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Aparelhos servem de porta de entrada para fraudes, mesmo sem furtos

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Blocos lotados, turistas distraídos e alto volume de transações fazem do carnaval um dos períodos que exigem mais cuidado com o uso do celular. Mesmo nos casos sem furto ou roubo, o aparelho tornou-se a principal porta de entrada para criminosos acessarem aplicativos bancários e esvaziarem contas em poucos minutos.

Embora a maior parte dos golpes financeiros no carnaval ocorra de forma presencial, como maquininhas adulteradas de cartão, o celular tem se tornado cada vez mais uma porta de entrada para fraudes e golpes durante a folia.
As fraudes não acontecem apenas nos casos de furto ou roubo físico do aparelho. Redes wi-fi falsas e golpes por engenharia social, quando o criminoso manipula emocionalmente a vítima para obter senhas e dados pessoais, resultam em prejuízo, com os estelionatários invadindo os aparelhos.
Diretor de Tecnologia (CTO) da empresa Certta, empresa que unifica soluções antifraude em uma única plataforma, José Oliveira explica que eventos de grande porte criam o ambiente ideal para golpes.
“Há quebra de rotina, decisões rápidas e um senso de urgência que inibe a reflexão. É exatamente isso que o fraudador explora”, afirma.
Oliveira aponta três fatores principais:
Alta concentração de pessoas: facilita furtos e camufla criminosos;
Quebra de rotina: transações fora do padrão dificultam alertas automáticos;
Decisões emocionais: pressa e distração reduzem a atenção aos detalhes.
Oliveira ressalta que o smartphone concentra aplicativos bancários, carteiras digitais, redes sociais e e-mails, tudo o que o criminoso precisa para acessar a vida financeira da vítima.
Transferir valores via Pix;
Pedir empréstimos;
Alterar senhas;
Recuperar acessos usando e-mail ou SMS.
Ative a biometria facial ou digital nos apps bancários;
Habilite o “modo seguro” ou “modo rua” do banco (algumas instituições oferecem a opção);
Desative o pagamento por aproximação se estiver em aglomeração;
Reduza o limite de Pix temporariamente;
Saiba como apagar o celular remotamente (Android ou iPhone);
Evite deixar aplicativos financeiros com altos valores no celular de uso externo.
Wi-Fi falso em blocos, cafés, shoppings e aeroportos
Criminosos criam redes abertas com nomes parecidos com os oficiais para interceptar dados.
Como evitar: prefira usar dados móveis (4G ou 5G) e evite acessar aplicativos bancários em wi-fi público.
Mensagens ou ligações com senso de urgência, como “compra suspeita”, “problema no cartão” e “promoção relâmpago”, forçam decisões rápidas.
Como evitar: faça uma “pausa cognitiva”. Desconfie de urgência artificial e confirme informações apenas em canais oficiais.
Segundo o diretor de Tecnologia da Certta, a tecnologia reduziu o custo para criminosos aplicarem fraudes sofisticadas. Hoje, já são usados:
Deepfakes, que imitam voz e imagem;
Identidades sintéticas, com perfis falsos altamente convincentes.
Ao mesmo tempo, empresas utilizam sistemas de análise de risco que cruzam dados como localização, tipo de aparelho e padrão de comportamento para detectar movimentações suspeitas. No entanto, durante o carnaval, em que o folião quebra hábitos e costuma viajar, a análise é dificultada.
Bloqueie o aparelho pela operadora ou pelo serviço Celular Seguro;
Apague os dados remotamente (Google ou Apple);
Avise o banco e bloqueie contas e cartões;
Registre boletim de ocorrência;
Altere senhas de e-mail e redes sociais.
A orientação central de José Oliveira é substituir o impulso pela análise.
“Antes de digitar uma senha, clicar em um link ou confirmar um pagamento, pare por alguns segundos”, aconselha.
“Num ambiente de festa e aglomeração, a tecnologia pode ajudar, mas a primeira barreira contra o golpe ainda é o comportamento do próprio usuário.”

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