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Traficante em ‘Verônika com K’, ator largou exército para ser artista e agora vive primeiro protagonista: ‘Suei frio’

23 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Dhério Chagas conta que foi criado por família adotiva no Méier, Zona Norte do Rio

Rod (Dhério Chagas) em ‘Verônika com K’ — Foto: Rede Globo/ Reprodução

Rod bota medo como traficante do fictício Morro São Jerônimo em “Verônika com K”, série do Globoplay disponibilizada na última quinta-feira (22) na plataforma. Fora da ficção, o intérprete do bandido, Dhério Chagas, foi criado num ambiente completamente oposto do personagem. Cria do Méier, Zona Norte do Rio, ele estava prestes a iniciar sua carreira como militar quando decidiu abandonar tudo para virar ator. Segurar um armamento, mesmo que cenográfico, é um incômodo para o artista de 44 anos.

— Nem nos bastidores eu fico com arma. Quando dá o corte na cena, eu tiro. Eu tento não ficar com ela no meu corpo, porque é uma coisa que eu não tenho costume. Sempre foi difícil. Muitas vezes fui chamado para fazer o teste ser traficante, o bandido. Já ouvi muita gente falar “é mais fácil para você, né?” — afirma o ator que, escalado para outro personagem, aceitou a proposta para fazer o traficante protagonista da série:

— No set de gravação ficava com muito medo, nervoso e suava frio.

O artista contou sobre os desafios de viver um traficante, já que é um ambiente completamente diferente do dele.

— É complicado. Minha vida foi totalmente diferente. Fui muito privilegiado. Quando eu desejava viajar, eu ia viajar. Estudei em colégio particular, mesmo eu sendo um dos poucos negros lá. A realidade do Rod é muito distante de mim — analisa.

Nesta sexta-feira (23), o ator completa 44 anos e festeja seu atual momento, em sua primeira vez como protagonista, depois de 20 anos de sua estreia na televisão, em “Sinhá Moça” (2006).

— Sempre galguei ser protagonista. Quando comecei a carreira, eu já tinha na cabeça que eu queria ser grande dentro da profissão. E eu não tô falando sobre fama. Então sempre tive isso na minha alça de mira. As oportunidades antigamente eram diferentes. Era só um ator preto por produção, então a gente disputava com todos nossos amigos só um personagem. Chego num momento importante da minha vida com uma maturidade maior — reflete.

André Luiz Miranda, Roberta Rodrigues e Dhério Chagas em "Verônika com K" — Foto: Divulgação
André Luiz Miranda, Roberta Rodrigues e Dhério Chagas em “Verônika com K” — Foto: Divulgação

Mineiro de Governador Valadares, Dhério para o Rio de Janeiro com três meses de vida após ter sido adotado.

— Minha mãe (Elisa) foi adotar uma menina loira de olhos azuis e uma pessoa falou que tinha uma outra família. Ela foi me ver e voltou comigo nos braços. Como meu pai era major do exército, acabou vindo para o Rio. Eles se instalaram na cidade e nunca mais saíram — conta o ator, que não conheceu seus pais biológicos:

— Nunca quis conhecê-los. Minha mãe nunca escondeu que eu era adotivo, até porque foi uma família branca que me adotou. Quando comecei a ficar adolescente, pensei; “pô, mas se eu tiver algum problema genético? Se eu precisar de alguma doação de órgãos que só alguém da minha família biológica possa ser compatível?” Uma piração, né?. Depois, esse pensamento passou.

BS20261023061501.1 – https://extra.globo.com/entretenimento/noticia/2026/10/traficante-em-veronika-com-k-ator-largou-exercito-para-ser-artista-e-agora-vive-primeiro-protagonista-suei-frio.ghtml

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