Quatro suítes e quadra de tênis: veja apartamento de luxo que Jaques Wagner teria recebido de Vorcaro
18 de junho, 2026
| Por: Agência O Globo
Investigação da Polícia Federal aponta ligação do senador e líder do governo do presidente Lula no caso Master; imóvel é avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões
Senador Jaques Wagner – Foto Lula Marques/ Agência Brasil
A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar o envolvimento do senador Jaques Waquer (PT-BA) no caso Master, aponta a suspeita de que o parlamentar teria recebido um apartamento de luxo em Salvador como forma de propina. A aquisição do imóvel teria sido viabilizada pelo banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e também alvo de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira.
Conforme antecipado pela colunista Malu Gaspar, do GLOBO, as investigações apontam que o apartamento foi avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões de reais. Segundo a PF, o imóvel seria uma das suítes do empreendimento Poéme Horto, localizado em uma área nobre a capital baiana e com previsão de ser entregue no segundo semestre deste ano.
A polícia afirma que, em novembro de 2024, Jaques Wagner encaminhou a Lima o contato do gerente da Moura Dubeux, construtora responsável pela obra, acompanhado pela mensagem: “a unidade é a (número) 1702, e o preço é 2,45 mi (milhões de reais)”. No mesmo dia, o banqueiro enviou as informações para Valério Marega, apontado como operador financeiro ligado ao Master. As tratativas foram mantidas mesmo após a deflagração da primeira fase da Compliance Zero.
Quatro suítes e duas unidades por andar
Os apartamentos do empreendimento citado possuem 173,18 m² ou 203,91 m², todos com quatro suítes e cinco banheiros. São duas unidades por andar distribuídas entre os 36 pavimentos, que inclui “hall exclusivo”.
Os apartamentos de 203,91 m² até o 17º andar contam com três vagas e depósito privativo, e, a partir do 18º andar, o número de vagas sobe para quatro. Já os de 173,18 m², independentemente do pavimento, possuem três vagas.
Os anúncios na internet descrevem “infraestrutura completa de lazer”, com piscina de raia semiolímpica, academia, salão de jogos, quadra de tênis e espaços para pets.
O bairro Horto Florestal é descrito nas vendas como “sinônimo de viver rodeado de verde e tranquilidade”. O empreendimento também é apontado como sustentável, com o uso de economizadores de energia, aproveitamento de águas pluviais e infraestrutura que suporta carregadores de carros elétricos.
Ao todo, são 72 unidades e 235 vagas de garagem distribuídas entre os mais de 3,2 mil km². Também há SPA aquecido, espaço para massagem e guarita de segurança blindada.
Entenda a operação
Um endereço ligado a Wagner foi alvo de busca e apreensão pela PF esta quinta-feira. Os agentes realizam a nona fase da Operação Compliance Zero, por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
O nome do senador já havia surgido no contexto do caso Master depois de ter sido revelado que a nora dele recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela.
Em nota, o senador disse que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”. A firma, por sua vez, nega irregularidades e diz que prestou serviços.
Saiba mais: Entenda as conexões entre o PT baiano e banqueiro investigado pelo escândalo do Master
Antes de ser alvo de operação, o senador afirmou que esteve duas vezes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e disse que achava “ótimo” caso ele resolvesse fazer um acordo de delação premiada, tentativa que acabou rejeitada pela PF e a Procuradoria-Geral da República.
Wagner vinha classificando o escândalo do Banco Master como uma “trambicagem”, negando qualquer envolvimento com as irregularidades investigadas e criticando reportagens que relacionavam seu nome ao caso. Em entrevistas e discursos no Senado, o petista afirmou estar “tranquilo e calmo”, disse que não havia investigações sobre sua conduta e atribuiu o esquema a falhas de fiscalização do Banco Central.
Pedido de dinheiro a Vorcaro
Flavio Bolsonaro também teve a campanha impactada pelo escândalo do Master. A crise começou após o Intercept revelar áudios em que o senador pede apoio financeiro a Daniel Vorcaro, dono da banco, para ajudar a concluir “Dark Horse”.
Na gravação, o senador demonstra preocupação com atrasos em pagamentos ligados ao longa e cita o risco de não conseguir honrar compromissos assumidos com integrantes da equipe do filme, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
Desde então, reportagens também passaram a apontar participação formal do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro na estrutura financeira do filme, além de mensagens discutindo formas de envio de recursos aos Estados Unidos.
A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro ligado ao longa poderia ter sido usada para custear a permanência de Eduardo no exterior.
Na tentativa de conter o desgaste, Flávio passou a defender publicamente a instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master e anunciou que pediu uma prestação de contas detalhada da produtora e do fundo ligado ao investimento do filme.