POLÍTICA

Vorcaro declarou a gabinete de Mendonça que PF não queria ouvi-lo e reiterou intenção de delatar

3 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Banqueiro foi ouvido sem a presença da corporação

Banqueiro Daniel Vorcaro – Foto: Reprodução / YouTube

O banqueiro Daniel Vorcaro declarou em depoimento ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que tinha o maior interesse em fazer uma delação premiada, mas que a Polícia Federal não queria ouvi-lo. A fala foi feita durante um depoimento prestado a um juiz auxiliar de Mendonça, colhido no 19º Batalhão da Polícia Militar, a chamada Papudinha, onde o dono do Banco Master está preso desde março.

A audiência – revelada pela coluna da Bela Megale – durou cerca de 1h40, ocorreu em 27 de agosto e não contou com a presença de nenhum integrante da PF.  

Segundo interlocutores do dono do Banco Master, Vorcaro disse que tinha muito a falar, mas havia má vontade por parte da cúpula da PF em querer seguir com o acordo. Ele também relatou que havia sofrido intimidações psicológicas no período em que estava recluso na superintendência da PF – onde estava antes de ser transferido para a Papudinha.

No depoimento, o banqueiro afirmou que tem informações sobre irregularidades praticadas por pessoas que fazem parte do “atual governo”. Pessoas próximas a Vorcaro têm propalado a ideia de este é o motivo pelo qual a direção da PF não demonstraria interesse em firmar o acordo, sobretudo em período eleitoral.

Investigadores da PF refutam essa tese, dizendo que ele não relatou nenhum fato novo ou indicou meios de prova que justificassem a utilidade da colaboração premiada.

Integrantes da PF ainda classificaram as declarações sobre “intimidação psicológica” como “fantasias” que fazem parte de uma estratégica dele de fechar uma delação sem a presença da corporação.

Procurada, a Polícia Federal disse que não irá se pronunciar. Procurados, os advogados Daniel Bialski e Sergio Leonardo, que representam Vorcaro, afirmaram que não vão se manifestar. 

Em nota, o gabinete de Mendonça disse que o depoimento aconteceu por “requerimento expresso da defesa” de Vorcaro. Segundo o texto, os advogados dele pediram a oitiva sob o pretexto de que ele “relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência”. O gabinete do ministro afirmou que não comentaria o conteúdo da audiência, que “é resguardado por sigilo legal”.

“A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal, e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido. Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, diz a nota enviada pelo gabinete de Mendonça. 

No dia seguinte ao depoimento ao gabinete de Mendonça, em 28 de agosto, Vorcaro prestou depoimento de cerca de quatro horas à PF por meio de videoconferência. Na ocasião, ele foi perguntado sobre fatos relacionados ao inquérito que investiga o suposto pagamento de propina a ex-diretores do Banco Central para evitar a liquidação do Master. Vorcaro negou que tenha pagado favores indevidos aos ex-servidores. 

Os advogados dele também aproveitaram a oitiva na PF para demonstrar que ele estava interessado em fazer uma terceira proposta de colaboração premiada — as duas anteriores foram rechaçadas tanto pela PF como pela procuradoria-geral da República.

Os investigadores alegaram que os anexos entregues por sua defesa não traziam elementos inéditos às apurações e nem avançavam no que já havia sido encontrado nos oito celulares apreendidos com Vorcaro.

O gabinete de Mendonça destacou que o ministro do STF Alexandre de Moraes não foi mencionado na audiência com Vorcaro ocorrida na última quinta. 

Nesta terça-feira, Mendonça tirou o sigilo de um relatório de 218 páginas da PF que lista pelo menos 28 mensagens enviadas pelo banqueiro a Moraes. No texto, o banqueiro pede conselhos e a ajuda do ministro para que “desarmar” “bloquear” as investigações contra ele.

BS20260902211226.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/02/vorcaro-declarou-a-gabinete-de-mendonca-que-pf-nao-queria-ouvi-lo-e-reiterou-intencao-de-delatar.ghtml

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