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Com mais de mil notificações em cinco anos, Secretaria de Saúde aposta em busca ativa e monitoramento para reduzir sequelas e interromper ciclo da doença
Dados da Secretaria de Saúde (SES-DF) indicam que os casos de hanseníase diminuíram nos últimos três anos no Distrito Federal. Foram registradas 113 ocorrências em 2024. O número é 28,5% menor que os 158 casos registrados em 2022. O DF registrou 1.018 notificações de hanseníase entre 2020 e 2024. Atualmente, a capital apresenta uma taxa de detecção de 3,53 casos para cada 100 mil habitantes, o que a posiciona em um patamar de média endemicidade, segundo critérios técnicos. Os dados constam no Informativo Epidemiológico da Hanseníase.
O perfil epidemiológico revela que os homens são os mais acometidos, representando 50% das novas notificações. A maior concentração de casos ocorre na faixa etária entre 50 anos e 59 anos. O cenário nacional ainda é desafiador: o Brasil é o segundo país com maior volume de casos no mundo, atrás apenas da Índia.
A Secretaria de Saúde segue o Plano de Enfrentamento da Hanseníase do DF 2023-2030, com o objetivo de intensificar as políticas públicas para eliminar a transmissão da doença no território.
Ana Carolina Igreja, referência técnica distrital (RTD) em dermatologia da SES-DF, explica que a demora na identificação da doença ainda é um obstáculo. Muitas vezes, os sintomas iniciais são negligenciados ou confundidos com outras patologias. “Os sinais mais comuns são manchas com sensibilidade alterada, mas nódulos eritematosos [caroços vermelhos], áreas com diminuição de suor e perda de pelos também são sintomas frequentes”, detalha a especialista.
“O diagnóstico tardio reflete diretamente na qualidade de vida do paciente”Ana Carolina Igreja, referência técnica distrital em dermatologia
Embora a hanseníase tenha cura e o tratamento seja gratuito, a continuidade da medicação é fundamental. A especialista da SES-DF alerta para a taxa de abandono, que chegou a 22% no DF em 2022. A interrupção do tratamento prejudica a recuperação do paciente, favorece a resistência bacteriana e mantém a cadeia de transmissão ativa na comunidade.
“O diagnóstico tardio reflete diretamente na qualidade de vida do paciente. Em 2020, o Distrito Federal registrou muitos casos com grau de incapacidade física 2, o que significa que muitos cidadãos já chegavam às unidades de saúde com sequelas físicas ou danos neurológicos visíveis”, detalha.
Para alcançar as metas dos indicadores, a Gerência de Vigilância das Doenças Transmissíveis está intensificando a busca ativa por meio dos agentes comunitários de saúde e ampliando a realização de testes rápidos em pessoas que convivem com os pacientes diagnosticados, entre outras estratégias.
A porta de entrada para o atendimento de pacientes com hanseníase são as unidades básicas de saúde (UBSs). Casos que exigem suporte especializado são encaminhados aos centros de referência: Centro Especializado de Doenças Infecciosas (Cedin), Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e Hospital Universitário de Brasília (HUB).
Na Região de Saúde Norte, a unidade de infectologia de Planaltina é referência no atendimento a doenças infectocontagiosas, com destaque para HIV, Aids, hepatites virais, tuberculose e hanseníase, que estão entre as mais prevalentes na região. A unidade atua como ponto estratégico, prestando cerca de 500 atendimentos mensais com equipe multidisciplinar. “Contamos com profissionais habilidosos no manejo da doença para garantir que o paciente receba a orientação correta e complete o tratamento com sucesso”, afirma a diretora da Atenção Secundária da Região Norte, Joyce Vieira Dantas.
A hanseníase é transmitida pelo contato prolongado com pacientes não tratados. A doença tem cura, e o tratamento, padronizado pelo Ministério da Saúde, é feito por meio da associação de três antimicrobianos denominada poliquimioterapia [unica (PQT). O tempo pode variar de seis a 12 meses, de acordo com a forma clínica da doença. Em caso de manchas suspeitas, procure a UBS mais próxima.
*Com informações da Secretaria de Saúde

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