POLÍTICA

Quem são os ministros do STF? Veja quem foi indicado por quem

15 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Corte julga caso envolvendo Alexandre de Moraes e dono do Banco Master; tribunal está com uma vaga aberta após aposentadoria de Barroso e rejeição de Jorge Messias pelo Senado

A estátua da Justiça, na sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília — Foto: Antonio Augusto/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça-feira o relatório da Polícia Federal (PF) que identificou 52 mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao Ministro Alexandre de Moraes. A análise reúne no plenário ministros indicados por diferentes presidentes da República e que adotam posições distintas sobre a condução do caso.

O STF conta atualmente com 10 em 11 ministros previstos. A vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso ainda não foi preenchida. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o posto, mas o Senado rejeitou a indicação em abril deste ano, por 42 votos a 34. Com a recusa, Messias não se tornou ministro e a cadeira permanece vazia.

A composição atual reúne ministros indicados por cinco presidentes: Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Lula é quem mais fez indicações ao Supremo entre os presidentes eleitos após a redemocratização, mas apenas quatro de seus escolhidos permanecem atualmente na Corte.

Fernando Henrique Cardoso

Gilmar Mendes: Decano do STF, Gilmar Mendes foi indicado por Fernando Henrique Cardoso em abril de 2002 e assumiu o cargo em junho daquele ano. É o único ministro atualmente na Corte escolhido pelo ex-presidente tucano. Antes de chegar ao Supremo, foi procurador da República e advogado-geral da União. Também ocupou cargos no governo Fernando Henrique Cardoso. Presidiu o STF entre 2008 e 2010.

No caso Master, Gilmar está entre os ministros que mais se movimentaram nos últimos dias. Ele afirmou haver “sérias dúvidas” sobre as condições para que o caso fosse julgado agora e defendeu que o presidente da Corte, Edson Fachin, concentrasse a condução das controvérsias. Também determinou à PF que enviasse a seu gabinete os dados extraídos do celular de Vorcaro.

Luiz Inácio Lula da Silva

Lula fez 11 indicações ao STF ao longo de seus três mandatos, mas uma delas, a de Jorge Messias, foi rejeitada pelo Senado. Atualmente, quatro ministros escolhidos pelo presidente integram a Corte: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Cármen Lúcia: Cármen Lúcia chegou ao STF em 2006, indicada por Lula, após a aposentadoria de Nelson Jobim. Foi a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Corte, depois de Ellen Gracie, indicada por Fernando Henrique Cardoso. Mineira, fez carreira como procuradora do Estado de Minas Gerais e chegou a comandar a Procuradoria-Geral estadual. É professora de Direito Constitucional e presidiu o STF entre 2016 e 2018. No caso envolvendo o Banco Master, não protagonizou publicamente a disputa de decisões e ofícios que antecedeu o julgamento. Fachin conversou com a ministra durante a preparação da sessão, mas ela não antecipou sua posição sobre o relatório da PF.

Dias Toffoli: Indicado por Lula em 2009, após a morte do ministro Menezes Direito, Toffoli era advogado-geral da União quando chegou ao Supremo. Antes disso, também havia atuado na Casa Civil. Foi presidente do STF entre 2018 e 2020. No caso Master, declarou suspeição para atuar em determinados processos relacionados ao banco depois de deixar a relatoria.

A decisão ocorreu após a revelação de que ele é sócio da empresa Maridt, que vendeu uma participação no resort Tayayá, no Paraná, para um fundo ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro. Toffoli afirmou ter declarado os valores à Receita Federal e disse que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro ou de seu cunhado.

Cristiano Zanin: Ex-advogado de Lula na Operação Lava-Jato, Zanin foi indicado ao STF pelo presidente em 2023, após a aposentadoria de Ricardo Lewandowski. Formado em Direito pela PUC-SP, construiu sua carreira na advocacia privada e atuou na defesa de Lula nos processos da Lava-Jato.

No caso Master, Zanin defendeu que os ministros tivessem acesso ao material apreendido com Vorcaro. Determinou à PF o envio de uma cópia dos dados do celular do banqueiro para seu gabinete, para analisar as informações antes de votar.

Flávio Dino: Mais novo integrante do STF, Flávio Dino tomou posse em fevereiro de 2024, indicado por Lula após a aposentadoria da ministra Rosa Weber. Dino foi juiz federal por 12 anos antes de entrar na política. Foi deputado federal, governador do Maranhão por dois mandatos e senador pelo estado. Também comandou o Ministério da Justiça no início do terceiro mandato de Lula. No caso do relatório da PF que cita Moraes, Dino não havia antecipado publicamente como pretendia votar antes do julgamento.

Dilma Rousseff

Dilma indicou cinco ministros ao STF durante seus dois mandatos: Luiz Fux, Teori Zavascki, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. Apenas Fux e Fachin permanecem atualmente na Corte.

Luiz Fux: Indicado por Dilma em 2011, Fux chegou ao Supremo após uma longa trajetória na magistratura. Foi juiz e desembargador no Rio de Janeiro e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Presidiu o STF entre 2020 e 2022 e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 2018 e 2020.

No caso Master, ficou distante do confronto público entre os ministros nos últimos dias. Foi ouvido por Fachin durante a preparação do julgamento e poderá se manifestar nas discussões sobre a validade do relatório.

Edson Fachin: Atual presidente do STF, Fachin foi o último ministro indicado por Dilma. Chegou à Corte em 2015, na vaga deixada por Joaquim Barbosa. Paranaense, construiu carreira como advogado e professor de Direito Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No caso Master, Fachin conduz o julgamento e assumiu a relatoria do caso envolvendo Moraes. Nos últimos dias, conversou individualmente com os colegas sobre o rito a ser adotado.

Michel Temer

Michel Temer indicou apenas um ministro para o STF: Alexandre de Moraes, em 2017, após a morte de Teori Zavascki. Moraes era ministro da Justiça do governo Temer quando foi escolhido. Antes, foi promotor de Justiça em São Paulo, secretário de Segurança Pública do estado e professor de Direito.

Hoje vice-presidente do STF, Moraes está no centro do caso analisado pela Corte. Seu nome aparece no relatório elaborado pela PF a partir do celular de Daniel Vorcaro.O julgamento discute a validade do documento e a existência de elementos para o avanço de uma investigação. Por ser diretamente interessado no caso, sua participação na decisão depende do rito definido pelo tribunal.

Jair Bolsonaro

Bolsonaro indicou dois ministros para o STF durante seu mandato: Nunes Marques e André Mendonça.

Nunes Marques: Kassio Nunes Marques foi o primeiro ministro indicado por Bolsonaro. Chegou ao Supremo em 2020, na vaga aberta pela aposentadoria de Celso de Mello. Antes, era desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), onde também ocupou a vice-presidência. Já havia atuado como advogado e juiz eleitoral no Piauí.

No caso Master, Nunes Marques não esteve entre os protagonistas da disputa em torno do relatório da PF e não havia antecipado publicamente como pretendia se posicionar.

André Mendonça: Mendonça chegou ao STF em 2021, indicado por Bolsonaro para a vaga aberta pela aposentadoria de Marco Aurélio Mello. Foi advogado-geral da União em duas ocasiões e ministro da Justiça e Segurança Pública durante o governo Bolsonaro. Pastor presbiteriano, construiu a maior parte de sua carreira na Advocacia-Geral da União.

É uma das figuras centrais do caso Master. Como relator das investigações envolvendo o banco, foi Mendonça quem determinou a identificação de parte dos interlocutores de Vorcaro. O procedimento levou a PF ao nome de Moraes.

Mendonça sustenta que Moraes não era alvo de uma investigação prévia e que os policiais apenas identificaram os interlocutores das mensagens encontradas no celular do banqueiro. O ministro também se opôs ao compartilhamento amplo dos dados do aparelho às vésperas do julgamento, argumentando que isso poderia prejudicar outras investigações.

BS20260915160052.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/15/quem-sao-os-ministros-do-stf-veja-quem-foi-indicado-por-quem.ghtml

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