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Ultramaratonista brasileira atravessa o Salar de Uyuni em menos de 20 horas e bate novo recorde

28 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Fernanda Maciel completou os 170 quilômetros entre Llica e Uyuni, na Bolívia, em 19h50min08s; brasileira superou em 13 horas a marca anterior

Fernanda Maciel em travessia do Salar de Uyuni, na Bolívia — Foto: Reprodução / Instagram / @fernandamaciel_oficial

A ultramaratonista brasileira Fernanda Maciel atravessou o Salar de Uyuni, na Bolívia, em menos de 20 horas e estabeleceu um novo recorde para o percurso. A atleta completou os cerca de 170 quilômetros entre Llica e Uyuni em 19h50min08s, superando em aproximadamente 13 horas a marca anterior. O feito ocorreu em um dos ambientes mais extremos do planeta, a cerca de 3.700 metros de altitude.

Maciel iniciou a travessia às 5h do dia 28 de setembro, partindo de Llica. Durante o percurso, enfrentou um terreno considerado traiçoeiro, com lama, trechos de água rasa e buracos. O recorde anterior pertencia ao brasileiro Valmor Giuseppe Leonardo, que havia completado o trajeto em 33h04min10s.

Desgaste físico durante a travessia

Especialista em corridas de montanha, Fernanda afirmou que precisou adaptar o ritmo para conseguir manter o esforço durante as quase 20 horas de atividade. O desgaste, segundo ela, foi especialmente intenso nas pernas.

— Tive que adaptá-las a um ritmo que permitisse ao meu corpo correr, de forma confortável, 170 quilômetros em altitude, no deserto. Meu corpo inteiro estava exausto… Minhas pernas estavam destruídas; eu já não conseguia mais alongar a passada — relatou a atleta ao jornal francês L’Équipe.

A brasileira acumula uma trajetória marcada por desafios em ambientes extremos. Ela começou a ganhar destaque há cerca de 15 anos, com a vitória na TDS, em Chamonix, em 2009, e o quarto lugar no UTMB Mont-Blanc em 2010 e 2014. Também conquistou dois terceiros lugares na Marathon des Sables, em 2016 e 2017.

Recordes nos Sete Cumes

Fernanda também coleciona marcas em montanhas que fazem parte dos chamados Sete Cumes, conjunto dos picos mais altos de cada continente. Entre os recordes estão os conquistados no Aconcágua, na Argentina; no Kilimanjaro, na Tanzânia; no Gran Paradiso, na Itália; no monte Vinson, na Antártida; e na Pirâmide de Carstensz, na Oceania.

No Vinson, o ponto mais alto da Antártida, a brasileira completou a subida e a descida em 9h41min. A subida até o cume levou 6h40min, marca que a tornou a pessoa mais rápida a chegar ao topo da montanha. O percurso normalmente leva de cinco a sete dias para ser realizado por outros atletas.

Na ocasião, Fernanda desceu sem auxílio de oxigênio, carregando água, comida e roupas extras, sob temperatura de -36°C. Durante a expedição, sofreu congelamento nas pontas dos dedos das mãos.

Na Pirâmide de Carstensz, montanha de 4.884 metros localizada na ilha de Nova Guiné, na Indonésia, ela estabeleceu dois recordes: completou a subida e a descida em 1h48min e fez a ascensão mais rápida entre as mulheres, em 1h04min. A região é conhecida pelas chuvas constantes, trilhas íngremes e condições adversas.

Quem é Fernanda Maciel

Natural de Minas Gerais e atualmente morando na França, Fernanda é formada em Direito e trabalhou como advogada ambiental antes de abandonar a carreira jurídica para se dedicar às ultramaratonas. O esporte, segundo as informações sobre sua trajetória, também é uma ferramenta para chamar a atenção para a preservação de ambientes vulneráveis.

Em suas expedições, a brasileira já realizou ações relacionadas à conscientização ambiental e iniciativas sociais. No Kilimanjaro, visitou um orfanato local e apoiou crianças da região. No Aconcágua, trabalhou com autoridades argentinas em ações de conscientização sobre o impacto ambiental provocado por alpinistas.

Além dos desafios nos Sete Cumes, Fernanda já percorreu os 860 quilômetros do Caminho de Santiago em 10 dias e se tornou a primeira mulher a completar a subida e a descida do Aconcágua em menos de 24 horas.

Após a expedição à Pirâmide de Carstensz, ela também enfrentou problemas de saúde depois de contrair um parasita durante sua passagem pela Indonésia. Em entrevista ao UOL, contou que ficou debilitada e passou dias sem conseguir se alimentar adequadamente.

BS20261028163641.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/10/28/ultramaratonista-brasileira-atravessa-o-salar-de-uyuni-em-menos-de-20-horas-e-bate-novo-recorde.ghtml

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