POLÍTICA

Zema nega convite para Michelle Bolsonaro ser vice após atrito gerado com a cúpula do PL

21 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Hipótese foi levantada pelo ex-governador durante um evento do Novo em São Paulo no último final de semana, mas foi descartada em seguida pela ex-primeira-dama nas redes sociais

O governador de Minas, Romeu Zema (Novo) — Foto: Guilherme Bergamini/ALMG

O ex-governador deMinas Gerais Romeu Zema (Novo) negou que tenha feito um convite para que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ocupasse a vice em sua chapa presidencial neste ano, depois de ela também descartar publicamente a hipótese de uma composição. Como mostrou o GLOBO, a possibilidade de os dois caminharem juntos também provocou irritação entre integrantes da cúpula do PL, abrindo uma nova frente de atrito entre bolsonaristas e o mineiro.

— Não mencionei o nome dela, não. Eu fui questionado sobre quem seria a vice, o jornalista citou o nome dela e eu falei que era uma possibilidade. Então, não houve nenhum convite em nenhum momento, mas, diante da pergunta, eu mencionei que sim — disse Zema em conversa com jornalistas durante o cumprimento de uma agenda no Rio de Janeiro nesta terça-feira.

No comentário, Zema fez referência a uma declaração dada por ele no último final de semana, durante um evento do Novo em São Paulo. Na ocasião, ele colocou Michelle como uma “possibilidade” para a vice de sua chapa e disse que seu critério é que o escolhido tenha “ficha limpa”.

Horas depois, Michelle reagiu nas redes sociais e descartou qualquer possibilidade. A ex-primeira-dama afirmou que sequer decidiu se disputará uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal e lembrou que é filiada ao PL, partido que já lançou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência.

— Primeiro, eu não defini se serei candidata nem ao Senado. Portanto, essa proposta não pode sequer ser cogitada (…) Estou filiada ao PL. Um mesmo partido não pode ter duas cabeças de chapa concorrendo em coligações distintas para os mesmos cargos majoritários. Não há nenhuma possibilidade — ela escreveu.

Nos bastidores, porém, a discussão foi além da negativa de Michelle. Integrantes da direção nacional do PL afirmam que a fala de Zema foi recebida com forte irritação por ter ocorrido justamente no momento em que o partido tenta reduzir os efeitos da crise entre Flávio e a ex-primeira-dama. A avaliação é que o ex-governador buscou explorar um desgaste interno do bolsonarismo para projetar sua candidatura presidencial.

Interlocutores de Flávio classificam o movimento como “fogo amigo”, uma vez que Michelle jamais participou de qualquer conversa sobre integrar uma chapa presidencial fora do PL e o tema nunca esteve em discussão. Na avaliação desses aliados, Zema alimentou deliberadamente uma especulação sem qualquer fundamento político em um momento de maior fragilidade da relação entre a ex-primeira-dama e o senador.

Reservadamente, dirigentes do partido dizem que essa não foi a primeira vez que o mineiro tentou crescer explorando uma crise enfrentada pelo bolsonarismo. A leitura é que o episódio reproduz um comportamento observado em maio, quando Zema endureceu publicamente as críticas a Flávio Bolsonaro após a divulgação das conversas do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Na ocasião, o ex-governador classificou como “imperdoável” a conduta de Flávio e passou a explorar o episódio nas redes sociais. A reação foi imediata. Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro acusaram Zema de oportunismo e o episódio aprofundou o desgaste entre o PL e o sucessor do presidenciável do Novo em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD).



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