POLÍTICA

Veja as ferramentas usadas pela PF para acessar mensagens apagadas do banqueiro Daniel Vorcaro

9 de março, 2026 | Por: Agência O Globo

Cellebrite, GrayKey e IPED são alguns dos programas utilizados pela Polícia Federal para extrair dados de celulares, quebrar senhas e organizar evidências digitais

Daniel Vorcaro, do Banco Master – Reprodução

A análise do celular apreendido do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, envolveu o uso de ferramentas capazes de acessar informações mesmo quando elas foram apagadas ou protegidas por senha. Peritos da Polícia Federal utilizaram softwares especializados para copiar o conteúdo completo do aparelho, recuperar fragmentos de dados e rastrear registros de envio de mensagens e arquivos.

Segundo especialistas em perícia digital, esses programas costumam ser usados de forma complementar: enquanto alguns servem para desbloquear o dispositivo e realizar a extração bruta dos dados, outros são responsáveis por organizar e analisar o grande volume de arquivos obtidos durante a investigação. Conheça algumas das ferramentas usadas pela PF na investigação:

Cellebrite

O Cellebrite é uma das principais ferramentas utilizadas em perícias digitais para acessar dados armazenados em celulares. Desenvolvido por uma empresa israelense, o programa permite desbloquear dispositivos e realizar uma cópia completa do conteúdo do aparelho.

Esse procedimento, conhecido entre peritos como extração “bit por bit”, espelha todo o sistema do celular, copiando absolutamente tudo o que está armazenado no dispositivo. Isso inclui até fragmentos de dados que permanecem registrados no banco de dados do sistema mesmo depois que arquivos ou mensagens são apagados.

Essa característica permite rastrear registros de envio de mensagens, arquivos e imagens. Mesmo quando o conteúdo da mensagem não é recuperado integralmente, os logs do sistema podem indicar quando ela foi enviada, para quem e qual tipo de arquivo estava associado à conversa.

GrayKey

Outra ferramenta usada pela PF é o GrayKey, desenvolvido pela empresa americana Grayshift. O software tem como principal função desbloquear smartphones, especialmente aparelhos da Apple, conhecidos por sistemas de criptografia mais robustos.

Depois de contornar a senha do dispositivo, o programa faz o download completo do sistema de arquivos do celular. Isso permite aos peritos examinar mensagens, fotos, registros de chamadas e dados de aplicativos instalados no aparelho.

Assim como ocorre com outras ferramentas de perícia digital, o GrayKey também pode acessar fragmentos de dados armazenados no sistema, o que ajuda a rastrear informações mesmo após tentativas de exclusão.

IPED

Após a extração dos dados dos dispositivos, a PF utiliza o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais) para organizar e analisar o material coletado.

Como celulares modernos podem armazenar enormes volumes de informação, o programa permite estruturar os arquivos, facilitar a navegação entre eles e realizar buscas por palavras-chave em documentos e conversas.

O IPED também gera uma assinatura digital única para cada arquivo analisado, chamada de código hash. Essa sequência de letras e números serve para garantir a integridade das provas e verificar se o conteúdo foi alterado durante a investigação.

Ao criar pastas para facilitar a visualização dos dados, o sistema agrupa automaticamente arquivos com base em partes desse código. Especialistas destacam que essa organização não indica relação direta entre os conteúdos, já que arquivos diferentes podem aparecer na mesma pasta apenas por coincidência criptográfica. Portanto, se uma captura de tela e o contato de uma pessoa terminam na mesma pasta, trata-se apenas desse fato, e não de uma prova de envio.


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