Uma eleição para entrar na história

Na breve história politico-partidária nunca houve uma pré-eleição tão tumultuada quanto essa. Os episódios recentes, idas e vindas, acordos e desacordos, deixaram tontos os brasilienses que resolveram acompanhar os movimentos políticos. E a confusão foi para todo lado, independentemente de ideologias. Nunca dantes foi tão verdadeira a frase atribuída à raposa mineira Magalhães Pinto, foi tão atual: “política é como nuvem; cada vez que olha está diferente”.

Troca de farpas à esquerda

À esquerda se digladiou para ter uma candidatura única. Leandro Grass (PV) não chegou a acordo com Rafael Prudente (PSB), Leila Barros (PDT) e Keka Bagno (PSOL) e cada um sai por si, dividindo votos. Trocas de farpas pelas redes chegaram a criar um ambiente xe tensão entre os candidatos, mas a turma o deixa-disso agiu prontamente para apagar o incêndio. Mas ficaram cicatrizes.

Improbidade no caminho

O clã Arruda esteve no centro de várias polêmicas a partir do momento em que o ex-governador José Roberto Arruda conseguiu uma liminar no STJ para disputar a eleição. A liminar acabaria caindo, mas Arruda – mestre ilusionista – manteria a expectativa de ser candidato a partir da definição do STJ sobre a retroatividade da Lei da Improbidade Administrativa que começou esta semana – com desvantagem para a tese que favoreceria Arruda – e deve terminar na próxima.

Ataque e contra-ataque

Com esse movimento, Arruda chegou a lançar-se candidato ao governo, mas acabou como postulante a deputado federal. Ibaneis Rocha foi rápido, lançou chapa com a deputada Celina Leão (PP) e a ex-ministra Damares Alves (PRB). A celeuma acabou na presidência da República: Bolsonaro tirou Damares e
instalou Flávia Arruda (PL) no lugar.

Reguffe fica no caminho

O movimento levou o PRB a se aproximar do União Brasil, o que colocou o senador Reguffe numa saia justa: como apoiar um partido que da sustentação ao presidente Bolsonaro e como se lançar em chapa com Damares? Reguffe tentou dar o golpe e capturar o partido para ele. Não deu certo, parece ter acabado sem nada e os dois partidos devem caminhar com Ibaneis Rocha.

Cenas constrangedoras

O senador, aliás, protagonizou algumas das mais constrangedoras cenas políticas já vistas. Historicamente Reguffe sempre se mostrou indeciso e errático, mas desta vez o oportunismo cobrou seu preço. O senador mudou de partido de olho no dinheiro do fundo eleitoral do União e no tempo de TV, tudo bem mais generoso do que teria no Podemos, mas abriria mão do controle das decisões.

A gota d’água

O União Brasil é um partido pragmático. Reguffe chegou a trazer alguns políticos para o novo partido, mas a ação foi decepcionante: não conseguiu montar nominatas boas para as câmaras Federal e Legislativa. Os líderes do União sabem fazer conta: viram que ninguém tinha condições de se eleger. Mas Reguffe continuou cobrando plenos poderes, incluindo uma coligação com o Novo, para trazer o advogado Paulo Roque como candidato ao Senado. A gota d’água foi o veto dele à uma coligação com o PRB – Reguffe não queria aproximação com Damares Alves.

Querendo mais e mais

Reguffe chegou a publicar vídeo reclamando de “forças ocultas” que não queriam que fosse candidato ao governo. Foi desmentido pelo presidente do partido, Manoel Arruda, que ofereceu todas as condições para que o senador fosse candidato. Mas Reguffe quis mais e mais. Estranho para alguém que disse reiteradas vezes que não queria ser candidato ao GDF. No União, há quem acredite que Reguffe buscou se vitimizar, gravando vídeos com carinha de triste.

Será que tem mais?

Mas o dia não acabou. Tudo pode mudar. Ou Nada.

 

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