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Com almoço a R$ 1 para o público em geral, unidades garantem gratuidade a pessoas em situação de rua e registram aumento no volume de refeições servidas
O Governo do Distrito Federal (GDF) vem fortalecendo a segurança alimentar e nutricional na capital por meio dos restaurantes comunitários. Desde 2019, a política pública foi reforçada com a inauguração de novas unidades, a ampliação do número de refeições e dos dias de atendimento e a redução do valor do almoço, que passou de R$ 3 para R$ 1. Já em 2020, as pessoas em situação de rua passaram a ter direito à gratuidade nas refeições servidas.
O secretário-chefe da Casa Civil e coordenador do plano distrital, Gustavo Rocha, citou a gratuidade e o volume de refeições oferecidas como parte da estratégia de segurança alimentar. “O governador Ibaneis Rocha determinou que a alimentação para essas pessoas no restaurante comunitário é gratuita. Só neste ano passado a gente forneceu para essas pessoas mais de 1.800.000 refeições. É justamente para que essas pessoas tenham condições de se alimentar, tenham a sua segurança alimentar e possam seguir com o seu dia a dia, pelo menos, alimentadas.”
A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, relacionou a política de segurança alimentar ao combate à fome e ao acesso regular a refeições. “Quando a gente fala de segurança alimentar e nutricional, nós estamos falando do combate à fome e é o que eu digo, ninguém com fome pensa direito. Então, a primeira coisa que a gente precisa fazer é alimentar bem todas as pessoas que estão aqui no Distrito Federal.”
Ela também ressaltou a trajetória dos restaurantes comunitários e a manutenção do valor atual das refeições. “Os restaurantes comunitários já faziam de alguma forma esse trabalho com um preço simbólico, mas é importante sempre colocar que governos anteriores aumentaram esse valor para R$ 3. Hoje, o almoço continua sendo R$ 1.”
Frequentador do Restaurante Comunitário de Ceilândia, Rafael Bruno de Oliveira acompanhou de perto as mudanças no serviço ao longo dos anos. “Eu venho aqui desde 2014. Naquela época era só o almoço. Hoje tem café da manhã, tem jantar também. O cardápio muda todo dia: peixe, feijoada, costelinha de porco, costela bovina. A comida melhorou bastante. Eu gosto demais da comida daqui.” O local serve cerca de 600 refeições gratuitas por dia a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Rafael relata que vive em situação de vulnerabilidade após perder os pais e romper vínculos familiares. “Eu perdi meus pais muito cedo e a minha família não me aceitou em casa pela minha orientação sexual.” Para ele, a gratuidade ajuda a assegurar a alimentação diária. “Um almoço de R$ 1 é barato, mas nem todo dia a gente consegue R$ 1 para comer. Independentemente do dia, aqui eu tenho minha refeição garantida. De segunda a sábado eu como aqui. Se eu tivesse que correr atrás de comida todo dia, ia ser bem mais difícil”, explica.
“Eu trabalho com reciclagem, mas nem todo dia a rua está rica de lata. Tem dia que você consegue algum dinheiro, tem dia que não consegue quase nada. Não é um dinheiro certo. Por isso eu ainda não consegui alugar uma casa. Saber que todo dia você vai comer já é muita coisa”, acrescenta.
Jaílson Santos Gonçalves frequenta o restaurante comunitário há cerca de cinco anos. Ele conta que passou a viver em situação de vulnerabilidade após problemas com drogas e rompimento familiar. “Foi problema com drogas. Depois disso, a família não aceita. Aí eu fui morar na rua.”
O acesso às refeições gratuitas veio após atendimento no Centro de Referência de Assistência Social (Cras). “Eu fui no Cras, expliquei a minha situação, eles fizeram a ficha e me deram o encaminhamento. A partir daí eu comecei a almoçar aqui de graça.”
Para Jaílson, ter a alimentação assegurada traz tranquilidade. “Antes, eu acordava e não tinha café da manhã, não tinha almoço. Hoje eu sei que vou acordar e vou ter o meu alimento. Isso me deixa mais tranquilo. Teve época que eu tomava café da manhã, almoçava e pegava a janta aqui. Saber que você não vai passar fome muda muita coisa. Hoje eu estou tentando mudar. Já faz quase um mês que eu estou sem usar drogas. Estou tirando meus documentos, um passo de cada vez.”
Ele resume o impacto do serviço de forma direta. “Mesmo sendo de graça, é uma grande coisa. Saber que todo dia você vai comer já é muita coisa para quem vive na rua.”
• 2021: 99.922;
• 2022: 320.175;
• 2023: 628.910;
• 2024: 1.111.253;
• 2025: 1.724.871 (até o final de novembro);
• Previsão total para 2025: 1.881.677.

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