Fachin diz que tribunais devem conquistar autoridade cotidianamente e defende lealdade às regras do jogo às vésperas do 2º turno
21 de outubro, 2026
| Por: Agência O Globo
Ministro destacou que democracias geralmente morrem por “meios aparentemente legais”, com a captura de instituições, e “raramente por golpes abruptos”
O ministro Edson Fachin — Foto: Reprodução/TV Senado
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira que tribunais como o STF devem fortalecer e “reconquistar diariamente” sua autoridade, já que ela não é resultado do voto popular, mas da fidelidade à Constituição. Às vésperas do segundo turno das eleições 2026, o ministro também defendeu “lealdade às regras do jogo, inclusive por parte de quem perde”.
As declarações ocorreram quando o ministro discursava no evento ‘Diálogos com o Supremo: Tribunais Constitucionais e o Estado de Direito’, que recebe pesquisadores para debates no STF.
No encontro, Fachin abriu sua fala tratando dos tribunais constitucionais, como o STF. Segundo o ministro, as Cortes tem o desafio de se equilibrar entre a “omissão e o protagonismo”.
— Um tribunal que se retrai diante de violações de direitos fundamentais trai a sua missão. Mas um tribunal que pretende substituir o debate político por sua própria vontade também a trai, pois transforma a guarda da Constituição em governo dos juízes — apontou.
Em seguida, o ministro explicou que democracias geralmente morrem por “meios aparentemente legais”, com a captura de instituições, e “raramente por golpes abruptos”. Foi nesse contexto que o presidente do STF apontou que uma democracia é também uma cultura, que tem limites, respeita decisões judiciais e exige as “lealdade às regras do jogo”.
— A consolidação democrática nunca é um ponto de chegada que, uma vez ultrapassado, está definitivamente conquistado; é uma tarefa permanente, que depende de instituições capazes de resistir e de uma cidadania disposta a defendê-las — afirmou.
Ainda com relação aos tribunais como STF, Fachin argumentou que a transparência “não é uma concessão, mas uma condição de legitimidade da Justiça”. Segundo o ministro, é necessário que uma Corte preste contas da “autoridade que lhe foi confiada”.