POLÍTICA

Superpresídio, crime organizado, maioridade penal: Caiado, Zema e Renan miram na segurança para alavancar candidaturas

29 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Propostas para o combate à criminalidade ganharam projeção nos discursos realizados durante as convenções partidárias dos candidatos da direita

Da esquerda para a direita: Romeu Zema, Renan Santos e Ronaldo Caiado | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil; Lula Marques/Agência Brasil; Reprodução

Em disputa pelo voto dos eleitores de direita com o senador Flávio Bolsonaro (PL), os presidenciáveis Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) focaram na discussão sobre segurança pública no lançamento de suas campanhas nas últimas semanas. Descrito como a principal preocupação dos brasileiros nas pesquisas de intenção de voto, o tema também tem se tornado alvo de disputas entre os nomes que buscam rivalizar com o bolsonarismo e se contrapor ao governo Lula.

O tema foi explorado por Zema na última segunda-feira, durante a convenção nacional do Novo. Na ocasião, o ex-governador disse que, caso eleito, construirá um “superpresídio” de segurança máxima em uma região remota da região Amazônica para isolar lideranças criminosas por “pelo menos 25 anos”. A medida é inspirada no modelo de “encarceramento em massa” criado pelo presidente Nayib Bukele em El Salvador, visitado mineiro no ano passado.

A proposta também inclui a proibição das visitas íntimas e das “saidinhas” temporárias, acrescentou o ex-governador em entrevista ao Metrópoles. Em paralelo, Zema também se colocou a favor da classificação das facções brasileiras como organizações terroristas. Aplicado pelo governo dos Estados Unidos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho, o rótulo tem sido defendido pela campanha de Flávio, que articulou pela medida durante uma visita do senador à Casa Branca em maio.

O anúncio, no entanto, foi criticado pelo Planalto, que considerou a medida como uma tentativa de interferência estrangeira e uma ameaça à soberania nacional. A resposta do governo tem sido rechaçada pela direita, que acusa a gestão federal de não atuar no combate ao crime organizado.

— Quero que o Brasil retome a soberania que estamos perdendo. Tem gente falando que [o Brasil] está perdendo soberania porque os Estados Unidos enquadraram facções como terroristas. O Brasil é que já deveria ter feito isso há muito tempo — disse o ex-governador mineiro durante o encontro partidário do Novo.

O assunto também foi discutido por Caiado durante a convenção nacional do PSD no último domingo. Em entrevista coletiva antes de subir ao palco, o goiano afirmou que, para concorrer ao Planalto, o candidato à presidência precisa “de independência moral” e de “coragem para libertar o país do sequestro do PT e das facções”.

O ex-governador também repetiu o mote “comigo, bandido não se cria”, já usado por ele em vídeos de divulgação da candidatura, e propôs o confisco de bens de condenados por violência contra mulheres. Desde o início da pré-campanha, o ex-governador tem usado lema de combate ao feminicídio para entrar na discussão sobre segurança pública.

— Vou avançar mais: vou iniciar no nosso mandato algo inédito. Vou confiscar o patrimônio do agressor e vou transferir para a mulher e seus filhos. Aí, além da pena que será dura — não terá diminuição da pena —, o patrimônio dele também será transferido para a vítima, para a mulher que ali foi agredida — afirmou Caiado.

O confisco de bens de criminosos também virou proposta de campanha de Renan Santos, que prevê a aplicação da medida para faccionados. Além disso, ele tem defendido o endurecimento das penas, a federalização de todos os casos relacionados a facções, o tratamento do combate ao narcotráfico como uma questão de segurança nacional e a realização de intervenções em estados controlados por organizações criminosas”

“Desde o primeiro dia do governo, estaremos em campanha contra o crime organizado, utilizando os mecanismos da GLO [Garantia da Lei e da Ordem] e do Estado de Defesa para romper o controle territorial das facções”, afirma o candidato em seu plano, divulgado na semana passada, no dia seguinte à convenção nacional do Missão. O encontro partidário precisou ser antecipado e realizado às pressas para que, segundo o candidato, ele passasse a ter acesso à escolta da Polícia Federal para a prevenção das ameaças recebidas por ele.


BS20260729063033.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/29/superpresidio-crime-organizado-maioridade-penal-caiado-zema-e-renan-miram-na-seguranca-para-alavancar-candidaturas.ghtml

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