Setor segue abaixo do nível pré-pandemia (1,5%) e interrompe a alta de 1,8%, acumulada nos meses anteriores, mostra IBGE


 O setor está 18% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011

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Após registrar alta por quatro meses consecutivos, a produção industrial no Brasil registrou queda de 0,4% em junho, na comparação com o mês anterior, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os meses anteriores de expansão acumularam alta de 1,8%.

A indútria segue abaixo do patamar pré-pandemia (1,5%) e também está 18% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Em relação ao mesmo mês de 2021, o setor recuou 0,5%. No primeiro semestre do ano, a indústria acumula queda de 2,2%. Já nos últimos 12 meses, a retração foi de 2,8%.

Segundo o gerente da pesquisa André Macedo, “a indústria não havia recuperado a perda de janeiro (-1,9%) mesmo com os quatro meses de crescimento em sequência, período em que houve alta acumulada de 1,8%. Com o resultado de junho, há uma acentuação do saldo negativo no ano (-0,5%) quando comparado com o patamar de dezembro de 2021. Isso reflete as dificuldades que o setor industrial permanece enfrentando, como o aumento nos custos de produção e a restrição de acesso a insumos e componentes para a produção de bem final. Nesse sentido, o comportamento da atividade industrial tem sido marcado por paralisações das plantas industriais, reduções de jornada de trabalho e concessão de férias coletivas”.

“Há a taxa de juros elevada, a inflação que segue em patamares altos, a diminuição da renda das famílias e, ainda que a taxa de desocupação venha caindo nos últimos meses, há um contingente de aproximadamente 10 milhões de desempregados no país. A característica dos postos de trabalho que estão sendo criados aponta para uma precarização do mercado de trabalho e isso é refletido na massa de rendimento, que não está crescendo. Todos esses aspectos são fatos importantes na nossa análise e ajudam a explicar esse saldo negativo do setor industrial”, completa Macedo.

Atividades

Em junho, três das quatro grandes categorias econômicas e quinze dos 26 ramos pesquisados mostraram redução na produção. A queda mais acentuada foi dos farmoquímicos e farmacêuticos (-14,1%) e dos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%). As duas categorias interromperam os avanços alcançados em abril e maio de 2022, quando acumularam crescimento de 5,3% e 5,0%, respectivamente.

Registraram um recuo ainda, o setor de máquinas e equipamentos (-2,0%), de metalurgia (-1,8%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,8%) e de outros equipamentos de transporte (-5,5%).

Por outro lado, entre as nove atividades em alta, veículos automotores, reboques e carrocerias tiveram aumento de 6,1%, intensificando o crescimento verificado no mês anterior (3,8%). Já indústrias extrativas subiram 1,9%, recuperando parte da queda de 5,7% observada em maio. Os dois setores exerceram os principais impactos positivos em junho.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda em relação a maio de 2022, os bens de capital (-1,5%) registraram a taxa mensal negativa mais acentuada, após subirem 7,5% em maio e caírem 8% em abril. Os setores produtores de bens intermediários (-0,8%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%) também recuaram.

O segmento de bens de consumo duráveis teve a única taxa positiva em junho, 6,4%, e seguiu o crescimento do mês anterior (4,1%).

Primeiro semestre acumula quedas

Todas as grandes categorias econômicas acumulam quedas no ano. O índice no primeiro semestre do 2022, frente a igual período do ano anterior, caiu 2,2%, com resultados negativos em todas as quatro grandes categorias econômicas.

As principais influências negativas no total da indústria vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-5,4%), produtos de metal (-12,1%), produtos de borracha e de material plástico (-10,0%), indústrias extrativas (-3,3%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-14,6%).

A contribuição para a queda veio também de ramos de metalurgia (-5,4%), produtos têxteis (-15,3%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,1%), móveis (-19,8%), produtos de minerais não metálicos (-5,2%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-9,3%), produtos diversos (-7,0%), perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-5,0%) e de máquinas e equipamentos (-1,3%).

Já entre as atividades em alta, no acumulado do ano, entre as oito atividades em alta, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis teve o maior impacto (10,3%), impulsionada pela maior produção dos combustíveis. Outros impactos positivos importantes vieram de bebidas (2,9%) e manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (5,9%).

Houve no período menor dinamismo para bens de consumo duráveis (-11,7%), pressionada, em grande parte, pelas reduções verificadas na fabricação de eletrodomésticos da “linha branca” (-21,7%) e da “linha marrom” (-12,6%) e de automóveis (-7,0%).

*Estágiaria sob supervisão de Mariana Botta

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  • Fonte: ECONOMIA | Camila Nascimento, do R7*

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