A saída sem honra de Reguffe

O senador Reguffe usou as redes sociais hoje (4) para anunciar que não seria candidato a nada neste ano. Não surpreendeu nem os fãs mais ardorosos. Antes mesmo de começar a pré-campanha eleitoral o senador se posicionou fragilmente, nunca assumiu compromisso com ninguém, nem com qualquer candidatura. Dizia que seu sonho era ser candidato ao Senado, mas sequer se dignou a montar uma nominata forte para o seu novo partido, União Brasil, disputar a eleição de acordo com seu tamanho nacional.

Vendendo a alma

Há poucos dias o senador Reguffe postou nas redes sociais uma enigmática mensagem culpando as forças ocultas por alguma conspiração que podia fazer com que ele não disputasse a vaga de senador. Não foi sequer original. Copiou o ex-presidente Jânio Quadros que, quando renunciou, culpou o mesmo mistério pelo ato unilateral que tomou. O fato é bem mais simples: quando trocou o Podemos pelo União Brasil, Reguffe vendeu a alma ao diabo.

Olho no fundo bilionário

De olho na generosa verba do fundo partidário do novo partido e no tempo de rádio e televisão, Reguffe preferiu trair o Podemos, uma agremiação menor, mas sabidamente menos comprometida. E é preciso lembrar a incoerência de Reguffe: votou contra o fundo partidário, mas entrou no partido que vai usar mais de R$ 1 bilhão desse mesmo fundo. Cometeu o mesmo erro do ex-juiz Sérgio Moro, outro que virou um zumbi eleitoral, e que agora está apunhalando um de seus protetores, o senador Álvaro Dias, disputando com ele a vaga de Senador pelo Paraná. Ganância tem dessas coisas.

Em busca de um culpado

Reguffe chega a dizer no vídeo que “ouviu dizer” que o governador Ibaneis Rocha estaria tentando trazer o União Brasil para sua base eleitoral – o que é perfeitamente legitimo, aliás – mas exigindo que Reguffe não disputasse o governo. O senador está falando o óbvio, como na maioria das vezes em que se pronunciou: se o governador está em busca de uma parceria política com o partido e é candidato, não tem como dividir a vaga.

Os erros de um mandato

Na verdade, Reguffe está procurando uma desculpa para dar a seus eleitores pelos muito erros que cometeu durante o mandato. O primeiro deles foi ficar três anos e meio sem partido, o que fez com que ele ficasse isolado na Casa, sem participar de Comissões, sem poder opinar sobre temas importantes. O segundo foi trocar de partido apenas com o objetivo de disputar a eleição, desprezando uma agremiação mais modesta (mas honesta) e escolhendo um partido mais rico.

E a foto com Bolsonaro?

No vídeo, o Senador esconde que a causa principal de sua revolta é o apoio que o União Brasil resolveu dar ao presidente Bolsonaro. Ele viu a foto em que o presidente do partido no DF, Manoel Arruda, aparece sorrindo ao lado do presidente da República, a quem foi levado pelo Ministro da Justiça (e ex-Secretário de Segurança de Ibaneis), Anderson Torres. A articulação nacional, que na verdade visa levar todo o partido para a campanha do presidente, é um movimento que vai muito além de Reguffe e Ibaneis.

Múltipla escolha

Das duas uma: ou o Senador não se incomodou ao ver que teria que pedir votos para o presidente Bolsonaro em sua campanha ou agiu de má-fé culpando Ibaneis Rocha pela derrocada de sua campanha.

Mais um esquecimento

O Senador Reguffe também se esqueceu de dizer – embora o vídeo tenha cerca de sete minutos de duração – que recebeu recentemente o governador Ibaneis Rocha em sua casa para uma conversa em que foram tratados assuntos relacionados à eleição. Reguffe sendo Reguffe: escondendo evidências para ficar bem na foto.

 

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