POLÍTICA

PT em Goiás mantém Luis Cesar Bueno ao governo após deputada preferida por Lula recusar ser candidata

14 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Decisão foi ratificada em reunião da executiva estadual; na semana passada, em encontro em Brasília, presidente afirmou ter preferência por Adriana Accorsi

Lula recebe vereadora Aava Santiago (PSB) e deputada federal Delegada Adriana Accorsi (PT) — Foto: Ricardo Stuckert / PR

O diretório do PT em Goiás decidiu manter a pré-candidatura do ex-deputado Luis Cesar Bueno ao governo do estado. A decisão ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se reunido em Brasília, na semana passada, com a deputada federal Adriana Accorsi (PT). Na ocasião, ele pediu para a parlamentar, que preside o núcleo local, ser o nome do partido para o Palácio das Esmeraldas, o que acabou sendo recusado.

A executiva goiana realizou uma reunião nesta segunda-feira. Ao GLOBO, Bueno afirmou que a orientação é que ele continue atuando normalmente em suas atividades de pré-campanha enquanto aguardam a ratificação do comando nacional e do presidente do PT, Edinho Silva. A convenção partidária estadual está prevista para o dia 4 de agosto.

Na quarta-feira passada, Lula se reuniu com Adriana e Edinho, além do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a vereadora Aava Santiago (PSB). O objetivo foi destravar seu palanque no estado, um dos únicos que ainda não possui uma chapa majoritária definida. Como mostrou reportagem do GLOBO, a demora foi criticada por membros do partido e de siglas aliadas.

Além de destacar ter preferência por Adriana ao governo, Lula também indicou que gostaria de ter Aava como candidata ao Senado. De acordo com a vereadora, apesar das sugestões, Lula “fez questão de repetir” que não faria pressões para que ambas — que desejam concorrer à Câmara dos Deputados — aceitassem a empreitada.

Após optar pela manutenção de Bueno, o núcleo local deliberou que irá enviar uma comitiva para abordar o assunto com Edinho, numa tentativa de tratar a decisão como uma construção coletiva. No mês passado, entre membros do campo político, havia a percepção de que a indefinição poderia prejudicar o projeto de reeleição de Lula devido à dificuldade de recuperar o tempo perdido frente a outras pré-candidaturas já consolidadas.

No campo adversário, o governador Daniel Vilela (MDB) assumiu o comando do estado no fim de março e herdou a popularidade e alta aprovação da gestão de Ronaldo Caiado (PSD), que deixou o cargo para concorrer à Presidência. Ao contrário da esquerda, a base governista enfrenta uma profusão de pré-candidaturas ao Senado com o endosso do ex-governador.

Uma das razões para o PT postergar a decisão foi a espera pelo ex-governador Marconi Perillo (PSDB). O partido procurou o adversário histórico, que é pré-candidato ao governo, para firmar uma aliança a partir do entendimento de que, no cenário atual, ele representa uma opção mais ao centro. A movimentação, porém, foi frustrada.

Reunião no Planalto

Aava afirmou que, no encontro em Brasília, Lula “externou que a vontade dele é que Adriana Accorsi e eu tivéssemos no palanque majoritário”. Apesar de em nenhum momento ter convidado ela diretamente para essa disputa, disse que “esse seria o palanque que ele considera ideal”.

— Ele fez questão de repetir que ele jamais nos pressionaria. Que era para a gente pensar sobre isso, para a gente refletir, que não precisava dar nenhuma resposta hoje. Mas que a partir do momento em que se a gente se decidisse para a construção desse lugar, que é o almejado por ele, que ele nos daria todas as ferramentas para ocupá-lo — afirmou.

Segundo a vereadora, Lula deixou claro que a decisão caberia às duas lideranças. Ele também “acolheu com muita ternura e entusiasmo” a fala dela sobre o desejo de construir uma candidatura à Câmara e ajudar o seu partido, o PSB, a eleger parlamentares no estado.

Ela afirmou ainda que Lula se comprometeu a entregar uma pesquisa que mostrasse a viabilidade do nome delas na chapa majoritária “e a refletir sobre o que eu disse”. Ela mantém o desejo de concorrer à Câmara.

O PSB tem três nomes na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), assim como o PT, e busca conquistar cadeiras em Brasília, onde os petistas já contam com dois parlamentares.



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