ESPORTES

Após reação global, Infantino recua no tom e diz que privatização da Copa do Mundo é ‘opcional’

30 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Presidente da Fifa afirma que proposta ainda depende da aprovação das 211 federações e garante que a entidade manterá o controle sobre o futebol e suas competições

Presidente da Fifa, Gianni Infantino anuncia venda de ingressos para o mata-mata do Mundial de Clubes — Foto: Divulgação/Fifa

Pressionado pela forte reação de confederações e federações nacionais ao projeto de reestruturação comercial da Fifa, o presidente Gianni Infantino tentou reduzir a tensão nesta quarta-feira ao afirmar que a proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE) não representa uma imposição às associações filiadas. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o dirigente classificou a iniciativa como “uma oportunidade, não uma obrigação”.

A declaração ocorre dias depois de a proposta provocar críticas de entidades como Uefa e Concacaf, além de alimentar discussões sobre uma possível privatização da Copa do Mundo e de outras competições organizadas pela Fifa.

Segundo Infantino, a criação da FFE ainda está em fase de consultas e só poderá ser implementada caso seja aprovada pela maioria das 211 federações filiadas e pelo Conselho da FIFA.

— A FIFA Forward Enterprise é, na verdade, uma proposta, uma oferta. Faz parte de um processo democrático, de consulta e, acima de tudo, é uma oportunidade, não uma obrigação — afirmou.

O presidente explicou que a nova subsidiária permaneceria sob controle da própria Fifa e teria como missão concentrar toda a operação comercial da entidade, incluindo a organização de competições, direitos de transmissão, patrocínios, licenciamento e novos projetos voltados ao desenvolvimento do futebol.

Infantino argumentou que o novo modelo permitiria explorar receitas ainda não aproveitadas e ampliar os recursos destinados às federações nacionais. De acordo com o dirigente, cada associação teria a possibilidade de receber até US$ 40 milhões (cerca de R$ 224 milhões, na cotação atual) durante o próximo ciclo de investimentos, por meio do programa FIFA Fast Forward.

— É uma oportunidade de ouro para impulsionar o desenvolvimento do futebol em nível global. Mas reitero: trata-se apenas de uma oferta, não de uma obrigação. Temos o dever de discutir essa possibilidade com todos — declarou.

Na parte final do pronunciamento, o presidente da Fifa buscou tranquilizar torcedores e dirigentes ao afirmar que a governança do futebol permanecerá sob responsabilidade exclusiva da entidade.

— Os torcedores continuam sendo a pedra angular do futebol. O esporte que eles amam não vai mudar. A FIFA continuará governando o futebol sem qualquer interferência externa, e competições como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo Feminina permanecerão sob responsabilidade da entidade — concluiu.

O pronunciamento representa a primeira tentativa pública de Infantino de conter a crise gerada pela proposta, que segue enfrentando resistência entre diferentes confederações e promete continuar no centro do debate político do futebol internacional nas próximas semanas.


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