União-PP reforça afastamento de Flávio e deve confirmar neutralidade, mas Republicanos mantém negociação por aliança com PL
21 de julho, 2026
| Por: Agência O Globo
Pré-candidato do PL tentou diálogo com dirigentes do Centrão durante convenção do União-PP em SP, mas eles vão se ausentar
Presidente do PP, Ciro Nogueira – Foto: Lula Marques/Agência Brasil.
A cinco dias da convenção do PL que deve confirmar Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, os principais partidos do Centrão ainda não bateram o martelo sobre quem vão apoiar, mas indicam um cenário de distanciamento do pré-candidato bolsonarista.
A tendência da federação formada por União Brasil e PP é a neutralidade, assim como é hoje o caminho que o Republicanos avalia tomar.
Os três partidos devem fazer suas convenções no início de agosto, perto do prazo final para as definições.
Flávio tenta ainda um movimento de reaproximação com essas legendas, mas a maior parte dos presidentes desses partidos não dá sinais de que haverá um acordo para entrarem na coligação do PL.
O presidenciável do PL tenta usar a convenção estadual da federação União-PP em São Paulo para tentar criar pontes com os três partidos. O evento deve confirmar o apoio dos diretórios estaduais das duas legendas a Flávio e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vai tentar a reeleição.
Apesar disso, os presidentes do Republicanos, Marcos Pereira, do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, não vão comparecer ao evento.
No horário do evento Rueda vai estar em um compromisso do partido Maranhão. Já Ciro vai estar no Piauí participando de um evento de sua pré-campanha à reeleição a senador.
Por sua vez, Pereira, que é presidente do partido do governador, disse que vai estar no interior de São Paulo articulando sua pré-campanha à reeleição como deputado.
Apesar do distanciamento, há ainda uma porta aberta de negociação com o Republicanos. A sigla indica adotar neutralidade, mas também avalia se entra ou não na coligação de Flávio.
As condições para um acordo nacional passariam pelo Republicanos indicar a vice na chapa do PL e pelo apoio do partido de Flávio a candidatos do Republicanos em alguns estados.
Mesmo assim, o presidente do partido, Marcos Pereira, tem indicado pessimismo com aliança e aponta dificuldades no apoio do PL a candidatos do Republicanos a governadores, condição colocada como essencial para um acordo nacional. Pereira quer que o PL abra mão de candidaturas em Mato Grosso e Roraima para que haja apoio ao seu partido.
Uma aliança em Minas também faz parte da aproximação entre as duas legendas, mas isso ainda vai depender se o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) vai confirmar se vai concorrer ou não ao governo.
Pereira não falou diretamente com Flávio sobre um acordo com o PL e tem reclamado do que considera uma falta de esforço do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio e responsável pelas articulações.
Da mesma forma, a federação União Brasil-PP ainda não anunciou publicamente qual será a posição, mas integrantes da cúpula das duas legendas veem como improvável um apoio a Flávio e dizem que o caminho mais provável é a neutralidade.
Integrantes do comando nacional da federação admitem que haverá apoio de alguns líderes locais a Flávio, mas somente em estados em que candidatos bolsonaristas aparecem como favoritos ou fortemente competitivos para a eleição de governador, como em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
No Rio de Janeiro, berço político do próprio Flávio, há uma tendência de recuo de uma aliança entre a federação e o PL, algo que Flávio tenta impedir.
A federação União-PP tinha fechado um acordo para apoiar Douglas Ruas (PL) para o governo do Rio e dar palanque para Flávio no estado. Diante do enfraquecimento do PL no estado e do desgaste nacional que também atinge o presidenciável do PL, o grupo agora avalia neutralidade também no Rio e busca tentar focar na eleição de deputados federais.
A relação de proximidade entre Flávio e Daniel Vorcaro, protagonista do escândalo de fraude financeira do banco Master, afastou um apoio dos partidos do Centrão ao pré-candidato do PL.
O presidente do PP, Ciro Nogueira, que já foi alvo de operação da Polícia Federal que investigou o uso de seu mandato para beneficiar Vorcaro, é um dos principais responsáveis pelo afastamento.
Ciro tem negado irregularidades e se queixou a aliados da forma como Flávio tratou o episódio da operação da PF, adotando distanciamento político.