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Diferentemente do feminino, no caso dos homens o Brasil não é favorito isolado e terá torneio mais disputado

Após campanhas ruins em competições recentes, a seleção brasileira masculina de vôlei estreia no Sul-americano nesta terça-feira, contra o Chile, às 20h (de Brasília), no Maracanãzinho, em busca da classificação antecipada para os Jogos de Los Angeles-2028. O canal Sportv2 transmitirá ao vivo. O torneio será disputado em turno único, por pontos corridos, e o campeão se garante na próxima Olimpíada.
E, diferentemente do feminino, no caso dos homens, o Brasil não é amplamente favorito. É a seleção com mais chances de vitória, tem 33 títulos, mas terá a Argentina, atual campeã, como principal rival.
Além disso, os fãs do vôlei têm cobrado mais raça ou empenho dos jogadores, comparando o elenco atual com gerações anteriores, caracterizadas pelo comprometimento e entrega.
O Brasil está na oitava colocação do ranking da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), sendo a melhor do continente. Argentina, em 14º, é a segunda melhor, seguida por Chile (30º), Colômbia (41º), Venezuela (51º) e Bolívia (58º).
— A gente comentou que não devemos ver o que os torcedores falam nesse sentido, o que circula em rede social, principalmente nos momentos que não são tão legais. Nesse período a gente tentou concentrar no que temos de fazer para melhorar. Vontade de vencer a gente tem. Não é falta de garra ou espírito. Tem outros fatores — comentou o levantador Cachopa.
É que o Brasil não vive seu melhor momento, acumulando resultados abaixo do esperado desde 2023. Foi neste ano que o Brasil perdeu o título do Sul-americano para a Argentina.
Na Olimpíada de Tóquio-2020, o Brasil também foi derrotado pela Argentina na disputa pela medalha de bronze. A seleção brasileira ficou em quarto, fora do pódio.
Nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris, o Brasil amargou o oitavo lugar, o pior resultado da modalidade desde a edição de 1972. Foi a primeira campanha sem atingir uma semifinal no século.
Em 2025 obteve a campanha mais fraca em Mundiais, sendo eliminada ainda na fase de grupos e terminando em 17.º. E na última Liga das Nações veio a eliminação inédita na fase classificatória (ficou em nono).
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— Acredito que a parte da entrega, não mudou. Acho que todo mundo aqui, que chega na seleção, dá o máximo sempre. Porque sabe que tem umas 100 pessoas que gostariam de estar aqui, de representar o nosso país. Obviamente que ninguém fica feliz com o momento de agora. A torcida e, principalmente, nós jogadores. Porque, no final das contas, é o nosso dia a dia, o nosso esforço que não está dando resultado — analisa o ponteiro Lucarelli, o mais experiente da seleção, desde 2012 no grupo e o único remanescente do ouro da Rio-2016.
Ele diz que os jogadores “também ficam tristes” e que acredita que o que passam é um processo.
— E o mais importante é não sucumbir. E isso não acontece. A gente volta todo ano com a mesma determinação, treinando sempre com a mesma vontade, buscando evoluir e resultados. Ninguém aceita, obviamente, o momento — disse Lucarelli. — O segredo é entender que estamos um passo atrás e treinar. Treinar, buscar evoluir e estudar.
Sem a vaga na fase final da VNL deste ano, a seleção brasileira fez amistosos contra Japão e França. E também participou de um torneio na Itália, com os donos da casa, Cuba e Alemanha. A seleção perdeu para França, Itália e Cuba e venceu a Alemanha e o Japão.
Cachopa acredita que hoje a seleção consegue ser mais consistente em comparação à época da VNL. E que nos recentes amistosos os atletas conseguiram manter a “concentração e o nível lá em cima”. E ainda comentou que os jogadores sofreram após a VNL, considerada um “golpe duro”.
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— A gente teve de dar força um para o outro — contou. — O que nos faltou em vários momentos da VNL foi consistência. Precisávamos arrumar várias coisas e claro, o time não está perfeito. E acho que é difícil chegar em um nível assim, mas conseguimos corrigir bastante coisa para ser mais competitivo.
Perguntado sobre o quais seriam estes pontos, disse que “diminuir urgentemente o número de erros, decidir sets em momentos cruciais, talvez ter mais confiança, estar mais convicto do que vamos fazer”.
— Após três jogos seguidos de VNL, por exemplo, é normal estar cansado e a concentração não ser a mesma; o jogo não flui. Afeta a parte mental e a confiança. São diversos fatores, não há uma matemática exata. Mas temos de passar por cima e continuar jogando e jogando bem.
O levantador contou também que o treinador Bernardo Rezende, o Bernardinho, abastece o grupo com estatísticas, números, informações, mas também tem tentado ajudar com conversas:
— Ele dá uma palestra por dia. Falamos tanta coisa… Nesse período de dois ou três meses, acho que até abriu todo o repertório que tinha para tentar ajudar a gente.
O central Flávio comentou que a pressão é constante no esporte, inclusive quando a seleção joga bem. Ele acredita que o que muda é como os atletas encaram a situação.
Ele diz que um dos aprendizados deste momento delicado é entrar focado independentemente do adversário:
— Nesse Sul-americano, o nosso foco é a classificação olímpica. Temos de nos concentrar nas coisas que podemos controlar, não no que não podemos. E a gente pode controlar as nossas emoções, temos um grupo jovem e é normal que as emoções venham à tona em momentos decisivos. Precisamos trabalhar o lado psicológico. Na parte técnica, não acredito que falte. A seleção tem hoje os melhores atletas disponíveis e treinamos todos os dias para isso.
Nesta segunda-feira, o treinador, que não quis dar entrevistas, definiu os 14 atletas que disputarão o Sul-americano: os levantadores Cachopa e Brasília; os opostos Darlan e Bryan; os ponteiros Lucarelli, Adriano, Honorato, Arthur Bento e Lukas Bergmann, os centrais Flávio, Judson e Pinta; e os líberos Maique e Pureza.
BS20260915090000.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/09/15/selecao-masculina-de-volei-em-momento-ruim-tera-argentina-como-grande-rival-pela-vaga-olimpica-no-sul-americano.ghtml

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