SAÚDE

Vacina contra a dengue: ministro da Saúde diz que ‘precaução é a melhor medida’ após governo suspender imunizante do Butantan

8 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Alexandre Padilha afirmou que houve 42 episódios de ‘reações mais severas’ registradas; duas mortes estão sob investigação

Foto: @unsplash / Divulgação

O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram nesta segunda-feira a suspensão da aplicação e o recolhimento da vacina do Instituto Butantan contra a dengue. A decisão é temporária e foi tomada após serem identificados 42 casos de ‘reações mais severas’, o que incluiu consequências que não haviam sido registradas nas pesquisas. O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou que duas mortes estão em investigação. A medida não atinge a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, que é aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS) e em laboratórios privados.

Dengue: qual é a diferença da vacina do Butantan que foi suspensa e a fabricada pelo laboratório Takeda?

— Muitas vezes na área da saúde a precaução é a melhor medida. Em função disso, nós estamos tomando uma decisão de descontinuar a atual estratégia de uso da vacina do Butantan — disse Padilha. — Dentro dos 42 casos, chegamos a ter duas situações de óbitos, em que não existem dados suficientes para estabelecer causalidade entre tomar a vacina e esses óbitos.

Uma das mortes sob investigação é de uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave e teve comprometimento neurológico 19 dias após ser imunizada. O outro é de um homem de 58 anos, que teve febre alta e sintomas de dengue grava cinco dias depois de receber a vacina.

Além das duas mortes, houve um terceiro caso identificado como mais grave. Uma mulher de 39 anos teve febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacina. Ela chegou a ser internada na UTI, mas teve alta.

Padilha acrescentou que a vacina foi aplicada em 500 mil pessoas até o momento e que haverá uma reunião com gestores estaduais para apresentar todos os detalhes da medida. As autoridades recomendaram, no entanto, atenção especial para quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias. Nesse período, a orientação é procurar atendimento médico caso surjam sintomas como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral. O objetivo é permitir a identificação precoce de eventuais reações adversas e garantir acompanhamento adequado dos pacientes.

A vacina do Butantan foi aplicada de forma ampliada, dos 15 aos 59 anos, em Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP) , e na região de Araguaína, no Tocantins. Também foram vacinados profissionais de atenção primária à saúde, espalhados por todo o país. Das 500 mil doses, mais de 400 mil foram para profissionais de saúde, e o restante foi direcionada para as regiões onde houve a imunização ampliada. O imunizante Qdenga, que não foi atingido pela medida e está disponível no SUS, já teve cerca de 8 milhões de doses aplicadas, segundo Padilha.

— A gente reforça para as pessoas que tomaram a vacina que elas estão protegidas. Os dados de eficácia mostram que protege contra os quatro tipos (de dengue). E vamos fazer uma menção especial a quem tenha tomado nos últimos 21 dias: ter um acompanhamento especial para identificar se acabam desencadeando ou não algum desses sinais de alerta, ou qualquer reação adversa, para que a gente possa registrar e agir da melhor forma possível — disse o ministro.

O ministério, a Anvisa e o Butantan estão analisando os detalhes dos 42 casos em que foram registradas reações mais severas para aprofundar a investigação e buscar os possíveis fatores de risco.

Segundo o Ministério da Saúde, os 42 episódios de reações mais severas temporalmente associadas à imunização, equivalem a 0,008% do total de vacinados. Os casos apresentaram sinais de alerta semelhantes aos observados em quadros graves de dengue, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos.

O anúncio foi feito em coletiva de imprensa realizada em Brasília, com participação de representantes da pasta e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

— O nosso compromisso é com o máximo rigor cientifico possível. A gente vai trabalhar nesse sentido, com a esperança de que vamos conseguir dados suficientes para mostrar que a vacina tem beneficio para a saúde publica brasileira e que pode ser retomada essa vacinação — afirmou o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.

— A decisão não invalida a eficácia da vacina. A população vacinada continua protegida — disse Eder Gatti Fernandes, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações.

A importância da imunização da população foi corroborada por Padilha:

— Ter uma vacina é uma estratégia fundamental para a gente evitar mortes nesse país. Nós faremos isso com a maior credibilidade possível, com a maior proteção e segurança para população brasileira.

Outra vacina contra a dengue


A vacina Qdenga, que continua sendo aplicada normalmente, ficou disponível na rede privada no fim de 2023 e foi incorporado no SUS em fevereiro de 2024, inicialmente em municípios considerados prioritários devido à alta incidência da doença e à disponibilidade limitada de doses.

O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer uma vacina contra a dengue em um sistema público universal de saúde. Desde a incorporação do imunizante, o Ministério da Saúde tem ampliado gradualmente a estratégia de vacinação conforme a disponibilidade de doses.

A dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e continua sendo uma das principais arboviroses do país. Além da vacinação, autoridades de saúde reforçam que o combate aos criadouros do mosquito permanece como a principal medida de prevenção.

BS20260608174144.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/06/08/governo-dengue.ghtml

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