Tarifaço, visto de embaixadora e guerra da Ucrânia: o que pode entrar na conversa entre Lula e Trump
6 de agosto, 2026
| Por: Agência O Globo
Presidente sinalizou a aliados de partidos da esquerda, nesta quarta-feira, que buscaria falar com o americano na próxima semana
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Com a possibilidade de uma conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump no radar, aliados do petista dizem que é preciso usar a oportunidade com o americano para tentar baixar a fervura na relação com o governo dos Estados Unidos.
Nas últimas semanas, uma série de episódios levaram a um momento agudo na relação entre os dois países, instaurando uma crise diplomática. O governo dos Estados Unidos impôs nova rodada de tarifas contra os produtos brasileiros e, mais recentemente, a revogação temporária do visto da atual embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
Como o GLOBO revelou, Lula sinalizou a aliados de partidos da esquerda, nesta quarta-feira, que buscaria falar com o presidente dos Estados Unidos na próxima semana. Uma pessoa que acompanha as conversas diz que ainda não há data para o telefonema. A fala de Lula ocorreu num momento em que o petista defendeu o fim da guerra na Ucrânia e criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU para conseguir encerrar o conflito. De acordo com relatos, o petista não disse quais outros temas deverá discutir, mas interlocutores afirmam que o presidente deve usar o momento para tratar de outros assuntos.
A expectativa é que possam ser discutidos temas como as tarifas que foram impostas aos produtos brasileiros, criticadas pelo governo federal, e até mesmo a celeuma que levou à revogação temporária do visto da embaixadora brasileira. O governo Lula acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) após o novo tarifaço imposto por Trump e ainda busca, por meio das negociações e vias diplomáticas, reduzir o impacto dessa medida.
O entorno de Lula diz que as duas medidas tiveram motivações políticas para prejudicar o presidente nas eleições e favorecer seu principal adversário na disputa, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem a simpatia de Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio. Diante desse cenário, integrantes do Planalto reforçaram que deverão usar isso para atacar Flávio, acusando o senador de atuar contra os interesses do Brasil. O discurso de defesa da soberania, que já tem sido usado por governistas e pelo próprio Lula, deverá ser reforçado.
Na terça, o governo americano anunciou a revogação do visto de Viotti, devido à ausência de concessão do agrément (aceitação diplomática) ao embaixador indicado pelos EUA para atuar em Brasília. A decisão da administração Trump foi uma medida de reciprocidade, segundo um porta-voz do Departamento de Estado, pelo não aval do governo do Brasil ao nome de Daniel Perez, indicado pelos EUA para assumir funções como novo embaixador em Brasília. O entorno de Lula diz que o petista indicou que não deverá conceder nenhum agrément até o fim das eleições.
Um aliado que esteve na conversa entre Lula e políticos do PSOL e Rede diz que o presidente também indicou que o governo brasileiro estava analisando os cenários e qual resposta daria a essa atitude do governo americano.
Além disso, interlocutores do petista dizem ser importante chamar atenção para esses fatos, falando que isso seria uma tentativa do governo americano em interferir nas eleições de outubro.