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Filho de Jair Bolsonaro havia se licenciado do trabalho na corporação para exercer o mandato parlamentar até ser cassado pela Câmara em dezembro

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi oficialmente demitido do cargo de escrivão da Polícia Federal (PF) por abandono de função. Eduardo deveria ter retornado ao posto após perder o mandato de deputado em dezembro, mas faltou ao serviço sem justificativa por mais de 30 dias consecutivos. Aprovado em concurso e no cargo desde 2010, o ex-parlamentar deixa uma função cuja remuneração inicial era de R$ 14.164,81 e podia alcançar R$ 21.987,38.
A demissão foi resultado de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado pela corregedoria da corporação. A portaria foi assinada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, na última sexta-feira, e publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira. O ato acolheu recomendação feita pela PF em julho e citou pareceres da Consultoria Jurídica da pasta para enquadrar o caso como infração disciplinar.
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Eduardo Bolsonaro passou no concurso da Polícia Federal e ingressou no cargo de escrivão em 2010. Ele não exercia a função desde que foi eleito deputado em São Paulo, em 2014. A atividade política permitia que ele ficasse afastado do cargo. Com a cassação do mandato no ano passado, ele perdeu o benefício.
O cargo de escrivão diz respeito ao profissional responsável por registrar, organizar e formalizar grande parte dos procedimentos produzidos durante uma investigação da Polícia Federal. Entre as atribuições deste profissional estão a lavratura de autos, termos, depoimentos e mandados, além do controle de prazos. A organização dos inquéritos e preparação dos documentos que serão encaminhados à Justiça também faz parte das suas funções.
Um escrivão também pode ficar responsável pelo acompanhamento de diligências, a gestão de fianças e objetos apreendidos e pelo apoio a atividades administrativas e operacionais da corporação.
Em 31 de dezembro, o diretor de gestão de pessoas substituto da PF, Licinio Nunes de Moraes Netto, determinou o “retorno imediato” de Eduardo para regularização funcional na Delegacia de Angra dos Reis (RJ). O documento alertava para eventuais sanções disciplinares caso o servidor não se apresentasse após perda do mandato de parlamentar, que aconteceu no mesmo mês.
O terceiro filho de Jair Bolsonaro morava nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 — sob a alegação de ser alvo de perseguição política no Brasil —, e declarou à época que não tinha “condição de voltar ao Brasil” e que lutaria pelo posto por ter batalhado para passar no concurso. Contudo, a legislação prevê 30 dias para a reintrodução do servidor após o fim do impedimento e outros 30 dias de ausência antes de caracterizar o abandono.
As vontades do deputado em relação aos dois cargos que se afastou, no entanto, não se concretizaram. Ele perdeu o cargo de parlamentar devido ao não comparecimento à terça parte das sessões deliberativas da sessão legislativa.
Enquanto isso, Eduardo também foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A Corte entendeu que ele atuou junto a autoridades norte-americanas para articular sanções e pressionar o Judiciário brasileiro antes do julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado. Na mesma decisão judicial, o STF também havia determinado a perda do cargo de escrivão — decisão concluída nesta segunda.
BS20260921205349.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/21/saiba-o-salario-de-um-escrivao-da-pf-cargo-do-qual-eduardo-bolsonaro-foi-demitido-apos-afastamento-intencional.ghtml

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