VARIEDADES

Quem é Manno Góes, compositor de ‘Milla’ que proibiu Netinho de cantar seu maior sucesso

13 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Compositor baiano é um dos autores do hit que marcou a carreira de Netinho; desentendimento entre os dois teve origem em divergências políticas e foi parar na Justiça

Manno Góes, baixista e compositor da banda Jammil e Uma Noites — Foto: Reprodução / Instagram / @mannogoes

Manno Góes é um dos principais compositores ligados à história da axé music e um dos autores de “Milla”, música que se tornou o maior sucesso da carreira de Netinho, morto nesta terça-feira (13), aos 60 anos. A relação entre compositor e intérprete, porém, acabou marcada por um longo desentendimento, que envolveu divergências políticas, críticas públicas e disputas judiciais.

Nascido em Salvador em 16 de novembro de 1970, Emmanuel Góes Boavista, conhecido artisticamente como Manno Góes, é compositor, cantor, baixista e escritor. Ele foi sócio-fundador, baixista e principal compositor da banda Jammil e Uma Noites, grupo que ajudou a consolidar na cena musical baiana. Entre suas composições mais conhecidas estão “Milla” e “Praieiro”. No caso de “Milla”, Manno escreveu a canção com Tuca Fernandes, cantor que marcou os anos de maior sucesso do Jammil.

Manno Góes também já namorou Claudia Leitte, nos anos em que a cantora se projetou nacionalmente. A relação entre os dois terminou em 2005, antes de ela se envolver com o seu atual marido.

Manno Góes e Claudia Leitte se apresentam juntos em DVD da banda — Foto: Divulgação
Manno Góes e Claudia Leitte se apresentam juntos em DVD da banda — Foto: Divulgação

Como começou a briga com Netinho

A relação entre os dois artistas começou a se deteriorar publicamente em meio à polarização política no Brasil. Em 2019, Manno Góes criticou Netinho depois de o cantor se posicionar publicamente em defesa de Jair Bolsonaro e fazer críticas à cantora Daniela Mercury.

Na ocasião, Manno afirmou que a “Milla” que havia composto representava valores como amor, liberdade e diversidade e disse que não queria mais manter amizade com Netinho. O compositor também declarou que o cantor não faria sucesso com a música se a tivesse composto naquele momento.

O conflito ganhou novo capítulo em 2021, quando Netinho cantou “Milla” durante uma manifestação de apoio a Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo. Vídeos da apresentação foram publicados nas redes sociais, inclusive pela então deputada federal Carla Zambelli.

Netinho — Foto: Reprodução
Netinho — Foto: Reprodução

Manno reagiu e afirmou que não autorizava Netinho a cantar a composição. O compositor buscou retirar da internet os registros da apresentação e notificou extrajudicialmente Netinho, Zambelli e o então PSL. A Justiça posteriormente determinou que Zambelli retirasse o vídeo de suas redes.

Apesar da declaração pública de Manno, Netinho não foi proibido pela Justiça de cantar “Milla” em shows. A disputa envolvia principalmente a utilização da música em vídeos publicados na internet. O advogado do compositor explicou que a execução de uma obra em apresentações e seu uso em vídeos nas redes sociais são situações distintas do ponto de vista dos direitos autorais.

Disputa foi parar na Justiça

Netinho também processou Manno Góes por declarações feitas pelo compositor nas redes sociais. Em uma das ações, o cantor pediu indenização por danos morais após ser alvo de ofensas.

Em 2024, a Justiça determinou que Manno pagasse R$ 15 mil a Netinho em uma ação que envolvia expressões ofensivas utilizadas contra o cantor, como “débil mental”, “patético”, “imbecil”, “bicha burra” e “fascista”.

Jair Bolsonaro e Netinho — Foto: Reprodução
Jair Bolsonaro e Netinho — Foto: Reprodução

Em outro processo, relacionado a acusações de injúria decorrentes das críticas políticas, Netinho perdeu a ação. O juiz entendeu que as manifestações de Manno estavam inseridas no contexto do debate político e da troca de críticas entre os dois artistas.

A disputa também chegou à Justiça por causa do uso de “Milla” em material relacionado a manifestações bolsonaristas. Em 2023, o Tribunal de Justiça da Bahia condenou Carla Zambelli a indenizar Manno Góes pelo uso da música em um vídeo de apoio a Bolsonaro, além de reconhecer questões relacionadas aos direitos autorais da obra.

Além de compositor, Manno é escritor

Manno Góes também construiu uma carreira fora da música. Em 2014, lançou seu primeiro livro de contos, “Acarajé Bour Mercier”, pela P55 Edição. Mais recentemente, voltou à literatura com “A Fraternidade”, sua estreia como romancista.

O livro mistura ficção, acontecimentos históricos e experiências do próprio autor. A trama acompanha Jango Echeverria, também conhecido como Jack Kevorkian, o Doutor, um assassino profissional perseguido por antigos aliados de uma organização criminosa internacional.

Segundo Manno, a história incorpora referências ao universo no qual vive, incluindo cultura pop, cinema e a própria composição musical. Os lugares citados na obra são locais que visitou ou que de alguma maneira fazem parte de sua vida.

Além da produção artística, o compositor atua na União Brasileira de Compositores (UBC), onde participa da defesa dos direitos autorais. Ele também integrou o projeto musical Alavontê e mantém atuação como escritor e cronista.

BS20261013200520.1 – https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/10/13/quem-e-manno-goes-compositor-de-milla-que-proibiu-netinho-de-cantar-seu-maior-sucesso.ghtml

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