º e 5º ano da Escola Classe Colônia Agrícola Vicente Pires, na manhã desta quarta-feira (17). Eles participaram de uma oficina de hip-hop que integra o Projeto Cultura de Paz, do Governo do Distrito Federal (GDF).
Parceria entre a Secretaria de Educação e o Instituto Latinoamerica, a iniciativa foi idealizada pelas educadoras e escritoras Débora Bianca e Lair Franca. O projeto promove atividades educativas e distribui livros em escolas públicas do DF. As ações incluem prevenção ao bullying, palestras, oficinas para professores e alunos, debates e atividades culturais. Na EC Colônia Agrícola Vicente Pires, por exemplo, já foram entregues 100 livros, além da apresentação do mascote Pazito, o passarinho da palavra.
Responsável pela oficina, Fonseca destaca que o rap apresentado aos alunos foi composto especialmente para o projeto. Ele explica que o gênero foi escolhido pelo potencial de engajamento. “O hip-hop salvou a minha vida e pode transformar outras. É uma forma de dar voz a quem muitas vezes não é ouvido. Ver as crianças cantando e assimilando o refrão mostra que a música é uma ferramenta poderosa para ensinar valores”, conclui.
De acordo com a chefe da Assessoria Especial pela Paz nas Escolas (AECP), Ana Beatriz Goldstein, o projeto foi viabilizado com recursos de emenda parlamentar da deputada federal Paula Belmonte. “O objetivo é que essa construção da convivência pacífica no ambiente escolar seja feita desde cedo, nas escolas que atendem as séries iniciais.” Segundo ela, a proposta é iniciar de forma lúdica para estimular valores como respeito e empatia entre as crianças.
A diretora da unidade, Karine Lopes Gonçalves, avaliou que a ação tem mostrado resultados desde os três primeiros encontros, anteriores à oficina desta quarta. “Eles cantam as músicas, procuram pelos livros na sala de leitura e levam para ler em casa. A gente percebe uma tranquilidade maior, um sentimento de pertencimento e de valorização do trabalho. O impacto é visível no comportamento, com mais respeito às diferenças e menos conflitos”, comemora.
Para os alunos, a oficina reforçou aprendizados sobre convivência. Para a aluna do 4º ano Ana Elizabeth Castro, de 9 anos, a oficina reforçou a importância de respeitar as diferenças. “Eu já pensava assim, mas aprendi mais agora. Não é legal colocar apelido porque as pessoas ficam tristes”, observa. O colega Bento Rafael Lira, também do 4º ano, diz que aprendeu que ajudar o próximo é parte da convivência. “Respeitar, dividir o lanche e ajudar no dever faz a gente se sentir bem e cria respeito entre todos”, pontua.
O presidente do Instituto Latinoamerica, Atanagildo Brandolt, explica que o projeto foi estruturado para ter continuidade, com visitas recorrentes às escolas. “A cultura de paz não se constrói com um ato ou decreto. É uma prática diária. Nosso objetivo é sensibilizar crianças, professores e famílias para que o bullying e outras formas de agressão não sejam normalizadas no ambiente escolar”, destaca.
Idealizadora da iniciativa, a escritora e ex-servidora da Secretaria de Educação, Lair Franca, ressalta que a proposta surgiu da experiência em sala de aula. “Trabalhamos primeiro com os professores, para que a mensagem tenha continuidade. A paz não é só ausência de briga. É respeito, cuidado com o ambiente, com os animais, com o outro. São sementes plantadas nas séries iniciais que vão preparar os estudantes para a adolescência”, afirma.

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