POLÍTICA

Rogério Marinho tenta reforçar pontes com STF e deve dizer a Fachin que não haverá ‘clima de vingança’ em eventual governo Flávio

6 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Coordenador da campanha se reúne com presidente da Corte nesta terça-feira

O senador Rogério Marinho – Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, se reúne nesta terça-feira com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para reforçar uma ponte com a Corte de olho em um eventual governo do candidato do PL. A mensagem que pretende levar ao ministro é a de que “não haverá clima de vingança” em caso de vitória de Flávio, mesmo que aliados mantenham críticas a integrantes do tribunal.

O encontro está marcado para as 13h e faz parte de uma movimentação que Marinho iniciou antes mesmo do primeiro turno, quando o cenário de uma vitória do PL ainda era incerto. Desde então, o senador passou a procurar ministros individualmente e já conversou com Gilmar Mendes, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e o próprio Fachin. Agora, tenta marcar uma audiência também com Cármen Lúcia.

A interlocução ganhou outro peso depois das urnas. Com Flávio passando ao segundo turno com dois pontos de vantagem sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o PL fortalecido no Congresso, aliados já começam a discutir como seria a relação de um eventual governo com os demais Poderes. Nesse desenho, Marinho tem funcionado como um dos principais interlocutores com o Supremo e tenta estabelecer um canal que sobreviva aos embates acumulados entre o bolsonarismo e a Corte.

Isso não significa, porém, uma trégua nas críticas. Na segunda-feira, ao ser questionado sobre a possibilidade de a campanha encampar no segundo turno a defesa do impeachment de ministros do STF, Marinho evitou aderir à proposta, mas atribuiu a integrantes do próprio tribunal a responsabilidade pela tensão.

— Primeiro, é lamentável que o Brasil, neste momento em que ele se encontra, com todos os problemas que nós temos e com todos os desafios que estão na nossa frente, esteja discutindo o Supremo Tribunal Federal. Isso acontece porque alguns dos seus integrantes se colocaram no centro do palco político — afirmou.

Marinho subiu o tom ao dizer que ministros têm se manifestado sobre política fora dos autos e interferido na Justiça Eleitoral. Na avaliação do coordenador da campanha, parte do resultado das urnas também pode ser lida como uma reação a esse comportamento.

— Nós estamos assistindo a um espetáculo deprimente de ministros que falam a respeito de política fora dos autos dos processos, que emitem opinião, que interferem na Justiça especializada e que demonstram claramente uma preferência política a favor de um espectro ideológico. Então, nós acreditamos que o que aconteceu no Brasil também tem a ver com uma resposta da sociedade, que está cansada desse tipo de interferência, de hipertrofia de um Poder sobre os demais Poderes da República — disse.

O papel assumido por Marinho nessa interlocução também se cruza com seus próprios planos para o próximo ano. O PL saiu das urnas com a maior bancada da Câmara, de 121 deputados, e ampliou sua presença no Senado para 28 parlamentares, resultado que colocou o senador entre os nomes cotados para disputar o comando da Casa. Uma eventual presidência do Senado o colocaria justamente à frente da instituição responsável por analisar pedidos de impeachment de ministros do Supremo.

A promessa que Marinho pretende levar a Fachin, por sua vez, não é nova no discurso do candidato. No 7 de Setembro, em meio ao período de maior tensão da campanha com o Judiciário, Flávio já havia afastado a possibilidade de usar a Presidência para retaliar integrantes da Corte e ressaltado que cabe ao Senado decidir sobre eventuais processos de impeachment.

— Jamais usaria a caneta para fazer vingança. Impeachment é com o Senado. O Supremo não precisa ter medo. […] O Supremo tem que respeitar a Constituição. […] Da minha parte, não vai ter vingança — afirmou Flávio.

Depois de conversar com Fachin, Marinho embarca com Flávio para Goiânia, onde os dois se encontram com o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e seu grupo político. Caiado e o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), vão declarar apoio ao candidato do PL.

BS20261006144330.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/10/06/rogerio-marinho-tenta-reforcar-pontes-com-stf-e-deve-dizer-a-fachin-que-nao-havera-clima-de-vinganca-em-eventual-governo-flavio.ghtml

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