POLÍTICA

Vacina, programa de especialistas e hospitais federais: entenda em cinco pontos a queda de Nísia

26 de fevereiro, 2025 | Por: Agência O Globo

A agora ex-ministra da Saúde foi substuída por Alexandre Padilha

A ministra da Saúde, Nisia Trindade, participa da abertura do Seminário para Concepção e Criação do Memorial da Pandemia da Covid-19 — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A demissão de Nísia Trindade do cargo de ministra da Saúde, confirmada pelo presidente Luiz Inácio Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira, aconteceu após sucessivos episódios de desgaste envolvendo a então titular da pasta, substituída por Alexandre Padilha (PT). Entre os pontos que fizeram a cientista social ser alvo de críticas estão a dificuldade de articulação política, a demora em tirar do papel o Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE), a epidemia de dengue, a gestão dos hospitais federais do Rio e o desperdício de vacinas.

Lula vinha reclamando com aliados da demora da pasta em gerar ações que pudessem ser usadas pelo governo como exemplos de impacto positivo na população — o presidente chegou ao seu índice mais baixo de popularidade nos três mandatos, como mostrou o Datafolha. A principal queixa era direcionada ao programa Mais Acesso a Especialistas, que tem como meta ampliar a oferta de consultas, exames e cirurgias na rede pública.

Nísia foi cobrada pelo presidente em mais de uma ocasião diante do avanço a passos lentos da iniciativa. O programa alcançou 99% dos municípios do país atendidos só em fevereiro, dez meses após ter sido lançado.

Articulação política

Nísia foi pressionada em diferentes momentos pela classe política, principalmente pelo Centrão para liberação de verbas. Congressistas reclamavam que não eram recebidos com frequência e relatavam dificuldades para conseguir recursos para as bases. A agora ex-ministra fez mudanças na equipe e buscou abrir mais a agenda para deputados e senadores, incluindo viagens. O movimento arrefeceu as críticas, mas não conseguiu aliviar totalmente a pressão.

Hospitais federais

A ex-ministra enfrentou impasses também entre correligionários, sendo alvo de uma ofensiva sindical e de setores do PT do Rio por causa de uma portaria sobre os hospitais federais do estado. As unidades, que o partido influencia por meio de indicações para cargos de comando, tiveram funções transferidas para o Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), que passaria a centralizar compras, por exemplo.

Lula chegou a falar publicamente, em dezembro do ano passado, que era preciso tratar com “respeito” os hospitais federais do Rio e que, se o governo federal não conseguisse cuidar, era preciso procurar um jeito melhor de administrá-los.

— Já que é para ter hospital, que ele seja um hospital de excelência e um motivo de orgulho para qualquer brasileiro. Não era possível a gente continuar vendo hospitais desfalcados de funcionários e de funcionamento de sala de cirurgia. Se o governo federal não tem condições, que a gente procure um jeito melhor de administrar — disse o presidente.

Quatro unidades estão passando por mudanças no modelo de gestão: os hospitais federais de Bonsucesso, Andaraí, Cardoso Fontes e Servidores do Estado — os de Andaraí e o Cardoso Fontes passaram a ser administrados pela Prefeitura do Rio.

Dengue

A passagem de Nísia foi marcada ainda por outras crises, como a explosão de casos de dengue, falhas na estratégia de vacinação e falta de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), como insulina. Em meio à escalada dos casos da doença em 2024, Lula reclamou com auxiliares que a Saúde errou ao gerar expectativa na população de que o governo teria vacina contra a doença, sendo que não havia doses disponíveis no mercado à época. No ano passado, Nísia chegou a passar por um treinamento com o marqueteiro Sidônio Palmeira, hoje ministro da Comunicação Social.

Vacinas

O Globo mostrou ainda que o governo federal deixou vencer 58,7 milhões de imunizantes desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente em 2023. A perda dos lotes representa um gasto de R$ 1,75 bilhão aos cofres públicos, um recorde desde os quatro anos do segundo mandato de Lula, quando o prejuízo acumulado foi de R$ 1,96 bilhão.


BS20250226063015.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/02/26/vacina-programa-de-especialistas-e-hospitais-federais-entenda-em-cinco-pontos-a-queda-de-nisia.ghtml

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