ECONOMIA

Alta do PIB do 2º trimestre frustra Fazenda, que aponta chance de redução na projeção de 2,3% para 2026

1 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Desaceleração veio com recuo de 0,4% no consumo do brasileiro, em meio a elevado endividamento e perda de fôlego das medidas de incentivo do governo Lula. Agro sobe quase 3%

Consumo das famílias, que ficou 0,4% abaixo dos três primeiros meses do ano, foi o único componente do PIB a registrar queda. — Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

O crescimento de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre ante o primeiro trimestre, com ajuste sazonal, frustrou a expectativa oficial do governo (0,8%), segundo nota da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, divulgada nesta terça-feira. O resultado também representa desaceleração ante o período de janeiro a março (1,1%). De acordo com a SPE, há possibilidade de redução da atual projeção para a expansão no ano, de 2,3%,

A composição do resultado do PIB também foi diferente do esperado pela SPE, com maior impulso de setores menos sensíveis ao ciclo econômico, como a agropecuária. Indústria e serviços ficaram abaixo das expectativas, com o resultado industrial sustentado pelas extrativas diante do recuo da transformação e da construção.

Pela ótica da demanda, a absorção doméstica apresentou variação praticamente nula mesmo com o avanço do consumo do governo.

 — Foto: Editoria de Arte

O agro cresceu 2,8%, enquanto a indústria e os serviços tiveram altas marginais, de 0,1% e 0,2%, respectivamente. Do lado da demanda, o investimento avançou 1,2%e o consumo do governo, 0,4%. Já o consumo das famílias caiu 0,4%.

Para a SPE, o quadro é consistente com os efeitos ainda predominantes da política monetária restritiva sobre os vetores da absorção doméstica e sobre os setores mais cíclicos da economia, particularmente a indústria de transformação, a construção e o comércio, em um ambiente de endividamento elevado.

A expectativa é que haja continuidade de desaceleração do crescimento econômico no terceiro trimestre, com a dissipação do efeito de políticas do governo sendo parcialmente compensada pela redução do custo do crédito. Já no período de outubro a dezembro, é esperada uma retomada gradual, à medida que os setores mais ligados ao ciclo econômica respondam à redução da taxa Selic.

“O ciclo de cortes iniciado em março levou a taxa básica de juros de 15,0% para 14,0%, patamar ainda restritivo, de modo que o repasse ao crédito e ao investimento deve se materializar apenas parcialmente até o fim do ano. A projeção da SPE para o PIB de 2026 é atualmente de 2,3%, encontrando-se em revisão para o próximo Boletim Macrofiscal, com viés de baixa.”

BS20260901145453.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/01/alta-do-pib-do-2o-trimestre-frustra-fazenda-que-aponta-chance-de-reducao-na-projecao-de-23percent-para-2026.ghtml

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