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Presidente passou de 37% para 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto candidato do PL oscilou de 33% para 34%

As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) viram na pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira sinais para reforçar estratégias distintas nos seis dias finais antes do primeiro turno.
Enquanto o entorno do petista atribui a oscilação positiva do presidente às medidas anunciadas pelo governo nos últimos dias, como o reajuste no Bolsa Família, a distribuição de canetas emagrecedoras no SUS e o fim das bets no país, aliados de Flávio avaliam que a manutenção do empate numérico num eventual segundo turno mostra uma disputa ainda aberta e pretendem intensificar a ofensiva pelo voto útil e sobre eleitores que ainda não consolidaram a escolha.
Lula passou de 37% para 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio oscilou de 33% para 34%. A distância entre os dois passou de quatro para cinco pontos. Num eventual segundo turno, porém, os dois aparecem empatados numericamente, com 42%.
O pacote eleitoral de Lula nas últimas semanas é o principal ponto destacado por governistas para a melhora apresentada no levantamento, fazendo com que o petista deixasse a postura defensiva que a campanha vinha adotando em meio à crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) e ao crescimento de Flávio.
A poucos dias das eleições, o presidente anunciou medidas de alto apoio popular: a disponibilização de canetas emagrecedoras no SUS; o reajuste pela inflação do piso do benefício do Bolsa Família; e o fim das bets no país. A avaliação é que essas medidas atingem público que o petista vinha perdendo nos levantamentos do começo do mês (com beneficiários do Bolsa Família e mulheres) e se aproxima dos chamados indecisos.
A campanha calcula que foram oito dias de pautas positivas para Lula, frente a crise com a padroeira de Nossa Senhora Aparecida. O caso foi impulsionado nas redes sociais após um debate sobre um projeto de lei arquivado há quase 20 anos que tinha o objetivo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. E a revelação de que Flavio Bolsonaro viajou no avião do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no começo de 2025.
Um governista diz que essa onda de notícias positiva “estancou” o crescimento de Flávio e dá o tom para uma reta final da campanha com a equipe de Lula motivada e a do senador, na defensiva.
Esse interlocutor diz ainda que um fato sintomático do caso da padroeira é que o último final de semana antes do primeiro turno não teve um fato relevante nos cultos evangélicos, já que as lideranças religiosas tiveram de sair em defesa de Flávio e não atacar Lula. Além disso, aliados do presidente consideram como um erro do senador ter criticado publicamente a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Segundo a Quaest, no primeiro turno, Lula passou de 43% para 48% nas intenções de voto entre católicos na comparação com a pesquisa da semana passada. Já Flávio foi de 27% para 29% no período. No segmento evangélico, Lula subiu de 23% para 27%. O bolsonarista, por sua vez, recuou de 49% para 46%.
Ainda preocupa a campanha de Lula, no entanto, o índice de reprovação do governo, que é de 41%, frente a 34% de avaliação positiva, uma diferença de sete pontos. O secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, afirma que a expectativa é de que Lula siga numa tendência de crescimento até o primeiro turno:
— Até o início da última semana de campanha, um em cada quatro eleitores ainda não haviam escolhido espontaneamente um candidato. São nesses dias que a comparação entre trajetórias, biografias, trabalho, propostas e programas será feita. E, não temos dúvidas, nesse processo de comparação, de escolha racional, Lula é o melhor candidato e nossa tendência é crescer nessa chegada.
A leitura é contestada pela campanha de Flávio. Auxiliares do senador minimizam o impacto eleitoral dos anúncios feitos por Lula e argumentam que, mesmo após uma sequência de medidas de apelo popular, o presidente não conseguiu abrir vantagem numérica numa eventual disputa de segundo turno. Candidato a vice na chapa, Alfredo Gaspar (PL-AL) afirma que as iniciativas não alteraram o cenário eleitoral:
— O povo brasileiro cansou da enganação do Lula. Ele está desesperado e vai perder a eleição. Do uso de fake news a medidas eleitoreiras, nada tem surtido efeito.
Do lado do candidato do PL, a avaliação é que o resultado não muda a estratégia traçada para a última semana de campanha. A equipe do senador pretende intensificar o apelo pelo voto útil entre eleitores de outras candidaturas de direita e buscar quem ainda não consolidou a escolha. Auxiliares argumentam que, a poucos dias da votação, acontecimentos como o debate da TV Globo, na quinta-feira, ainda podem produzir movimentos positivos no eleitorado.
Um dos dados usados pela campanha para sustentar essa leitura está na diferença entre as pesquisas espontânea e estimulada. Quando os nomes dos candidatos são apresentados, os indecisos caíram de 8% para 5% em uma semana. Na pergunta espontânea, porém, 31% ainda não sabem em quem votar. Lula é citado por 31% e Flávio, por 27%.
A ofensiva pelo voto útil mira principalmente o eleitorado hoje distribuído entre outros candidatos mais à direita. Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) aparecem com 4% cada, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 1%. Juntos, somam 12% no cenário estimulado. A campanha vê nesse grupo uma das principais reservas de votos para Flávio e pretende reforçar nos últimos dias o argumento de antecipação para o primeiro turno de uma escolha que parte desses eleitores poderia fazer apenas numa eventual segunda etapa.
Aliados também trabalham com a hipótese de haver um “voto envergonhado” em Flávio que não estaria sendo captado integralmente pelas pesquisas e recorrem ao desempenho de Jair Bolsonaro em eleições anteriores para sustentar a tese. Em 2022, na véspera do segundo turno, as pesquisas colocavam Lula com 52% dos votos válidos e Bolsonaro com 48%. Nas urnas, a diferença foi menor: o petista venceu por 50,9% a 49,1%.
O principal sinal de alerta identificado pelo entorno de Flávio está no eleitorado católico, após a repercussão da informação falsa de que o candidato atuaria para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Na simulação de segundo turno, Lula passou de 46% para 50% nesse segmento em uma semana, enquanto Flávio permaneceu em 37%. A distância numérica entre os dois aumentou de nove para 13 pontos. A margem de erro entre católicos é de três pontos percentuais, o que impede atribuir a oscilação diretamente ao episódio, mas o movimento passou a ser acompanhado com atenção pela campanha.
Em outros segmentos considerados importantes, Flávio preservou vantagens. Entre evangélicos, aparece com 54%, ante 30% de Lula. Entre os que se identificam como de direita, mas não bolsonaristas, marca 85%, contra 7% do presidente. Já entre os independentes, os dois têm 36%.
BS20260928150328.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/28/quaest-campanha-de-lula-ve-efeito-positivo-de-medidas-do-governo-e-flavio-reforca-aposta-em-voto-util-e-indecisos-na-reta-final.ghtml

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