
Da irritação de Sidônio com Flávio à camisa ‘eu prendi o Lula’ de Deltan: os detalhes do debate da Band que você não viu
Candidatos se enfrentam em debate da Band, o primeiro comparecido pelos dois desta eleição

Além do candidato do PL, participam do ato, batizado de ‘Bloco 22’, aliados como Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato

Embalados por versões de funks famosos com letras que marcam posições contra a esquerda, os apoiadores do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) se concentravam, por volta das 10h deste domingo (18), em duas quadras da Avenida Paulista, endereço que reuniu eleitores do presidente Lula (PT) na semana passada. Flávio chegou por volta das 11h15, quando a manifestação tomava cerca de 12 blocos da avenida. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) e a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP) também participam do ato.
Por volta das 12h30, os apoiadores rezaram o Pai-nosso, puxado por Nikolas Ferreira. Em seguida, Flávio fez uma breve fala.
— Vocês estão fazendo história. Vamos virar essa página triste do Brasil, faltam só sete dias para a gente livrar o Brasil do PT, e vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente da República no filho dele. E eu vou cuidar do Brasil, do povo brasileiro, e o Brasil vai vencer — disse.
A maioria do público veste camisas da seleção brasileira e empunha bandeiras com o número do candidato do PL. Também se destacam bandeiras que misturam símbolos dos Estados Unidos, do Brasil e de Israel, e vendedores ambulantes oferecem bonés do presidente americano Donald Trump. A organização do ato pediu ao público que abaixasse bandeiras de outros países antes do início dos discursos. “Hoje é a nação brasileira, queria pedir para que bandeiras de outros países fossem recolhidas”, disse um membro da organização do carro de som principal.
Espalhadas entre o número 1800 da avenida e o Masp, caixas de som retransmitem as falas do carro principal, que está estacionado no cruzamento da Paulista com a Alameda Ministro Rocha Azevedo e deve andar até o museu. Batizada de “Bloco 22”, a manifestação tem clima de bloquinho de carnaval tranquilo. O objetivo dos organizadores era esse mesmo. Os chamados “bloquinhos 22” foram puxados por Nikolas Ferreira ainda no primeiro turno e são embalados por jingles contra o PT.
Os carros de som tocam versões de hits do axé e do funk. Um exemplo é o funk “Nova Geração” (“Eu sou o Jonathan da Nova Geração”), cujo refrão modificado insta os presentes a pular e dançar. “Quem ficar parado é petista disfarçado” e “fora, PT, aqui não é seu lugar“ estão entre os versos mais cantados pelo público. Jingles da campanha de aliados de Flávio também embalam os manifestantes, como “Nikolas Ferreira bota a esquerda pra correr” e “Ô Tarcísio, Tarcísio”.
No sábado (17), o senador esteve pela manhã no Espírito Santo ao lado do candidato ao governo capixaba Lorenzo Pazolini (Republicanos) e do senador Magno Malta (PL). No mesmo dia, o Bloco do 22 também foi realizado em Salvador, na Bahia, durante a tarde.
Na noite deste domingo, Flávio participa do debate entre os presidenciáveis realizado pela Rede Bandeirantes em parceria com Estadão, TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan. O presidente Lula também confirmou presença e este será o primeiro enfrentamento direto entre os dois candidatos desde o início da campanha eleitoral.
Neste domingo, o presidente Lula (PT) não tem agendas públicas além do debate da Band. No entanto, há atos públicos em prol do petista em todo o país, e a campanha tem apostado em manifestações descentralizadas: diversas entidades e diretórios do PT e de siglas aliadas vêm realizando eventos nos últimos dias para angariar apoio a Lula.
A ideia do partido, segundo apurou o GLOBO, é incentivar os movimentos mais orgânicos e localizados, com autoridades como o próprio presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e outros políticos aliados participando quando possível. Neste domingo, por exemplo, estão previstos “atos pela democracia” convocados por artistas em diversas capitais. Em São Paulo, Emicida, Rashid e Julia Costa, entre outros nomes do rap, realizam uma manifestação pró-Lula na Zona Norte. No Rio, Caetano Veloso e outros artistas farão um ato em Copacabana e, em Salvador, Gilberto Gil, BaianaSystem e Daniela Mercury também convocaram evento para apoiar Lula.
No domingo passado, Lula participou de um ato na Paulista, acompanhado do vice-presidente e de outras lideranças, como o candidato derrotado do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) e o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL).
Inicialmente, o ato era organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e por centros acadêmicos universitários, que se mobilizaram espontaneamente após o resultado do primeiro turno. Ao longo da semana, ganhou a adesão de movimentos organizados da esquerda. Lula confirmou a presença apenas na véspera, quando estava claro que a mobilização seria grande.
As fotos aéreas mostram que o público ocupou diversos quarteirões da avenida. A ONG More in Common, que costuma estimar a contagem de grandes concentrações na Paulista, não divulgou dados porque não teve autorização para fotografar a região com drones.
Antes de discursar, Lula apresentou à multidão da Paulista os governadores petistas reeleitos no Nordeste no primeiro turno. Discursaram antes do presidente Jerônimo Rodrigues, da Bahia, Rafael Fonteles, do Piauí, e Elmano de Freitas, do Ceará. Ao se dirigir ao público, Lula pediu foco na conversa com os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Parte dos manifestantes empunhava cartazes e imagens de Nossa Senhora de Aparecida, que virou motivo de embate durante a campanha eleitoral após a divulgação de um projeto de lei, arquivado há quase 20 anos, cujo objetivo era retirar da santa o título de padroeira do Brasil. Também se destacavam bandeiras de legendas como PSTU, UP, PSB e faixas em apoio a pautas associadas ao petista, como o fim da escala 6×1 e o Bolsa Família.
BS20261018133802.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/10/18/sem-bandeiras-de-outros-paises-organizacao-de-ato-de-flavio-na-paulista-pede-que-apoiadores-escondam-bandeiras-de-eua-e-israel.ghtml

Candidatos se enfrentam em debate da Band, o primeiro comparecido pelos dois desta eleição

Candidatos se enfrentam em debate da Band, o primeiro comparecido pelos dois desta eleição

Senador atuou na Justiça como advogado do PM suspeito de efetuar o disparo que matou a menina em fevereiro de 2021

Montagens ironizam o bolsonarista e o comparam a um papagaio ou ao personagem Alexandre Toledo — um espírito na novela 'A Viagem'
