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Ex-ministro de Direitos Humanos nega as acusações de importunação

O ex-ministro dos Diretos Humanos Silvio Almeida deve prestar depoimento nesta terça-feira à Polícia Federal. Almeida é investigado em um inquérito que apura se ele cometeu o crime de importunação ou assédio sexual contra algumas mulheres, entre elas a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Quando as denúncias vieram à tona, em setembro de 2024, ele foi demitido do cargo e, desde então, nega todas as acusações, classificando-as como “ilações absurdas”.
Ao longo de seis meses de investigação, O GLOBO apurou que pelo menos três mulheres prestaram depoimento à PF na condição de vítima — Anielle Franco, a professora Isabel Rodrigues e outra mulher cuja identidade foi preservada. O caso tramita em sigilo de Justiça no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça.
Anielle relatou aos investigadores que foi alvo de atitudes desrespeitosas e importunações desde a época da transição de governo, no fim de 2022. O ato mais ousado teria ocorrido em uma reunião oficial ocorrida em maio de 2023 na qual Almeida se sentou ao lado de Anielle. Ela afirmou que o então ministro colocou a mão nas suas pernas por baixo da mesa. O encontro contou com a participação de pelo menos outras onze pessoas, entre elas o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil Tiago Peereira.
Internamente, a defesa questiona se há a gravação dessa reunião, uma vez que algumas pessoas participaram dela por videoconferência.
Em setembro do ano passado, a professora Isabel Rodrigues publicou um vídeo nas suas redes sociais, dizendo ter sido vítima de Almeida durante um encontro ocorrido em 3 de agosto de 2019. Na época, Isabel e Silvio eram professores.
— Fomos almoçar com vários alunos do curso. Eu sentei do lado do Silvio, ele estava do lado direito, eu estava de saia. Ele levantou a saia e colocou a mão nas minhas partes íntimas. Colocou a mão com vontade. Eu fiquei estarrecida. Fiquei com vergonha das pessoas, porque é assim que as vítimas se sentem — disse ela, no vídeo.
A PF também ouviu como testemunhas assessoras de Aniele e pessoas próximas às vítimas. A avaliação de fontes que acompanham as investigações é que os depoimentos são contundentes, mas há dificuldade para reunir material probatório sobre as ocorrências. Com a oitiva de Almeida, o inquérito chega na sua reta final. A PF deve decidir se indicia ou não o ex-ministro por importunação sexual.
Procurada, a defesa de Almeida disse que não quis se pronunciar sobre as acusações.
Em entrevista ao portal Uol, o ex-ministro negou que tenha praticado assédio contra Anielle e as outras mulheres (“não vou pedir desculpas se não fiz nada de errado”) e disse estar sendo alvo de “fofocas e intrigas” para “queimá-lo”. Segundo Almeida, Anielle “se perdeu num personagem” e “participou do espalhamento de fofocas e intrigas sobre mim”.
Nesta segunda-feira, a ministra rebateu às declarações de Almeida, taxando-as de “inaceitáveis”.
“A tentativa de descredibilizar vítimas de assédio sexual, minimizar suas dores e transformar relatos graves em “fofocas” e “brigas políticas” é inaceitável. Na véspera de prestar depoimento à Polícia Federal como investigado, o acusado escolheu utilizar um espaço público para atacar e desqualificar as denúncias, adotando uma postura que perpetua o ciclo de violência e intimida outras vítimas”, escreveu a ministra.

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