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Partido fez encontro com segmento religioso na terça-feira, movimento semelhante ao realizado com evangélicos no início de junho

O Partido dos Trabalhadores (PT) organizou encontro com católicos nesta terça-feira, num novo gesto de aproximação da sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao segmento religioso. A expectativa é que seja divulgada uma carta nesta quarta que deve ter pontos incorporados ao programa de governo da campanha de reeleição de Lula.
O voto do segmento religioso é disputado pelas campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e oposicionistas do presidente buscam usar a pauta de costumes para atacar o governo e seus aliados.
O encontro desta terça ocorreu dias após uma reunião organizada pelo PT com evangélicos, no último dia 8 de junho. O coordenador nacional do setor inter-religioso da sigla, Gutierres Barbosa, nega que haja um interesse eleitoreiro do partido nesse movimento e afirma que a história do PT “se confunde com a própria história dos movimentos progressistas dos segmentos religiosos no Brasil”.
— Não é um roteiro eleitoral, é de defesa da democracia, daqueles que mais precisam. Defesa da vida da forma mais ampla que a vida pode nos oferecer — afirmou.
Lula já falou mais de uma vez publicamente que é contra o que classifica como explorar a fé para fins eleitoreiros e rejeita participar de cerimônias religiosas como cultos. Apesar disso, desde o ano passado, o petista intensificou acenos aos religiosos, com encontros com essas lideranças e menções em seus discursos.
A primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, também tem atuado no diálogo com o segmento religioso. No encontro desta terça, Janja gravou um vídeo que foi exibido aos participantes. Segundo publicação no site do PT, a primeira-dama fez menção à contribuição da igreja católica no dia a dia das pessoas em sua fala.
— Mulheres e homens católicos seguem trabalhando incansavelmente, cuidando das pessoas mais vulneráveis, visitando os doentes, atuando na saúde, na educação e na assistência social, colocando em prática as palavras de Jesus — disse Janja.
Gutierres Barbosa afirma que a carta que será divulgada deverá reforçar as políticas sociais do governo Lula 3, além da defesa da soberania e da democracia brasileira. Ele também disse que um dos pontos do texto será a defesa do fim da jornada de trabalho 6×1 e da tarifa zero do transporte público. O coordenador do setorial do PT afirma ainda que é preciso fazer a defesa do estado laico.
Ele afirmou também que o debate sobre aborto está “superado” no PT. O tema é usado frequentemente por oposicionistas para desgastar o PT e o próprio Lula.
— Isso está superado dentro do PT. Não estamos nem tratando disso dentro do PT e não é porque estamos ocultando nada, todos os temas precisam ser dialogados e conversados, numa sociedade democrática você ouve quem é a favor e quem é contra. Eu diria que esse tema está muito superado dentro do PT e é por isso que ele não aparece em nenhuma discussão, [não aparece nas] plenárias de mulheres, das comunidades LGBT, da juventude. Está superado porque nós estamos preocupados com o nosso país, tem muita coisa pra gente cuidar, nós pegamos um país destroçado. Vamos falar da vida? Vamos fazer um debate coerente com a sociedade: quem foi que defendeu a vida no período da pandemia? Nós defendemos a vacina, eles mataram 700 mil. Defender a vida é defender a vida plena, não é defender um tema. É defender a vida na sua plenitude — disse.
Em mais de uma ocasião, Lula declarou publicamente ser pessoalmente contra o aborto. Em 2022, durante a campanha à Presidência, gravou um vídeo e afirmou que não só ele era contra o aborto, como todas as mulheres com as quais casou também eram. Hoje, o aborto no Brasil é permitido em três hipóteses: quando a gravidez é resultante de estupro; quando há risco de morte para a mulher; e quando o feto for anencéfalo.
Gutierres Barbosa afirmou ainda que cerca de 86% dos filiados do PT são cristãos — católicos ou evangélicos — e que esse movimento de diálogo com o segmento religioso foi intensificado nos últimos anos diante do “avanço do conservadorismo no Brasil e do ódio”, além de ser necessário fazer frente à desinformação.
Segundo Barbosa, é “inconcebível” em um país democrático que “a campanha do ódio prevaleça a do amor, da paz e da justiça”.
— Já se confundia tanto a presença do PT dentro do meio religioso, que não tinha um trabalho voltado [ao segmento]. O PT foi constituído por uma base religiosa, então não precisava fazer esse trabalho tão específico. Mas, diante dos ataques, de tentativa de afastamento dessa base, é que nós reconhecemos isso e falamos: ‘temos que ter esse trabalho específico para fazer frente à desinformação’. Diziam que o PT ia fechar igrejas. Nunca tivemos isso. Onde está isso? Diziam que a gente ia distribuir kit gay, nós nunca fizemos isso. Não podemos ter no país uma direita que usa da mentira e da desinformação para tentar fazer a disputa eleitoral — afirmou.
Ele rejeitou, no entanto, que essa postura do partido vá de encontro com essa crítica que o próprio Lula faz de uso da religiosidade para fins políticos.
— Esse sentimento de misturar política e fé dentro das igrejas nós não vamos fazer. Vamos trazer as pessoas para o debate. Não podemos invadir os púlpitos como foi feito pela extrema-direita e transformar púlpito em palanque. Lula não vai se batizar nas águas do rio Jordão para fingir-se de crente. Lula é católico. Não vamos fazer nenhum movimento para agradar ninguém, só estamos demonstrando que o PT tem relação. Não precisamos forçar a barra como a direita pesou a mão invadindo os púlpitos para se fingir de evangélicos. Não precisamos disso — disse.
BS20260701063009.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/01/pt-promete-carta-a-catolicos-e-diz-que-debate-sobre-aborto-esta-superado.ghtml

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