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Participantes tinham entre 6 e 12 anos; 40% daquelas que receberam o medicamento deixaram de ser classificadas como obesas

O Wegovy, medicamento para tratamento da obesidade da farmacêutica Novo Nordisk, ajudou duas em cada cinco crianças a perder peso suficiente para deixar de ser classificadas como obesas em um novo estudo. Hoje, o fármaco é aprovado somente a partir dos 12 anos.
A maioria das crianças que participaram do ensaio clínico (85%) apresentava, no início dos testes, um índice de massa corporal (IMC) correspondente a uma faixa de obesidade grave. Após cerca de um ano, 40% daquelas que receberam o Wegovy deixaram de ser classificadas como obesas.
Participaram dos testes 165 crianças de 6 a 11 anos. Aquelas que receberam Wegovy realizaram o tratamento com uma injeção semanal com dose máxima de 1,7 mg ou 2,4 mg de semaglutida (princípio ativo do medicamento), com base no peso que tinham no início do estudo.
Por outro lado, nenhum dos voluntários do grupo que recebeu placebo ao longo do estudo deixou de se enquadrar na classificação de obesidade, embora tenham recebido um programa de exercícios e uma dieta com redução de calorias.
Em estudos anteriores, o Wegovy já havia se mostrado eficaz e seguro para crianças mais velhas, motivo pelo qual foi aprovado a partir dos 12 anos. Mas este é o primeiro ensaio clínico a analisar seus efeitos em crianças menores. Além da eficácia, a segurança e a tolerabilidade do tratamento entre os mais novos também foram consistentes com as observadas nos estudos com adultos e adolescentes.
“A obesidade infantil é particularmente preocupante devido aos impactos imediatos e duradouros sobre a saúde, incluindo uma forte predisposição à obesidade na vida adulta e um risco aumentado de surgimento precoce de complicações relacionadas à obesidade”, diz Ania M. Jastreboff, professora de Medicina na Universidade de Yale, onde dirige o Centro de Pesquisa sobre Obesidade, que participou do estudo, em nota.
Segundo o último atlas da Federação Mundial da Obesidade, estima-se que 177 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com obesidade em 2025, número que deve aumentar para 228 milhões até 2040. No Brasil, projeções do atlas indicam que, até 2040, metade das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos terão excesso de peso, 11,9% com obesidade.
“Para crianças que vivem com obesidade e suas famílias, os desafios à saúde podem começar cedo e afetar o bem-estar ao longo de toda a vida. Como pioneiros na área de medicamentos para obesidade pediátrica, estamos encorajados pelos resultados positivos estudo e pelo potencial da semaglutida de ajudar crianças que vivem com obesidade e precisam de tratamento médico”, afirma Martin Holst Lange, vice-presidente executivo, diretor científico e chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Novo Nordisk.
Os resultados detalhados do novo estudo, que podem abrir caminho para um alternativa terapêutica inédita na faixa etária, serão apresentados na reunião anual da The Obesity Society, em novembro, nos Estados Unidos. Ainda não há, porém, previsão para um pedido de aprovação de uso do remédio abaixo dos 12 anos às agências reguladoras.
O Wegovy faz parte dos análogos de GLP-1, classe de medicamentos inovadora que tem revolucionado o tratamento da obesidade. Eles simulam a ação do hormônio GLP-1 no corpo. No pâncreas, essa interação estimula a produção de insulina, motivo pelo qual também são utilizados para diabetes. Já no estômago, reduz a velocidade da digestão da comida e, no cérebro, ativa a sensação de saciedade, levando à perda de peso.
Em março, a patente do princípio ativo do Wegovy, a semaglutida, chegou ao fim no Brasil, o que tem possibilitado a entrada no mercado de novas versões similares e genéricas a preços menores, tornando o tratamento mais acessível no país.
Medicamentos inovadores podem ser protegidos por patente por um período máximo de 20 anos. O prazo garante à farmacêutica que arcou com os custos de desenvolvimento daquele remédio o direito de comercializá-lo de forma exclusiva por um tempo. Depois, outros fabricantes podem produzir e submeter à aprovação da Anvisa novas versões.
Além da semaglutida, outro análogo de GLP-1 aprovado para o tratamento da obesidade no Brasil é a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Ela tem o diferencial de ser um duplo agonista, simulando também um outro hormônio intestinal chamado GIP, o que se acredita estar relacionado a uma maior eficácia na perda de peso. A molécula, porém, está protegida por patente até 2036, ou seja, somente a farmacêutica responsável, a Eli Lilly, pode comercializá-la.
BS20260907120754.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/09/07/wegovy-reverte-obesidade-em-estudo-com-criancas-pequenas.ghtml

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