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Protocolo integra garantias apresentadas pelo governo brasileiro ao bloco, que deve suspender compras de carne brasileira amanhã. Associação afirma que ‘não há substituição automática do mercado europeu’

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse nesta quarta-feira que desenvolveu um protocolo de controle de uso de antimicrobianos pelos produtores de carne bovina e que já houve adesão de 100% das empresas associadas que exportam para a União Europeia.
O sistema foi uma exigência do bloco para que os embarques fossem mantidos. Segundo a associação, as garantias oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já foram apresentadas à UE.
Na segunda-feira, a Comissão Europeia reiterou que o Brasil seria excluído da lista de nações habilitadas para exportar determinados produtos para a UE por não ter apresentando garantias suficientes sobre a conformidade de seus produtos com as regras sanitárias europeias, incluindo o uso de antibióticos proibidos na região.
A proibição, se não houver uma reviravolta na decisão, que já havia sido anunciada em maio, vale a partir desta quinta-feira, dia 3. Ele faz parte das garantias oficiais brasileiras já apresentadas pela UE e já está em processo de execução.
O protocolo da Abiec foi desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
“Trata-se de um requisito regulatório de mercado, estabelecido pelo bloco para seus fornecedores, que não altera a qualidade, a segurança ou o status sanitário da carne bovina brasileira, reconhecida em mais de 170 mercados atendidos pelo país”, diz a Abiec em nota.
A associação disse ainda que, caso as exportações sejam de fato barradas, o mercado europeu não pode ser substituído automaticamente.
“A União Europeia é um mercado estratégico para o Brasil, principalmente pelo alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados. A carne bovina brasileira seguirá sendo comercializada nos mercados para os quais estiver habilitada, mas não há substituição automática do mercado europeu, uma vez que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos”.
Por isso, diz a associação, a prioridade “é contribuir para que esse fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível, preservando a diversificação dos destinos, a competitividade da cadeia e a presença internacional da carne bovina brasileira”.
“Os esforços estão concentrados na reinclusão do Brasil entre os países aptos a exportar para o bloco, uma vez que as garantias oficiais do Mapa já foram apresentadas”.
A Abiec diz que acompanha as negociações do governo e que “segue fornecendo os subsídios técnicos necessários”.
O veto europeu, se concretizado, não se restringe à carne bovina. Abrange carne de frango e pescado, além de mel.
Segundo dados do Agrosat, sistema de dados o Ministério da Agricultura, as exportações de carnes (inclui bovinos e carne branca) para os 27 países da UE foi de US$ 1,8 bilhão em 2025, o que faz do bloco o segundo maior destino do produto. Naquele ano, o Brasil exportou US$ 31,8 bilhões de carnes. A China aparece na primeira posição, com US$ 9,8 bilhões.
BS20260902115251.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/02/abiec-diz-que-sistema-de-controle-de-antibiolicos-exigido-pela-ue-esta-em-execucao-com-100percent-de-adesao-de-exportadores.ghtml

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