ECONOMIA

Abiec diz que sistema de controle de antibiólicos exigido pela UE está em execução, com 100% de adesão de exportadores

2 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Protocolo integra garantias apresentadas pelo governo brasileiro ao bloco, que deve suspender compras de carne brasileira amanhã. Associação afirma que ‘não há substituição automática do mercado europeu’

Preços da carne estão em alta — Foto: Reprodução

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse nesta quarta-feira que desenvolveu um protocolo de controle de uso de antimicrobianos pelos produtores de carne bovina e que já houve adesão de 100% das empresas associadas que exportam para a União Europeia.

O sistema foi uma exigência do bloco para que os embarques fossem mantidos. Segundo a associação, as garantias oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já foram apresentadas à UE.

Na segunda-feira, a Comissão Europeia reiterou que o Brasil seria excluído da lista de nações habilitadas para exportar determinados produtos para a UE por não ter apresentando garantias suficientes sobre a conformidade de seus produtos com as regras sanitárias europeias, incluindo o uso de antibióticos proibidos na região.

A proibição, se não houver uma reviravolta na decisão, que já havia sido anunciada em maio, vale a partir desta quinta-feira, dia 3. Ele faz parte das garantias oficiais brasileiras já apresentadas pela UE e já está em processo de execução.

O protocolo da Abiec foi desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

“Trata-se de um requisito regulatório de mercado, estabelecido pelo bloco para seus fornecedores, que não altera a qualidade, a segurança ou o status sanitário da carne bovina brasileira, reconhecida em mais de 170 mercados atendidos pelo país”, diz a Abiec em nota.

A associação disse ainda que, caso as exportações sejam de fato barradas, o mercado europeu não pode ser substituído automaticamente.

“A União Europeia é um mercado estratégico para o Brasil, principalmente pelo alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados. A carne bovina brasileira seguirá sendo comercializada nos mercados para os quais estiver habilitada, mas não há substituição automática do mercado europeu, uma vez que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos”.

Mercado de US$ 2 bi por ano

Por isso, diz a associação, a prioridade “é contribuir para que esse fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível, preservando a diversificação dos destinos, a competitividade da cadeia e a presença internacional da carne bovina brasileira”.

“Os esforços estão concentrados na reinclusão do Brasil entre os países aptos a exportar para o bloco, uma vez que as garantias oficiais do Mapa já foram apresentadas”.

A Abiec diz que acompanha as negociações do governo e que “segue fornecendo os subsídios técnicos necessários”.

O veto europeu, se concretizado, não se restringe à carne bovina. Abrange carne de frango e pescado, além de mel.

Segundo dados do Agrosat, sistema de dados o Ministério da Agricultura, as exportações de carnes (inclui bovinos e carne branca) para os 27 países da UE foi de US$ 1,8 bilhão em 2025, o que faz do bloco o segundo maior destino do produto. Naquele ano, o Brasil exportou US$ 31,8 bilhões de carnes. A China aparece na primeira posição, com US$ 9,8 bilhões.

BS20260902115251.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/02/abiec-diz-que-sistema-de-controle-de-antibiolicos-exigido-pela-ue-esta-em-execucao-com-100percent-de-adesao-de-exportadores.ghtml

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