Transparência Internacional critica pagamento de estadias a Ciro Nogueira e Motta por Vorcaro e fala em ‘hoteis luxuosos’
18 de junho, 2026
| Por: Agência O Globo
Mensagens obtidas pelos agentes mostram que o banqueiro bancou a estadia dos parlamentares em Lisboa, em junho de 2024
Foto: Lula Marques/Agência Brasil.
A ONG Transparência Internacional-Brasil reagiu na quarta-feira aos desdobramentos recentes das investigações da Polícia Federal (PF) no caso Master que envolvem o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Mensagens obtidas pelos agentes mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro bancou a estadia dos parlamentares em Lisboa, em junho de 2024.
“Enquanto milhares de aposentados viam seus fundos de pensão em risco, duas das principais lideranças do Congresso estavam hospedadas, segundo a PF, em um dos hotéis mais luxuosos de Lisboa com despesas atribuídas a Daniel Vorcaro”, diz a ONG.
A Transparência Internacional-Brasil também questiona: “Quando um banqueiro passa a bancar o conforto de algumas das autoridades mais poderosas do país, quem exatamente está pagando a conta?”.
Questionado por jornalistas sobre o caso, Motta disse na terça-feira ter tranquilidade em relação às apurações e classificou o encontro na capital portuguesa como um evento corporativo e jurídico.
— Não vejo problema, é um evento corporativo, um encontro jurídico, que inclusive participei esse ano já como presidente da Câmara, então não vejo problema algum — afirmou.
No caso de Ciro Nogueira, a PF estima que o senador teve um “benefício econômico direto” de pelo menos R$ 468.721,78 com viagens e jantares pagos por Vorcaro. A conta considera jantares pagos em Paris e diárias de até R$ 24 mil em hotéis de Nova York e Lisboa, assim como refeições em restaurantes em estação de esqui em Courchevel, França.
Os pagamentos das despesas foram um dos fatores usados pela PF para afirmar que existe uma “relação pessoal estreita, contínua e marcada por elevado grau de intimidade” entre Vorcaro e Ciro Nogueira. Segundo os investigadores, as mensagens trocadas entre a dupla mostram um “vínculo que extrapola os limites de mera cordialidade ou convivência ocasional, assumindo contornos de amizade íntima e declarada”. Em um dos diálogos, Vorcaro diz que Ciro é um de seus “grandes amigos de vida”.
Em paralelo, a PF cita “indícios robustos, convergentes e reiterados da concessão de vantagens patrimoniais e financeiras indevidas” em favor de Ciro, concedidas direta ou indiretamente por Vorcaro, “configurando um padrão contínuo de benefícios incompatível com relações pessoais ou negociais regulares”.