POLÍTICA

Saiba quais são as medidas restritivas impostas ao senador Jacques Wagner após operação da PF

18 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Medidas restritivas que recaem sobre o petista também valem para enteado e mulher

Senador Jacques Wagner – Foto Lula Marques/ Agência Brasil

Alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira, o senador Jacquer Wagner (PT-BA) deverá cumprir uma série de medidas restritivas, conforme determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O parlamentar petista é apontado como suspeito de envolvimento no caso do Banco Master. O senador teria recebido benefícios do banco, como um apartamento adquirido pelo ex-sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Lima.

Jacques Wagner está proibido de manter contato “por qualquer meio, direto ou indireto” com os demais investigados. Por razões familiares, no entanto, ele pode contatar o casal Eduardo Mendonça Sodré Martins e Bonnie Toaldo Bonilha, mas o trio não pode abordar “temas relacionados aos fatos investigados”.

Eduardo Sodré Martins é enteado de Jacques Wagner e secretário de Meio Ambiente da Bahia. Segundo as investigações, Bonnie Bonilha recebeu R$ 11 milhões do Banco Master por meio de um contrato de consultoria firmado com uma de suas empresas. O enteado do senador, por sua vez, teria “papel ativo” na cobrança de pendências nos pagamentos previstos pelos operadores financeiros do Master.

O senador também está proibido de fazer contato com “gerentes, administradores, corretores, funcionários, engenheiros, arquitetos ou quaisquer colaboradores” das empresas MD BA Parque Florestal Construções e Grupo Moura Dubeux. As duas companhias estão associadas ao prédio Poème Horto, em Salvador, no qual está o apartamento de mais de R$ 2 milhões supostamente pago pelo Banco Master e dado ao senador.

Jacques Wagner também está proibido de exercer atividades de “gestão, administração, representação, consultoria, contratação, intermediação, negociação” com pessoas jurídicas implicadas na investigação.

As medidas restritivas que recaem sobre o petista também valem para Eduardo Martins e Bonnie Bonilha. Diferentemente do senador, no entanto, o casal teve o passaporte suspenso e está impedido de sair do território nacional. As autoridades não solicitaram que a mesma medida fosse aplicada a Jacques Wagner.

Entenda a operação

Um endereço ligado a Wagner foi alvo de busca e apreensão pela PF esta quinta-feira. Os agentes realizam a nona fase da Operação Compliance Zero, por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

O nome do senador já havia surgido no contexto do caso Master depois de ter sido revelado que a nora dele recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela.

Em nota, o senador disse que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”. A firma, por sua vez, nega irregularidades e diz que prestou serviços.

Antes de ser alvo de operação, o senador afirmou que esteve duas vezes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e disse que achava “ótimo” caso ele resolvesse fazer um acordo de delação premiada, tentativa que acabou rejeitada pela PF e a Procuradoria-Geral da República.

Wagner vinha classificando o escândalo do Banco Master como uma “trambicagem”, negando qualquer envolvimento com as irregularidades investigadas e criticando reportagens que relacionavam seu nome ao caso. Em entrevistas e discursos no Senado, o petista afirmou estar “tranquilo e calmo”, disse que não havia investigações sobre sua conduta e atribuiu o esquema a falhas de fiscalização do Banco Central.



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