POLÍTICA

Advogado amigo de Flávio Bolsonaro pede para Justiça remover posts de Richarlison sobre disputa de mansão na Ilha Comprida

21 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Em publicações em seu Instagram, Richarlison afirma que adquiriu o imóvel, mas que ele lhe foi “tomado”, o que Willer Tomaz alega ser mentira

Mansão avaliada em R$ 10 milhões em 2022 é alvo de disputa — Foto: Reprodução

O advogado Willer Tomaz, amigo do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), entrou com uma ação na Justiça na qual pede a remoção de conteúdos publicados nas redes sociais pelo jogador de futebol Richarlison de Andrade sobre uma disputa entre os dois por uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ).

Em publicações em seu Instagram, feitas em julho, Richarlison afirma que adquiriu o imóvel, mas que ele lhe foi “tomado”, o que Willer alega ser mentira. O advogado diz que possui a posse do bem de forma regular, e que isso já foi reconhecido em decisões judiciais. Ele pediu, com urgência, a remoção dos conteúdos e a abstenção de novas publicações de idêntico teor, sob pena de multa.

A Justiça, porém, negou o pedido de urgência em agosto, sob alegação de que as postagens do jogador haviam sido feitas nos Stories da rede social Instagram e que o conteúdo desaparece em 24 horas. Um outro vídeo, publicado fora da conta de Richarlison, já havia sido apagado.

Entenda a disputa

A disputa remete a 2020, quando o atacante brasileiro, que joga pelo Tottenham Hotspur, da Inglaterra, afirma ter investido R$ 10 milhões para adquirir a mansão na ilha, por meio de uma empresa da qual é sócio. O jogador afirma que, enquanto ainda discutia a documentação, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse no imóvel, mas ele se recusou a vendê-lo. O senador nega qualquer relação com o imbróglio. Ele chegou a visitar o local e foi incluído como testemunha no processo que discute a posse da casa.

Já Willer afirma ter adquirido regularmente os direitos de ocupação da ilha, bem como uma casa localizada nela, por meio da empresa WT Administração de Imóveis. Segundo ele, Richarlisson pagou a posseiros, e não à real proprietária do imóvel em Angra dos Reis. Conforme o advogado, por essa razão a empresa ligada ao jogador foi derrotada em todas as instâncias, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“Dizer que a ilha foi ‘tomada’ ou que houve golpe contraria esse desfecho. Liberdade de expressão tampouco ampara a imputação de crimes a quem venceu uma disputa nos tribunais”, afirmou ele, em nota sobre a ação para remover as postagens. Willer ainda disse que “é equivocado vincular o caso ao senador Flávio Bolsonaro, que jamais integrou a demanda”.

Uma decisão judicial de maio de 2022 transferiu a posse do imóvel a Willer, que alegou ter firmado um contrato com a antiga detentora da posse, a M. Locadora Ltda. A empresa, desde 1986, detinha a outorga da União por ter comprado a propriedade do marido da cantora Clara Nunes — uma das primeiras donas do local.

Como mostrou a coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, cerca de 20 anos depois, representantes dos espólios dos antigos donos da M. Locadora, já mortos, reivindicavam a posse. Dali em diante, a batalha judicial teve uma série de capítulos, incluindo uma acusação de que Willer juntou um laudo com assinatura falsa da inventariante no processo, o que a Justiça comprovou que não ocorreu.

O caso chegou a ser analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, após uma decisão desfavorável à empresa de Richarlison no ano passado, o atacante desistiu do processo.

Novo vídeo

Nesta semana, Willer publicou um vídeo respondendo a uma das gravações publicadas por Richarlison na qual ele diz que o advogado tomou a mansão “na mão grande”.

— Eu não quis vender a ilha para ele. Como não quis, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça. A gente estava resolvendo a papelada (documentação da posse da ilha), e eles falaram que demorava meses ou até anos para resolver. Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha. Aí a Justiça falhou. Os caras tomaram a ilha sem gastar um tostão, até onde eu sei. Gastei em torno de R$ 10 milhões lá e não recebi nada — disse Richarlison.

Willer afirmou que sempre respondeu às acusações nos autos, mas que neste caso não estão nos autos. “Estão nas redes sociais, repetidas em escala, agora em período eleitoral e com o nome de um candidato no meio”, escreveu Willer.

O advogado também publicou documentos afirmando que o jogador está mentindo e pedindo provas de que pagou R$ 10 milhões pela mansão. Ele ainda desafiou Richarlison a apresentar, em 72 horas, um único documento anterior a julho de 2022 que o vincule ao imóvel de Angra dos Reis.

Após o desafio, nesta quarta-feira, o atacante publicou um novo vídeo nas redes sociais apresentando o que, segundo ele, são provas de que comprou o imóvel. Segundo ele, a aquisição foi feita em 2020 e houve o investimento de R$ 10 milhões, entre pagamento aos antigos posseiros, reformas e segurança contra invasões.

“Indenizamos todos os antigos moradores, com acordo em cartório e a Justiça do Rio de Janeiro validou a nossa posse. Fizemos tudo dentro da lei”, escreveu o atacante.

Conforme o jogador, o pedido de regularização ficou parado no governo federal. “Enquanto isso, o advogado ressuscitou uma empresa (inapta desde 2018), com sócios já falecidos, e ludibriou uma viúva de 78 anos para tomar a posse da ilha”, afirmou. Depois disso, segundo ele, o governo aprovou a transferência do patrimônio para a empresa de Willer.

“Eu quero a ilha de volta, com a casa reconstruída do mesmo jeito que estava”, pede o jogador.

Confira a íntegra da nota de Willer Tomaz:

A ação movida pelo advogado Willer Tomaz não pretende calar o jogador Richarlison, e sim responsabilizá-lo por afirmações falsas. O atacante pagou a posseiros, e não à proprietária de direito do imóvel de Angra dos Reis. Por essa razão, a Sport 70, empresa ligada a ele, foi derrotada em todas as instâncias, inclusive no STJ, em decisões transitadas em julgado. Dizer que a ilha foi “tomada” ou que houve golpe contraria esse desfecho.

Liberdade de expressão tampouco ampara a imputação de crimes a quem venceu uma disputa nos tribunais. O processo tramita no Judiciário, e o atleta responde pelas acusações que mantém mesmo depois de notificado. Também é equivocado vincular o caso ao senador Flávio Bolsonaro, que jamais integrou a demanda e só apareceu como testemunha arrolada pelo ex-deputado de esquerda Alencar da Silveira Júnior, sócio do próprio Richarlison.

BS20261021163230.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/10/21/advogado-amigo-de-flavio-bolsonaro-pede-para-justica-remover-posts-de-richarlison-sobre-disputa-de-mansao-na-ilha-comprida.ghtml

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