POLÍTICA

Valdemar diz que não há prova de esquema criminoso para desviar emendas e afirma ser ‘natural’ influenciar bancada do PL

10 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Em nota assinada por seus advogados, presidente do PL nega irregularidades, critica decisão de Flávio Dino e anuncia que irá recorrer

Valdemar Costa Neto – Foto: Marcello Casal Jr/ABr

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta sexta-feira que não há “qualquer prova, ou mesmo indício” de que tenha participado conscientemente de um suposto esquema criminoso para desviar emendas parlamentares e classificou como “natural e legítima” a atuação de um presidente de partido na articulação política com sua bancada.

As declarações foram feitas em nota divulgada por seus advogados, Marcelo Bessa e Thiago Fleury, em resposta à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do dirigente.

Na manifestação, a defesa sustenta que a decisão de Dino parte de “premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”.

Segundo os advogados, é próprio do sistema democrático que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada, sem que isso, por si só, configure crime.

Valdemar também rebate a tese de que teria aderido a um esquema criminoso. Na nota, seus advogados afirmam que não há demonstração de dolo, fraude, desvio de finalidade ou participação consciente do dirigente em qualquer irregularidade e ressaltam que a própria decisão reconhece não haver indicação de vantagem pessoal obtida por ele.

A defesa ainda destaca que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a decretação das medidas cautelares e critica o bloqueio patrimonial determinado pelo ministro. Para os advogados, a existência de uma investigação ainda em andamento não autoriza uma indisponibilidade ampla de bens nem qualquer presunção de culpa.

Por fim, a nota lamenta a divulgação pública de uma investigação ainda em fase preliminar, “especialmente em período de especial sensibilidade institucional e eleitoral”, e informa que recorrerá da decisão para demonstrar a inocência de Valdemar e reverter as medidas impostas pelo Supremo.

Na decisão desta sexta-feira, Dino afirmou que há “múltiplos indícios” de que Valdemar atuava na indicação e no redirecionamento de emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato eletivo.

Com base em mensagens extraídas de celulares apreendidos, planilhas e outros elementos reunidos pela Polícia Federal, o ministro sustentou que o presidente do PL, sem mandato parlamentar, teria exercido influência direta sobre a distribuição de recursos públicos, utilizando servidores da Câmara dos Deputados para operacionalizar as indicações e atribuindo formalmente as emendas a parlamentares para conferir aparência de legalidade ao procedimento.

Segundo Dino, a investigação aponta a existência de um “arranjo decisório paralelo” para a destinação das verbas, no qual assessores ligados ao esquema compilavam e organizavam planilhas com as emendas antes de encaminhá-las aos ministérios responsáveis pela liberação dos recursos. Para o ministro, os elementos reunidos até o momento indicam que Valdemar possuía autonomia para direcionar parte das emendas de comissão em razão de sua posição como presidente nacional do PL, mesmo sem ocupar cargo no Congresso.

Diante desse conjunto de indícios, o ministro determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar. O valor corresponde ao montante de 21 emendas cuja indicação, segundo a investigação, teria passado pelo dirigente partidário e que tiveram a execução suspensa no curso das apurações.


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