POLÍTICA

Renan Santos diz que mira eleitor de Flávio, nega ser outsider e critica Nikolas: ‘Influencer de política’

7 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Pré-candidato à Presidência pelo Missão aparece empatado tecnicamente em pesquisas com Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que o chamou de ‘metralhadora giratória’ por inexperiência na gestão pública

O presidente do Missão, Renan Santos, fundador do MBL — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Pré-candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos detalhou a estratégia para as eleições de outubro. Em viagem a Belo Horizonte para um congresso neste fim de semana do Movimento Brasil Livre (MBL), do qual é fundador, o ativista contou que pretende chegar aos 10% de intenção de voto e, então, focar a campanha em “arrancar” votos hoje alinhados a Flávio Bolsonaro (PL).

A jornalistas, no sábado, Santos disse que o eleitorado de base do Missão é formado por quem votou nulo nas eleições presidenciais anteriores ou que fugiu da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Esta parcela, segundo o ativista, deve lhe conferir “um colchão de 10%”.

— Depois eu tenho que arrancar do Flávio — afirmou o pré-candidato, que citou os desgastes à campanha do senador pelas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro e as investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. — Ele [Flávio] já largou com uma candidatura defensiva, é uma candidatura que ele tinha que manter o legado do pai. Não é que ele está buscando um eleitor novo, é uma candidatura de manutenção. O eleitor dele não está motivado.

Santos avaliou que, desde abril, está “consolidado” na frente de outros postulantes à “terceira via” na corrida ao Planalto, como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Pesquisas recentes mostram o pré-candidato do Missão empatado tecnicamente com os ex-governadores em terceiro lugar, mas ele, até agora, é o único de fora da polarização Lula-Flávio que tem crescido nas sondagens de voto. É o outsider que vem dando certo, conforme analisa Thomas Traumann, em sua newsletter.

— A Copa do Mundo atrapalha um pouco isso [crescer], porque ela faz com que o volume do conteúdo político diminua a um quinto do que é, então as pessoas saem do debate. Mas largar em 10%, dois dígitos, é uma estratégia para eu buscar o Flávio — afirmou Santos.

Renan Santos tenta reduzir o desconhecimento nacional em torno de seu nome, mas rechaça se classificar como um outsider.

— O antissistema sempre tem uma tentativa, tudo que o antissistema faz é ter uma tentativa e ele gasta tudo em uma tentativa. Nós não somos um partido de uma tentativa — disse, antes de fazer uma analogia com a seleção-sensação da Copa do Mundo de 2026. — Não é uma surpresa, não somos um Cabo Verde que achou um gol. Estamos estruturados e vamos “disputar muitas Copas” e com chance de ganhar.

Santos critica Nikolas e Zema

Durante a viagem à capital mineira, as principais críticas de Renan Santos se voltaram ao deputado federal Nikolas Ferreira, que vai tentar a reeleição em outubro. O pré-candidato à Presidência se comparou ao político mineiro:

— A diferença é de QI e caráter. O Nikolas é uma pessoa simplória e fingida. O Nikolas é uma pessoa falsa, é um influencer. Eu sou um político bom — afirmou, em declarações reproduzidas pelo jornal mineiro O Tempo.

Santos disse, ainda, que falta a Nikolas a capacidade de articulação política. O deputado federal é “um samba de uma nota só”, que “não entrega nada”, e atua mais como um “influencer”, segundo ele.

— O que o Nikolas pensa sobre previdência no Brasil? ‘Cuidado com a esquerda’. O que o Nikolas pensa sobre saúde? ‘A esquerda está vindo aí’. O que o Nikolas pensa sobre educação? Pensa nada. Então, assim, ele tem uma fórmula malandra, ele é um influencer de política — analisou. — Esses caras não foram forjados para governar, eles foram forjados para gravar vídeos. E são ótimos gravadores de vídeo. Então, tem uma diferença muito clara, porque é muito mais fácil eu aprender a gravar um vídeo do que ele aprender a montar um partido político.

Na ocasião, disse também que Romeu Zema nunca foi um outsider e vive hoje uma crise de identidade partidária em meio a embates com diretórios estaduais do Novo.

— Eu acho que o Zema se encaixava no velho Partido Novo, e ele hoje está perdido no novo Partido Novo. Para aquele velho Partido Novo, o Zema fez sentido. Ele era um empresário de fora da política, mas ele não era fora do sistema aqui em Minas. É um cara da elite aqui de Minas e não tem nenhuma crítica nisso. É um cara de elite normal, bem situado, bem posicionado, amigo das pessoas certas. Ele ganhou a eleição, e o grupo econômico ligado a ele também se deu muito bem — disse.

Nesta segunda-feira, na sabatina “No Osso”, promovida pelo grupo Derrubando Muros, Romeu Zema criticou o adversário do Missão na disputa pela falta de experiência na gestão pública. Na , o ex-governador de Minas Gerais afirmou que falta ao fundador do MBL “histórico de entrega” e que, por isso, ele age como uma “metralhadora giratória”, com críticas aos governantes e à classe política.

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Na sabatina, Zema descartou formar uma chapa com Ronaldo Caiado e disse tratar com naturalidade a ascensão de Renan Santos.

— Como ele não teve experiência na gestão pública, sai dando tiro como uma metralhadora giratória, prometendo mundos e fundos — destacou Zema, empresário eleito pela primeira vez para cargo público em 2018, também sem experiência prévia no segmento. — Se um dia ele estiver do outro lado do balcão, com certeza as coisas mudam.

Zema acrescentou que, numa democracia, “todos têm direito de ser candidatos”. Mas ponderou que “algumas pesquisas” nas quais Renan Santos tem se destacado “são feitas pela internet, o que é diferente da amostra da população brasileira”.

O ex-governador de Minas Gerais também defendeu anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso pela participação na trama golpista. Para Zema, a condenação pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) foi “política”. Questionado sobre os impactos de uma libertação de Bolsonaro para a percepção internacional quanto à segurança jurídica no país, o mineiro admitiu mudar de opinião.

— Talvez deveríamos ter um rejulgamento, com pessoas mais isentas — disse ele, que ainda prometeu passar o “facão” nos gastos públicos e tentar, com reformas, levar a taxa de juros a “algo como 6,5%”.



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