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Mudanças valerão a partir de 2027, mas foram votadas em meio ao período eleitoral

O Senado aprovou nesta quinta-feira um projeto que aumenta o teto de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs) e perdoa dívidas tributárias desses profissionais. As propostas fazem parte do pacote “Prospera MEI”, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira, a 12 dias do segundo turno das eleições.
Foram 78 votos a favor e nenhum contra no Senado. O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira. O projeto foi incluído na pauta do Senado após o início da sessão de hoje, e relatado pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT), ex-ministro da Agricultura do governo petista.
O relator acatou uma emenda de redação e rejeitou outra, que elevava também o teto de faturamento de Microempresas (ME). Com a aprovação, o projeto seguirá para sanção presidencial.
O primeiro ponto do projeto eleva o limite de faturamento anual dos microempreendedores individuais dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027. Esse valor sobe para $ 140 mil em 2028. Isso representa um aumento de cerca de 73% em relação ao teto atual.
Na prática, a mudança permitirá que profissionais tenham receitas maiores sem precisar deixar o regime de tributação simplificado. O limite atual está em vigor desde 2018.
No caso de início de atividades do microempreendedor, o limite será de R$ 9.166,67 por mês, em 2027, e R$ 11.666,67 por mês, em 2028.
O impacto fiscal estimado para a medida é de aproximadamente R$ 1,57 bilhão em 2027, de R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029, segundo cálculos do governo.
O aumento do teto do MEI foi anunciado pelo governo em meados do ano, mas não havia sido aprovado até agora.
A proposta ainda permite que um MEI contrate até dois empregados que recebam exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional. Atualmente, a legislação permite que o MEI contrate apenas um empregado.
O texto aprovado incorporou ainda o prevê o perdão de dívidas tributárias de microempreendedores individuais. A proposta original do governo contemplava apenas os débitos já inscritos na Dívida Ativa da União, mas a Câmara dos Deputados ampliou o benefício para incluir também as dívidas que ainda não foram inscritas.
Com isso, o perdão terá um alcance maior do que o previsto inicialmente pelo Executivo, beneficiando também contribuintes com pendências tributárias que ainda não chegaram à fase de cobrança pela dívida ativa.
No total, os débitos perdoados subirão R$ 16 bilhões após a inclusão das dívidas ainda não inscritas na Dívida Ativa da União.A ampliação representa um custo adicional de aproximadamente R$ 3 bilhões.
O projeto concede perdão integral dos créditos de MEIs inscritos na dívida até 13 de outubro de 2026. O beneficiário deverá manter, como contrapartida, a adimplência dos recolhimentos de contribuição com vencimento nos seis meses subsequentes à data de entrada em vigor da futura lei, sob pena de cancelamento da remissão.
O texto aprovado estabelece que a lei entrará em vigor na data de sua publicação, mas produzirá efeitos apenas a partir de 1º de janeiro de 2027. Dessa forma, a proposta poderá ser sancionada ainda neste ano, mas as novas regras começarão a valer somente no ano que vem.
O Prospera MEI é um pacote de cinco medidas anunciado pelo governo Lula para reduzir o endividamento dos microempreendedores individuais. Além das propostas aprovadas pela Câmara nesta quarta-feira, o pacote inclui outras três iniciativas que não passaram por votação no Congresso
BS20261015215202.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/15/senado-aprova-aumento-do-teto-do-mei-e-perdao-de-dividas-tributarias-propostas-por-lula-as-vesperas-do-2o-turno.ghtml

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