
Mpox: vacinação direcionada a grupos de maior risco se mostra eficaz, aponta estudo
Para especialista, ainda não há necessidade de vacinação em massa

Alexandre Padilha afirmou que houve 42 episódios de ‘reações mais severas’ registradas; duas mortes estão sob investigação

O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram nesta segunda-feira a suspensão da aplicação e o recolhimento da vacina do Instituto Butantan contra a dengue. A decisão é temporária e foi tomada após serem identificados 42 casos de ‘reações mais severas’, o que incluiu consequências que não haviam sido registradas nas pesquisas. O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou que duas mortes estão em investigação. A medida não atinge a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, que é aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS) e em laboratórios privados.
Dengue: qual é a diferença da vacina do Butantan que foi suspensa e a fabricada pelo laboratório Takeda?
— Muitas vezes na área da saúde a precaução é a melhor medida. Em função disso, nós estamos tomando uma decisão de descontinuar a atual estratégia de uso da vacina do Butantan — disse Padilha. — Dentro dos 42 casos, chegamos a ter duas situações de óbitos, em que não existem dados suficientes para estabelecer causalidade entre tomar a vacina e esses óbitos.
Uma das mortes sob investigação é de uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave e teve comprometimento neurológico 19 dias após ser imunizada. O outro é de um homem de 58 anos, que teve febre alta e sintomas de dengue grava cinco dias depois de receber a vacina.
Além das duas mortes, houve um terceiro caso identificado como mais grave. Uma mulher de 39 anos teve febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacina. Ela chegou a ser internada na UTI, mas teve alta.
Padilha acrescentou que a vacina foi aplicada em 500 mil pessoas até o momento e que haverá uma reunião com gestores estaduais para apresentar todos os detalhes da medida. As autoridades recomendaram, no entanto, atenção especial para quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias. Nesse período, a orientação é procurar atendimento médico caso surjam sintomas como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral. O objetivo é permitir a identificação precoce de eventuais reações adversas e garantir acompanhamento adequado dos pacientes.
A vacina do Butantan foi aplicada de forma ampliada, dos 15 aos 59 anos, em Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP) , e na região de Araguaína, no Tocantins. Também foram vacinados profissionais de atenção primária à saúde, espalhados por todo o país. Das 500 mil doses, mais de 400 mil foram para profissionais de saúde, e o restante foi direcionada para as regiões onde houve a imunização ampliada. O imunizante Qdenga, que não foi atingido pela medida e está disponível no SUS, já teve cerca de 8 milhões de doses aplicadas, segundo Padilha.
— A gente reforça para as pessoas que tomaram a vacina que elas estão protegidas. Os dados de eficácia mostram que protege contra os quatro tipos (de dengue). E vamos fazer uma menção especial a quem tenha tomado nos últimos 21 dias: ter um acompanhamento especial para identificar se acabam desencadeando ou não algum desses sinais de alerta, ou qualquer reação adversa, para que a gente possa registrar e agir da melhor forma possível — disse o ministro.
O ministério, a Anvisa e o Butantan estão analisando os detalhes dos 42 casos em que foram registradas reações mais severas para aprofundar a investigação e buscar os possíveis fatores de risco.
Segundo o Ministério da Saúde, os 42 episódios de reações mais severas temporalmente associadas à imunização, equivalem a 0,008% do total de vacinados. Os casos apresentaram sinais de alerta semelhantes aos observados em quadros graves de dengue, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos.
O anúncio foi feito em coletiva de imprensa realizada em Brasília, com participação de representantes da pasta e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
— O nosso compromisso é com o máximo rigor cientifico possível. A gente vai trabalhar nesse sentido, com a esperança de que vamos conseguir dados suficientes para mostrar que a vacina tem beneficio para a saúde publica brasileira e que pode ser retomada essa vacinação — afirmou o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.
— A decisão não invalida a eficácia da vacina. A população vacinada continua protegida — disse Eder Gatti Fernandes, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações.
A importância da imunização da população foi corroborada por Padilha:
— Ter uma vacina é uma estratégia fundamental para a gente evitar mortes nesse país. Nós faremos isso com a maior credibilidade possível, com a maior proteção e segurança para população brasileira.
A vacina Qdenga, que continua sendo aplicada normalmente, ficou disponível na rede privada no fim de 2023 e foi incorporado no SUS em fevereiro de 2024, inicialmente em municípios considerados prioritários devido à alta incidência da doença e à disponibilidade limitada de doses.
O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer uma vacina contra a dengue em um sistema público universal de saúde. Desde a incorporação do imunizante, o Ministério da Saúde tem ampliado gradualmente a estratégia de vacinação conforme a disponibilidade de doses.
A dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e continua sendo uma das principais arboviroses do país. Além da vacinação, autoridades de saúde reforçam que o combate aos criadouros do mosquito permanece como a principal medida de prevenção.
BS20260608174144.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/06/08/governo-dengue.ghtml

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